Plebiscito Popular pela Constituinte Exclusiva realiza Curso de Formação no Vale do São Francisco

No último final de semana, mais de 100 militantes de diversas entidades dos sertões da Bahia e Pernambuco participaram do 1º Curso de Formação de Formadores/as do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Realizado no campus Petrolina da Univasf, o evento reuniu pastorais, sindicatos, organizações de esquerda, entidades estudantis e camponesas para a preparação de multiplicadores/as que até setembro atuarão no trabalho de base junto à sociedade local.
Uma retrospectiva da formação do Sistema Político no Brasil abriu as atividades do primeiro dia de discussões. O militante da Consulta Popular Eduardo Mara enfatizou os motivos que impulsionaram a realização do Plebiscito. “Estamos vivendo a possibilidade de mobilizar forças sociais para debater um projeto de nação”, destacou ele. As consequências do atual sistema político no sertão nordestino foram frisadas pelo comunicador Omar Torres (Babá). Na noite cultural, uma jornada socialista homenageou os/as lutadores/as do povo que foram assassinados/as pela Ditadura Militar (1964-1985).
No segundo dia de curso, os/as participantes debateram a sub-representação política das mulheres e da juventude. De acordo com Erika Denise, da Marcha Mundial das Mulheres, a pauta feminista não vai avançar enquanto estiver em vigência o atual sistema político. “Temos que unificar as mulheres da classe trabalhadora para sermos representadas efetivamente nos espaços de poder”, afirma ela. Para que essa inclusão aconteça é preciso enfrentar a imposição do poder econômico no processo eleitoral. Foi o consenso do último espaço de discussão do curso, mediado por Marco Túlio, do Levante Popular da Juventude.
A perspectiva agora é criar comitês municipais, por local de trabalho, moradia e estudo, e construir uma grande votação na semana da pátria deste ano, de 1 a 7 de setembro, em que todas as brasileiras e brasileiros possam opinar se são a favor de uma constituinte exclusiva e soberana que, de uma vez por todas, modifique o sistema político em nosso país e fortaleça a democracia participativa.
Ascom Plebiscito

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MST: o que o faz necessário

As imbricações entre a questão agrária e a urgência climática aguardam o desassombro de um protagonista, capaz de arrastar tempos históricos distintos.

por: Saul Leblon na Carta Maior 

No percurso dos seus 30 anos, o MST não pode ser acusado de benevolência com qualquer  governo, nem mesmo com o atual, do PT – alvo, não raro, da contundência de seu apoio crítico. 

A manifestação de 15 mil pessoas que o movimento promoveu  esta semana, em Brasília, simultânea ao seu VI Congresso, tampouco  sancionou  a facilidade com que a  emissão conservadora tem usado a rua, desde junho de 2013, para propagandear a sua própria agenda.

Sem aderir aos seguidores de  Pilatos, que lavam as mãos na drenagem dos protestos para as manchetes, o MST reiterou uma avaliação que confere à gestão Dilma o pior índice de assentamento, desde FHC.

Pelas contas do movimento, foram menos de dez mil novas famílias beneficiadas em 2013; pelas do governo, seriam 75 mil nos últimos três anos  –ritmo modulado pela ênfase deliberada na viabilização dos projetos já existentes.

A mesma passeata que cobrou mais ousadia da política agrária  –pauta do encontro desta 5ª feira entre a Presidenta Dilma e lideranças do MST, dirigiu-se em seguida ao prédio do STF, que se viu cercado por  brados e faixas  autoexplicativas.

 ‘Crime é condenar sem prova’, dizia uma delas. Outra: ‘STF, refém da  Globo’.

Assim por diante.

O cerco ao Supremo  mostra como fica difícil manipular quem não quer ser  manipulado.

Mais que isso: quem tem  discernimento  para enxergar na relação de forças existente a centralidade da contradição determinante, sem abafar a urgência dos conflitos  subjacentes.

É essa argúcia de um movimento  que, não por acaso,  enfatiza a educação de seus militantes  –chegou a construiu uma universidade–  que autoriza a aposta na capacidade do MST  reinventar  uma agenda hoje abafada  no debate do desenvolvimento brasileiro: a reforma agrária do século XXI.

Uma pedaço dessa travessia passa, por certo, pelo desafio de reinscrever  a reforma agrária em um modelo de desenvolvimento que pavimente  um futuro capaz de produzir justiça social e preservar os recursos que formam a base da vida na terra.

A escolha do ‘decrescimento’, abraçada, entre outros, pelo neoecologista,  ou econeoliberal, André Lara Resende, está longe de ser a resposta para essa dupla transição (leia o artigo de Vicenç Navarro, ‘Os erros da tese do decrescimento econômico’; nesta pág.). 

O problema não é de contabilidade malthusiana, mas de escolhas políticas que condicionarão  as formas de viver e de produzir  em nosso tempo.

Em síntese:  quem controlará a máquina do desenvolvimento;  quem decidirá como crescer, para quê  e  para quem?

Não se trata apenas de contemplar a emergência de um  desequilíbrio ambiental que frequenta nossas janelas  em marcha batida amedrontadora.

O economista Dan Rodrik , em artigo recente, lembra, ademais, que o avanço tecnológico limitará progressivamente a capacidade da indústria de absorver a mão de obra disponível nas cidades.  “Será impossível, para a próxima geração de países industrializados”, diz ele, “deslocar 25% ou  mais de sua força de trabalho para atividades de manufatura, como fizeram as economias do Leste Asiático” (a China em especial)”.

Isso não deprecia a importância da industrialização na matriz do desenvolvimento. 
Ao contrário.

Ela continuará sendo a principal usina irradiadora de produtividade em um sistema econômico sofisticado, como o do Brasil.  Mas retira do setor a competência para gerar os empregos que a sociedade continuará a demandar.

 O conjunto dilata o horizonte daquilo que hoje se convenciona chamar  ‘economia de serviços’.

É nessa transição tecnológica e conceitual que a reforma agrária do século XXI terá que reencontrar sua relevância para não morrer –ou talvez seja mais adequado dizer, renascer— no imaginário da sociedade.

Não se trata de validar miragens de uma idílica volta ao campo. Não há volta na roda da história.

A economia rural também se sofisticou tecnologicamente, em velocidade talvez até superior à industrial , nos últimos 20 anos –período no qual a incorporação agrícola de novas áreas no Brasil cresceu 40% , enquanto  o volume da colheita de grãos saltou 220%.

Mesmo em projetos comerciais de  base orgânica, a atividade rural será cada vez mais poupadora de braços.

O  sentido a recuperar, portanto, não se restringe a esfera produtiva, em que pese a exaltação conservadora  de uma eficiência graneleira nunca escrutinada  em seu custo social e ecológico.

Não por acaso, registre-se, o Brasil figura como a nação mais urbanizada entre os gigantes do planeta, com 85% da população nas cidades.
Trezentos e oitenta anos de escravidão, uma abolição sem partilha da terra e uma ditadura que, em menos de três décadas, promoveu a transição rural/urbana que nações ricas levaram um século para completar, explicam muito do presente  ‘caos urbano’, cujos  propagadores preferem não debater as origens remotas,nem recentes.

Quem o faz, ainda, é o MST.

Sua presença incômoda estende o fio da memória entre  o golpe de 64, ‘contra a agitação no campo’, e a caixa de Pandora que o torniquete  civil-militar  instalou nas periferias conflagradas  das  metrópoles –e mesmo fora delas. 

Cinquenta anos passados, cabe inaugurar um novo mirante para  rastrear o futuro que existe além da dimensão exclusivamente  produtiva da reforma agrária enfatizada nos anos 60.

Que continuará a existir,  ressalte-se.

Sobretudo em projetos cooperativistas, vinculados a compras públicas de alimentos –caso, hoje,  de 30% da merenda escolar e do Programa de Aquisição da Alimentos,  exportado como ferramenta de combate à fome em de fomento à agricultura familiar para a AL e África.

O  chave do novo horizonte  agrário  certamente passa pelo tema ambiental.

O governo ensaiou uma resposta nessa direção com os projetos de assentamentos agroflorestais.

Mas sem atribuir-lhes, ainda,  a centralidade de uma diretriz estratégica.

As imbricações  entre a questão agrária e a urgência climática padecem, ademais, de uma quase uniforme negligência no debate programático da frente progressista que apoia o governo.

Talvez não seja um mero acaso.

Talvez sejam agendas gêmeas, indecifráveis  de fato enquanto mantidas  dissociadas ou  apenas vinculadas de forma ornamental nas prioridades de Estado.

Uma,  remanescente do século 19; a outra, contemporânea da exacerbação capitalista em nossos dias.

Juntas, ao lado de outras, aguardam o desassombro de um protagonista político, capaz de arrastar tempos históricos distintos, dando-lhes a coerência impensável fora de uma agenda transformadora.

Não é pouco, como se vê,  o que desafia o MST a se reinventar, junto com o seu objeto, num momento em que ambos, reconheça-se,  foram desidratados pela universalização das políticas sociais de combate à fome e a miséria, no campo e nas cidades.

Mas é isso que o faz necessário.

E, indispensável, se for capaz de  sacudir  e romper as trancas que isolam o mundo rural –e a natureza–  do debate  sobre o novo ciclo de desenvolvimento do país.

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A necessidade de uma bandeira política de massas

Povo nas ruas
Segue abaixo o editorial do Brasil de Fato desta semana. Ótima leitura.
Abraços
—-
A imprensa conservadora aproveita para explorar erros primários como a queima do fusquinha de um trabalhador durante uma manifestação ou a trágica morte do cinegrafista da Band para desconstruir no imaginário popular esta importante herança das manifestações de junho, ou seja, a legitimidade das lutas sociais. Pequenos grupos sem programa e bandeira política, com suas ações supostamente radicais, têm atraído a simpatia de jovens que participaram das manifestações de junho.
14/02/2014
Editorial da Edição 572 do Jornal Brasil
A trágica morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, atingido por um rojão na cabeça enquanto registrava uma manifestação no Rio de Janeiro, suscita uma justa onda de solidariedade em todo o Brasil. Ao mesmo tempo, a tragédia nos possibilita qualificar o debate sobre as tarefas políticas e as formas de luta adequadas para as forças populares nesse momento histórico.
As manifestações de junho, além de possibilitar a elevação da disposição para a luta na sociedade, também abriram espaço para a legitimação da luta popular. Esse patrimônio está em risco. Isto porque ações desastradas e sem o mínimo de preparo têm marcado as manifestações pós-junho de 2013. A banalização da ação direta e o recurso à violência muito mais como um fetiche “radicaloide” do que como necessidade real da luta política está abrindo espaço para estreitar as margens para o livre exercício do direito de manifestação.
A imprensa conservadora aproveita para explorar erros primários como a queima do fusquinha de um trabalhador durante uma manifestação ou a trágica morte do cinegrafista da Band para desconstruir no imaginário popular esta importante herança das manifestações de junho, ou seja, a legitimidade das lutas sociais. Pequenos grupos sem programa e bandeira política, com suas ações supostamente radicais, têm atraído a simpatia de jovens que participaram das manifestações de junho.
Todo povo tem o direito de usar o recurso da violência para a defesa de sua soberania nacional. Nas sociedades democráticas de massas o recurso à violência por parte das forças populares deve ocorrer em última instância e como uma reação às agressões dos inimigos do povo. Cair em provocações das forças de repressão e cultivar a banalização da violência nas manifestações afasta a classe trabalhadora dos atos de rua. A direita se aproveita das ações violentas e desastradas de pequenos grupos para pedir mais repressão.
Aliás, a ação dos Black Bloc’s no Brasil é um fenômeno típico de uma sociedade que está em transição para a retomada das lutas de massas. Há uma crise na esquerda brasileira. E o sintoma disso é que grande parte da juventude ainda não tem referência organizativa.
No momento em que ocorrer a convergência da jovem classe trabalhadora e da juventude com o programa histórico das forças populares, tendo como síntese uma bandeira política de massas, certamente o fenômeno Black Bloc perderá espaço na sociedade.
O desafio fundamental reside na necessidade de um programa e de uma bandeira política de massas que seja polo aglutinador na sociedade. As forças populares precisam urgentemente atravessar esse rubicão. Caso contrário, perderemos o tempo político e uma onda conservadora poderá varrer nosso país. O momento é propício para avançarmos no desafio da bandeira política.
O MST passa pelo seu VI Congresso Nacional e se revigora para seguir em luta. A bandeira política da constituinte para reformar o sistema político tem um enorme potencial diante da crise por que passa sociedade brasileira.

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Snowden envia Carta ao Povo Brasileiro

Snowden, disparado, é a personalidade política do ano de 2013. Responsável por concretizar algo que todo mundo imaginava, mas não havia provas, até então. Pelo menos com tantos detalhes.

E renova o flanco na luta anti-imperialista e contra a espionagem.

Vi a carta traduzida na Folha de São Paulo e compartilho abaixo.

CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL

EDWARD SNOWDEN
Snowden

Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.
Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.
Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.
Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!
Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.
A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.
Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.
A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.
Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.
Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”
Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.
Tradução de CLARA ALLAIN

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E, de repente, a Venezuela desaparece da grande mídia!

Boa sacada do Max Altman. Vi no sítio da Revista Fórum (Link) e reproduzo aqui. São boas as notícias e a revolução segue na Venezuela!
Presidente Nicolás Maduro

Notaram que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa?

Por Max Altman
Crucial vitória de Nicolás Maduro, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e da Revolução Socialista Bolivariana; contundente derrota de Henrique Capriles, da MUD e dos setores golpistas de oposição; agora a atacar e resolver os problemas da economia e avançar nas conquistas sociais.
“Dedicaram-se, durante todo o ano de 2013 e, principalmente, após a morte de Chávez, a sabotar a economia, a sabotar o sistema elétrico, à desestabilização, ao caos, à guerra psicológica. Trataram de converter eleições municipais em plebiscito. E o que ocorreu: o triunfo da Revolução Socialista Bolivariana derrotou os planos golpistas da direita.”  Nicolás Maduro
Notaram, meus caros amigos e amigas, que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa quando antes do 8 de dezembro enchiam suas páginas vaticinando a ‘débâcle’ do governo Maduro pelos inúmeros enviados especiais e correspondentes?
Disseram que era um plebiscito e foram com tudo. Os oligarcas são sempre insolentes. Ainda mais se são apoiados pelos Estados Unidos. Contavam que o empurrão definitivo para derrocar Maduro viria com o 8 de dezembro. Estavam cuidando dessa tarefa fazia meses. Remarcação de preços de todos os produtos muito acima da inflação, provocando desespero na população, desabastecimento induzido, sabotagem elétrica, açambarcamento, insegurança. (E mais erros do próprio governo, que as manchetes gritantes dos jornais, rádios e televisão punham em evidência). O mesmo cenário que se havia preparado para Salvador Allende antes do golpe de 1973. Desde os Estados Unidos, Roger Noriega escreveu e descreveu a tese do colapso total, que seria arrematado oportunamente, quando a situação ficasse insustentável, pelo exército norte-americano. Que a Venezuela tem demasiado petróleo. Parte importante da oposição estava de pleno acordo com esse roteiro. Por fim, o chavismo aniquilado. Fim do pesadelo. Malditos vermelhos.

Disseram que as eleições eram um plebiscito. E estavam disso plenamente convencidos. E o repetiram El País,  ABC,  El Mundo, Clarín, The New Yor Times, Newsweek, a CNN, Fox News, RAI, Excelsior, Miami Heral, Folha de S. Paulo, O Globo, TV Globo, o Estado de S. Paulo… Todavia eram apenas eleições municipais, com suas características próprias, conhecidas em todo o mundo político. Apresentavam-se candidatos a prefeito, vereador que iriam dar conta da prestação de serviços, asfaltamento de ruas, tráfego, varrição de lixo …, coisas de município. Mas que importância tinha tudo isso? Para que perder a ocasião? Eram as primeiras eleições municipais sem Chávez. Disseram que eram mais que urnas municipais, que o chavismo sem Chávez estava ferido de morte, que o ilegítimo e incompetente Maduro ganhara a presidencial por diferença mínima e por meio de fraude, e que agora sim, agora teria que abandonar o Palácio Miraflores, por bem ou expulso pela força. Ah, se resistisse por que não envolto num saco de lona.
Porém eis o que o povo falou:

Fonte: www.aporrea.org (Clique na imagem para ampliá-la)

Comparecimento nacional de 58.92%. (Recorde nacional em eleições similares. Na Venezuela o voto não é obrigatório.)
1. As 335 prefeituras ficaram assim distribuídas:
242 (72,24%) para o PSUV e aliados;
75 (22,32%) para a MUD e aliados;
18 (5,44%) para independentes.
2. Das 40 cidades mais populosas, o PSUV ganhou em 30.
3. Das 25 capitais, o PSUV conquistou 15 e a MUD 10. Se a oposição venceu em Barinas, capital do estado Barinas, governado pelo irmão de Chávez, Adan Chávez – o que foi intensamente alardeado – a Revolução conquistou Los Teques, Guaicaipuro, estado Miranda, gobernado por Capriles – o que foi escondido.
4. PSUV e aliados obtiveram um total nacional de 5.277.491 votos; a MUD e aliados, 4.423.897. Diferença: 853.594 votos. (Cumpre lembrar que a diferença a favor de Maduro nas eleições presidenciais foi de cerca de 230 mil votos ou 1,6%.).
5. Se levarmos em conta apenas os votos da Revolução e da Oposição teremos, respectivamente, 54,40% e 46,60. (Vale destacar, por exemplo, que entre as agremiações políticas que concorreram independentemente está o Partido Comunista, firme aliado da Revolução, e que obteve 9 prefeituras, sendo 2 sem aliança, e cerca de 1,6% dos votos ou cerca de  175 mil votos. Se acrescentarmos somente esses votos à Revolução, a diferença ultrapassa os 10 pontos percentuais.)
6. No Estado Miranda, governado pelo líder da oposição, Henrique Capriles, o Psuv e aliados obtiveram 560.826 votos (52,1%) contra 514.796 votos (47,9%)  da Mud e aliados.
Votação nas capitais:
Município Libertador Distrito Capital (1.625.151 eleitores)
Jorge Rodríguez – Psuv  –  54,55
Ismael Garcia – Mud  –  43,34%
Município Bolívar, Estado Anzoategui  (85.764)
Guillermo Martínez –  Psuv  –  84,63%
Olga Azuaje – Mud  –  14,39%
Município San Fernando; Estado Apure (109.817)
Ofelia Padrón –  Psuv  –  65,27%
Yadala Abouhamud – Mud  –  32,19%
Município Girardot, Estado Aragua (341.979)
Pedro Bastidas –  Psuv  –  51,55%
Tonny Real – Mud  –  45,89%
Município Barinas, Estado Barinas  (224.115)
Machin Machin – Mud  –  50,44%
Edgardo Ramirez – Psuv  –  48,58%
Município Heres, Estado Bolívar  (224.297)
Sergio Hernández – Psuv  –  47,25%
Victor Fuenmayor – Mud  –  40,92%
Município Valencia, Estado Carabobo  (578.193)
Michele Cochiola – Mud  –  54,24%
Miguel Flores – Psuv  –  44,28%
Município Ezequiel Zamora,  Estado Cojedes  (71.330)
Pablo Rodríguez – Psuv  –  54,68%
Ramon Moncada – Mud  –  36,62%
Município Tucupita, Estado  Delta Amacuro (63.649)
Alexis Gonzalez – Psuv  –  54,38%
Maria Mercano – Mud  –  33,30%
Município Iribarren, Estado Lara  (682.682)
Alfredo Ramos – Mud  –  52,41%
Luis Bohorquez – Psuv  –  46,04%
Município Libertador, Estado Mérida  (168.040)
Carlos García –  Mud  –  63,82%
Maria Castillo – Psuv  –  33,49%
Município Guaicaipuro, Estado Miranda  (191.070)
Francisco Garcés –  Psuv  –  52,21%
Romulo Harrera – Mud  –  45,89%
Município Arismendi, Estado Nueva Esparta  (21.262)
Richard Fermín – Mud  –  48,20%
Luiz Dias – Psuv  –  44,38%
Município Guanare, Estado Portuguesa  (124.094)
Rafael Calles – Psuv  –  70,76
Francisco Mora – Mud  –  23,97%
Município Sucre, Estado Sucre (241.194)
David Velásquez – Psuv  –  54,71%
Robert Alcalá – Mud  –  42,35%
Município San Cristóbal, Estado Tachira  (208.183)
Daniel Ceballos – Mud  –  67,67%
Jose Zambrano – Psuv  –  29,42%
MunicípioTrujillo, Estado Trujillo  (43.027)
Luz Castillo – Psuv  –  53,16%
Luis Briceño – Mud  –  40,18%
Município San Felipe, Estado Yaracuy  (69.258)
Alex Sánchez – Psuv  –  49,68%
Jose Reyes – Mud  –  46,79%
Município Vargas, Estado Vargas  (265.837)
Carlos Alcalá Cordones – Psuv  –  53,92%
Fabiola Colmenares – Mud  –  37,99%
Município Maracaibo, Estado Zulia  (944.129)
Eveling de Rosales – Mud  –  51,74%
Perez Pirela – Psuv  –  46,64%
Município Metropolitano,  Alcaldia Mteropolitana  (2.474.833)
Antonio Ledezma – Mud  –  51,28%
Ernesto Villegas – Psuv  –  47,22%
Município Atures, Estado Amazonas  (72.005)
Adriano Gonzalex – Mud  –  49,57%
Delmis Bastidas – Psuv  –  46,78%
Município Maturin, Estado Monagas  (338.694)
Warner Jimenez – Mud  –  38,63
Jose Maicovares – Psuv  –  37,26%
Município Miranda, Estado Falcón  (138.895)
Pablo Acosta – Psuv  –  47,97%
Victor Jurado – Mud  –  46,87%
Município Roscio, Estado Guarico  (86.493)
Gustavo Mendes – Psuv  –  49,88%
Douglas Gonzalez – Mud  –  48,22%
Dados do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela

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Uma homenagem a Ricardo Brindeiro

Ricardo Brindeiro
Na semana passada fui surpreendido com a notícia da morte do companheiro Ricardo Brindeiro. Com pouco contato, principalmente desde que vim morar em Petrolina, Ricardo é daqueles que admiro à distância. Grande lutador de nosso povo. Deixo abaixo um texto do Alder Júlio e um grande abraço para Ana Gusmão, Matheus, familiares e amigxs.


RICARDO BRINDEIRO, UM MILITANTE AMOROSO
 
Alder Júlio Ferreira Calado
 
 
Ricardo Brindeiro segue vivo entre nós, após sua grande viagem à Casa do Pai/Mãe, em cujos braços é acolhido, e com a festiva recepção de tanta gente querida que nos precedeu: Dom Oscar Romero, Dom Helder (que lhe ministrou as primeiras ordens menores), Margarida Maria Alves, Pe. José Comblin, Éliton Santana e tantas outras figuras venerandas.
 
Partiu, em sua grande viagem, aos seus densamente bem vividos 61 anos, ele que nasceu, em Recife, no dia 15 de agosto de 1952, numa família católica de classe média. Desde cedo, já revelava sinais de seu apreço à liberdade e de seu amor às pessoas, em especial aos pobres.
 
Em tenra juventude, experimentou um duplo apelo: à militância e à mística. Uma militância multiforme: nas pastorais sociais, no movimento estudantil, na política partidária, nos movimentos populares, nas organizações de base de nossa sociedade. De início, engajou-se em grupos de jovens da Igreja Católica. Depois, na militância estudantil universitária, em seu curso de Arquitetura, na UFPE, apoiando ou participando de campanhas de chapas do DCE.
 
Quanto ao apelo à mística, antes mesmo de sua tocante experiência de estudos no ITER (Instituto de Teologia do Recife), passa por uma repentina aventura: sem nada dizer em casa, põe-se a viajar mundo afora, indo parar em Óbidos – PA, em busca de uma experiência num Seminário franciscano. Durou pouco tempo. Mais tarde, quis vivenciar uma experiência ecumênica, tendo sido acolhido pelo conhecido monge Michel Bergman e demais irmãos na Comunidade de Taizé, em Alagoinhas, na Bahia. Tempo de fecundo encontro com Deus, nos irmãos. Aí também chegou a contribuir como arquiteto, projetando a capela desta Comunidade.
 
Foi, porém, no Instituto de Teologia do Recife (ITER), onde vem a ter o auge de sua experiência de formação teológica, tendo sido inspirado por figuras docentes como Humberto Plummen, René Guerre, Ivone Gebara, Sebastião Armando, Eduardo Hoornaert, Marcelo Augusto, além de tantos colegas de ITER espalhados por esse Nordeste, inclusive aqui em João Pessoa, a exemplo do Pe. Antônio Paulo Cabral de Melo.
 
Estudando no ITER, não abriu mão de morar e trabalhar intensamente com a Comunidade da Favela Brasília Teimosa, onde, pela imposição das mãos de Dom Helder, chegou a receber as Ordens Menores, tendo depois decidido seguir outras trilhas de militância junto ao povo dos pobres.
 
Vivia-se, no Brasil, um período de intensa efervescência dos movimentos populares, na qual a chamada “Igreja na Base” tinha um lugar de destaque, seja pela densa atuação das CEBs, das pastorais sociais (CIMI, Pastoral da Terra, Pastoral Operária, Pastoral da Juventude do Meio Popular e outras), do CEBI. Duas participações de Ricardo aí merecem destaque: sua contribuição, na área musical, no processo de elaboração do Ofício das Comunidades e de outros cantos litúrgicos, com Pe. Reginaldo Veloso e o o pessoal do Morro da Conceição. Também, ele conta com entusiasmo sua participação ao lado de várias figuras que atuaram na famosa Missa dos Quilombos, em começos dos anos 80.
 
Nessa época, também, juntamente com todo o povo dos pobres da Arquidiocese de Olinda e Recife, viveu tempos sombrios, logo após a resignação (aposentadoria) de Dom Helder, no augre da perseguição à “Igreja dos Pobres”, comandada pelo Vaticano. Para suceder a Dom Helder, o Vaticano nomeia Dom José Cardoso. Este arcebispo não tardou em comandar a vasta operação de desmonte, punindo, expulsando e substituindo os agentes de pastoral que animavam, à luz da Teologia da Libertação, a caminhada do Povo de Deus, naquela arquidiocese.
Uma dessas medidas punitivas voltou-se contra a Comunidade do Morro da Conceição, animada pelo Pe Reginaldo Veloso. Este também foi substituído. A comunidade reage à destituição de Pe. Reginaldo e à sua substituição pelo Pe. Constante. Com o propósito de “tomar posse”, o novo vigário pede a chave da Matriz, guardada pelo povo. O povo se reúne, faz uma manifestação, na qual também Ricardo estava presente, e até compôs uma música de resistência, tematizando o sentido de chave. O estribilho da música dizia:: “A chave, a chave / A chave eu não dou / A chave é de Pedro / Que é pescador.” A propósito,  lembra o Pe. Paulo Cabral que “No processo de reintegração de posse, movido pela arquidiocese, o oficial de justiça, com todo o respaldo policial, quebra os cadeados e abre a Igreja.”
 
Recém-casado com Ana Gusmão, após um período de trabalho de Ricardo junto à FASE, decide o jovem casal vir fazer uma experiência missionária em João Pessoa, a convite dos Missionários Mazzianos, no Alto do Mateus, no final dos anos 80, com a mediação de Pe. Robson, e com a entusiástica acolhida da Comunidade Mazziana, animada por figuras muito queridas, entre as quais o Pe. Carlos Avanzi, o Pe. Dario Vaona, o Pe. Lorenzo e as Religiosas da mesma Congregação.
 
Na companhia da comunidade mazziana, ele e Aninha passam a animar várias atividades educativas, em especial o Projeto de Educação Popular“Beira da Linha”, desenvolvendo uma série de atividades educativas com as crianças, adolescentes e jovens do bairro: desde teatro, música a outras atividades pedagógicas, sempre numa perspectiva de formação da consciência cidadã.
 
Graças a essas atividades com a moçada do bairro, inclusive por meio de distintas iniciativas lúdicas – quantos milagres fez Ricardo com seu violão e suas paródias! – vai brotando uma nova consciência na comunidade, de modo a despertar um fecundo sentimento de protagonismo, inclusive no plano político. Várias ações, vários atos públicos foram então realizados, por melhorias concretas das condições de vida daquela comunidade.
 
Por esse tempo, Ricardo contribuiu ativamente nos debates e iniciativas relativas ao Estatuto da Criança e do Adolescente, contribuiu com o Centro de Direitos Humanos Margarida Maria Alves, do qual foi presidente. Militante do PT, chegou a candidatar-se a Vereador. E, sobretudo, tornou-se o principal ícone em sucessivas manifestações e atos públicos realizados pelos movimentos sociais, pelas pastorais e pelas organizações de base de nossa sociedade, animando com suas canções, com seu violão, com suas palavras de orem…
 
Nos últimos anos, como membro da assessoria do Mandato do Dep. Luiz Couto, do PT, ocupou o melhor do seu tempo colaborando com qualidade com as reuniões e debates dos movimentos sociais, em especial a Consulta Popular, a Assembléia Popualr, de cujas reuniões e encontros era dos mais assíduos, ora ajudando a construir o Grito dos Excluídos e Excluídas, ora participando de comissões de organização, etc. Nesse sentido, entendo a ação de Ricardo Brindeiro como a de um intelectual orgânico a serviço dos “de baixo”, em especial em sua atuação na prática prática.
 
Homem de fé que, desde sua humilde e espontânea disposição em se nos apresentar, primeiro, como pecador,  não hesita em explicitar sua fé, ao seu modo (com fome diária de Eucaristia, assíduo exercício das leituras do dia, inclusive em seu período de grande provação), estava sempre disponível para participar dos encontros do Movimento Fé e Política e de tantas atividades das CEBs e da “Igreja na Base”. Fez também parte do Conselho de Justiça e Paz, criado por Dom Marcelo Carvalheira, na Arquidiocese da Paraíba.
 
Merece destaque sua participação no Grupo Kairós/Nós Também Somos Igreja, grupo iniciado por inspiração do Pe. José Comblin, desde 1998, e que já há vários anos, se reúne semanalmente na UFPB, do qual Ricardo foi um dos membros mais assíduos, a debater temas delicados de conjuntura eclesial, textos de teólogos e teólogas da Libertação, etc.
 
Para quem não o conhecia de perto, talvez tenha sido surpresa a densa festa de alegria e esperança em que se transformou seu velório, celebrado tanto em Recife (dia 3/12, dia de sua páscoa definitiva) quanto no Alto do Mateus (em João Pessoa, dia 4/12). Aqui, na Igreja de São Mateus, a comunidade do Alto se fazia presente com muita força. Também amigos e amigas tantas de outros bairros, de outros municípios, de outros Estados. Presentes sua esposa Ana, seus filhos Mateus e Francisco. Não bastassem os depoimentos e testemunhos de tanta gente, como esquecer o testemunho prestado pelo seu filho Mateus, de 25 anos, a expressar o rico legado do pai, fundado na pedagogia do exemplo e da amorosidade, manifesta inclusive nos momentos de dar bronca nos filhos. Antes de nos dizer qualquer coisa, tomava seu violão, tocava/cantava uma música, olhava para nós e nos falava o que tinha a nos dizer.
 
Também não me foi surpresa a mensagem recebida de Pe. Reginaldo Veloso, hoje, dia 6/12, dando conta de que “Ricardo Brindeiro e Madiga, Nelson Mandela são os grandes sinais de Natal deste ano de 2013.” Sentimento que fazemos nosso!
 
Com seu jeito amoroso de ser e de militar, Ricardo se torna figura emblemática de militante de um novo tipo. Distanciando-se daquele perfil sisudo e enrijecido, Ricardo testemunhava sinais de bondade, abertura, amorosidade a temperar sua vida de profundo compromisso com a causa libertadora do povo dos pobres, na pespectiva do Seguimento de Jesus.
 
Obrigado, Ricardo! Você segue vivo e presente a nos inspirar práticas de amorosidade com o Planeta, com os humanos e com toda a comunidade de viventes, pelas trilhas do Reinado de Deus!
 
João Pessoa, 6 dezembro de 2013.

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Honduras y un fraude que exige urgente respuesta

por Carlos Aznárez


Era mundialmente conocido que durante los últimos meses, todas las encuestas, inclusive las de la oposición mostraban que el triunfo de la candidata del Partido Libre era irreversible. Xiomara Castro, acompañada por verdaderas movilizaciones multitudinarias había recorrido el país y a su paso no sólo recibía el júbilo clamoroso de sus seguidores, sino todo tipo de improperios por parte de la derecha oficialista. Estos últimos gestos respondían, sin duda, a la contundencia del apoyo popular para el Partido Libre, que prácticamente aseguraban su triunfo.

Sin embargo, las previsiones de fraude no dejaban de ser una amenaza. Lo recordaban ayer mismo varios de los observadores internacionales que con el correr de las horas y al ver que el Tribunal Supremo Electoral (TSE) ocultaba miles de actas y consagraban “manu militari” el triunfo al candidato oligárquico Juan Orlando Hernández,  se desesperaban para investigar en qué “Tríangulo de las Bermudas” habían desaparecido esas decenas de miles de votos para Xiomara que cada uno de los fiscales de Libre habían visto en el conteo urna por urna. Incluso, otro de los candidatos, Salvador Nasrala, del Partido Anti-Corrupción, ya ha anunciado su desconocimiento de los resultados emitidos por el TSE, debido a lo descarado del fraude existente.

El gran problema ha residido, y ahora lo reconocen algunos dirigentes de Libre, es haber tenido la ingenuidad de reconocer de antemano a este TSE, cuyos integrantes son los mismos que avalaron el golpe militar de 2009. Se pecó indudablemente de cierta ingenuidad, al creer que quienes durante estos años generaron un golpe de Estado, masacraron al campesinado del Aguán, ampararon el asesinato de periodistas y encarcelaron a miles de hondureños, podían organizar un acto electoral para ser finalmente derrotados. La burguesía no se suicida, y sólo puede ser jaqueada a través de la movilización popular.  Alli reside una de estas contradicciones que casi siempre generan estas democracias no representativas y mucho menos participativas: imponer instituciones amañadas y corruptas, integradas por jueces o funcionarios venales que cumplen a la perfección la consigna de salvar al capitalismo y avalar la represión que sea necesaria para imponer sus designios. 

Fue precisamente ese TSE el que está dando a conocer resultados en los que la gran mayoría del pueblo no cree. Y eso ocurre así, porque el sistema hondureño, ese mismo que en su momento fue “perdonado” injustamente por la gran mayoría de los países latinoamericanos para que vuelva a los foros continentales, dándole la espalda a la heroica Resistencia Popular, no va a ceder ni un ápice frente a quienes desean que se produzcan cambios profundos.

Xiomara Castro ha ganado las elecciones, sin duda, (con una ventaja de alrededor de 5 puntos sobre el oficialismo) pero ocurre que la derecha oligárquica y golpista maneja todos los resortes del poder (ejecutivo, legislativo, judicial, mediático) y puede darse el gusto de generar esta perversa contradicción: la victoria obtenida en las urnas se ha perdido en el escrutinio. No es muy distinto a lo que le ocurrió en dos oportunidades a los seguidores de Andrés López Obrador en México, y ese ejemplo marca también algunas enseñanzas. Lo que se pierde en el fraude comicial es necesario ganarlo en la calle, y sin pérdida de tiempo. Ya lo expresó el referente del Frente Nacional de la Resistencia Popular y del partido Libre, Juan Barahona: “No nos vamos a quedar con los brazos cruzados y si nos roban el triunfo, volveremos a lo que hemos hecho siempre, resistir, resistir y resistir en las calles hondureñas”.

Xiomara Castro ha ganado y el actual momento no parece que se pueda resolver sólo con denuncias ni con conferencias de prensa, bajo el riesgo de defraudar a quienes tanto han luchado desde aquellas jornadas inolvidables de 2009. Se hace necesario antes que nada preservar la unidad alrededor de  Libre, y por otro lado, que su dirigencia  reconduzca rápidamente el proceso y dé señales claras a nivel nacional e internacional de que está dispuesta a no dejar pasar este nuevo robo a la voluntad mayoritaria de su pueblo. Si se cierran las puertas de la legalidad pseudo democrática, si se trata de imponer una victoria continuista con el desparpajo de manejar un Tribunal fraudulento, al pueblo hondureño no le va a quedar otro camino que la confrontación directa con sus enemigos de clase. Doloroso pero cierto por todas las consecuencias que ello acarrea. Pero hay circunstancias de los pueblos en las que seguir poniendo “la otra mejilla” significa prolongar la agonía.

Lo ocurrido este domingo en Honduras es algo bien sabido pero que constantemente se repite para desgracia de los pueblos: las llamadas democracias “formales” representan una maquinaria para sostener las sacrosantas instituciones del capitalismo. Para llevarlo a cabo apelan a fraudes escandalosos, como en este caso, o utilizan la prepotencia policial-militar si fuera necesario, como ocurriera en la misma Honduras en otras oportunidades. 

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Defender Joaquim Barbosa: ingenuidade ou má fé mesmo

Foto do Portali9
Aécio Neves e Antônio Anastasia (PSDB) premiando o amigo Joaquim Barbosa.
Que Joaquim Barbosa é arrogante e prepotente ninguém pode negar,certo? Mas o que tem chamado a atenção, desde que pipocou com força questões relacionadas ao julgamento da AP 470, o do suposto mensalão, é a forçosa tentativa de transformá-lo num herói orquestrada e tocada pela grande imprensa e que se reflete em um ou outro por aí.
Grande exemplo disto que falei foi a campanha extensa para popularizar a máscara do Joaquim Barbosa durante o carnaval de 2013. E a verdade é que foi um verdadeiro FRACASSO. Rodei por todo o carnaval de Olinda e Recife em alguns dias e não vi NENHUMA máscara dele. Amigos daqui e de outros estados, como o Rio de Janeiro, fizeram referências parecidas.
Até publiquei aqui no blog, no dia 11/02/13, um comentário especificamente sobre isso que pode ser acessado no link que segue:
A “novidade” agora é toda a notoriedade que buscou conquistar com a prisão de alguns dos envolvidos no julgamento. Não tenho dúvidas de que a história mostrará todos os interesses envolvidos neste processo.
Joaquim Barbosa sendo carinhoso com algum jornalista
O fato é que denúncias recaem sobre este senhor, mas a grande mídia e representantes da direita brasileira fingem ignorar e continuam a propalar a imagem do ‘herói”. Para mim cabem duas possibilidades nesta situação:
Ou estamos falando de ingenuidade verdadeira ou de má fé. Não há como ser diferente.
Transcrevo abaixo uma postagem de Stanley Burburinho sobre o Joaquim Barbosa:

1 – Dia 10/05/2012: Joaquim Barbosa divulga relatório do mensalão – http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/manchetes-anteriores/joaquim-barbosa-divulga-relatorio-do-mensalao/

2 – No mesmo dia 10/05/2012, Joaquim Barbosa abre em Miami a empresa Assas JB Corp, que ele se declarou presidente, o que é proibido por lei, e deu o endereço de contato o endereço do apartamento funcional do STF que nóspagamos. Isto é, ele terá lucro com a empresa de Miami usando recursos da União sem pagar por isso. Veja aqui o documento oficial do Estado da Flórida sobre a empresa: http://search.sunbiz.org/Inquiry/CorporationSearch/SearchResultDetail/EntityName/domp-p12000044121-42bd6d68-4e0e-4a63-978a-29d568f74b86/Assas%20JB%20Corp/Page1


3 – No dia 14/05/2012, 4 dias depois de Joaquim Barbosa anunciar o relatório do “mensalão” e abrir a empresa, ele compra um apartamento em Miami avaliado em R$ 1 milhão, mas segundo o cartório de lá, ele só pagou US$10(dez dólares). Veja o documento oficila do cartório de Miami- http://ocafezinho.com/wp-content/uploads/2013/07/ScreenHunter_2132-Jul.-22-16.37.jpg

4 – Joaquim Barbosa disse na imprensa que não dará explicações sobre a tal empresa em Miami nem sobre o apartamento nem como enviou os US$ para pagar o apartamento.


Mas será que veremos isso na grande mídia ou nos perfis da direita em nosso país? Dificilmente.
Cabe ao PT, a despeito da correlação de forças ainda díficil em nossa sociedade e dentro do governo, saber encarar esta grande mídia. E não é um discurso esquerdista. Basta escutar pessoas como o Franklin Martins e pôr limite em gente como Paulo Bernardo. Não é tarefa simples. O que não dá é para continuar desta maneira.

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FAZENDA MILANO: da Glória ao fracasso da execução judicial

Segue abaixo importante texto de Jaime Amorim, dirigente do MST, sobre a ocupação da Fazenda Milano em Santa Maria da Boa Vista – PE.

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No ultimo dia 23 de outubro 1.500 famílias ocuparam a fazenda Milano no município de Santa Maria da Boa Vista de mais de 2.200 Hectares de Propriedade de uma empresa do Sr  José Gualberto, que também é vice Prefeito do município. Desde a ocupação, o diretor proprietário  e gerente da Empresa vêm tentando politizar o fato da ocupação, tentando convencer a sociedade de que as famílias acampadas e o MST ocuparam a sua fazenda como uma ação politica eleitoral. Ora, ele sabe como também informamos a prefeita, que a ocupação estava para ser realizada em abril, mas adiamos justamente para não se configurar como uma ação eleitoral ou que pudesse atrapalhar o processo conturbado que foi as eleição suplementar  do município. Lembrando nas eleições de 2012, Gualberto foi candidato a prefeito e foi derrotado, a eleição foi anulada e  em uma nova configuração de alianças partidária, ele foi candidato a vice  da prefeita que venceu as eleições.

A Fazenda Milano, esta localizada as margens da estrada da Reforma Agrária  onde há uma área de concentração de assentamentos as margens do Rio São Francisco. Nesta região algumas fazendas que também já foram importantes, como empresa agropecuária, faliram e foram desapropriadas  e hoje são assentamentos da Reforma Agrária, como: a fazenda Safra da Etti, a Fazenda Varig, da Varig, a fazenda Ouro Verde, dos japonês; a fazenda Catalunha da OAS, a fazenda Brilhante, da agropecuária brilhante entre outras.  Neste processo a fazenda Milano, localizada no centro da estrada da reforma agrária. sempre serviu como base de apoio da reação conservadora contrária à reforma agrária.

Em Agosto de 1995, quando foi realizada a ocupação da fazenda safra, com 2.204, a primeira ocupação desta região e a maior ocupação realizada no estado de Pernambuco, a fazenda Milano contratou um grupo de pistoleiros bem armados e estruturado coordenado, pelo famoso matador muito conhecido na região chamado de “Exú”, para combater as ocupações, e eliminar lideranças do movimento. No entanto a ocupação da Safra foi vitoriosa e  em função do forte conflito na região o INCRA acelerou o processo de desapropriação das fazendas e empresas improdutivas, para assentamentos das famílias acampadas. Hoje na estrada da Reforma Agrária, estão assentadas mais de 2.500 famílias, e Santa Maria da Boa Vista é o município do estado com mais famílias assentadas.
A fazenda Milano já teve sua importância, nos “tempos de glória” do dinheiro fácil  do FINOR, da SUDENE, e das facilidades de financiamento do fundo constitucional do Nordeste gerenciado pelo BNB. Neste período, com as facilidades  de financiamentos públicos, a fazenda Milano viveu a nostalgia de ser uma empresa de ponta, como produtora de uva. O vinho Botticelli era apresentado como resultado da grande riqueza produzida nessa região, a fazenda era tida como “topo de linha” na produção de uva e de vinho, com alta tecnologia, alta produtividade gerando entusiasmo em empresários de outras regiões do Brasil e de outras partes do mundo. A fama da fazenda Milano de um lado abria cada vez mais espaços para novos financiamentos, sempre justificado como inovação tecnológica, e de ser promotora de um novo processo de desenvolvimento da região baseado na fruticultura irrigada, na alta tecnologia que permitia a produção de uva irrigada no semiárido, na monocultura agroexportadora, e na agro industrialização da uva transformada em vinho.
Por outro lado, esta mesma riqueza gerava uma massa de milhares de assalariado que viviam do subemprego promovido pelas empresas agropecuária, como uma excessiva carga horária, trabalhos forçados e expostos a agrotóxicos e adubação química. Esta precariedade do trabalho de uma massa de assalariado rural, em sua grande maioria se concentrava na cidade de Lagoa Grande, Santa Maria e nos bairros pobres de Petrolina, se sujeitando ao trabalho de madrugada à noite, transportado em caminhões precários, levou grande parte desses trabalhadores a lutar pela Reforma Agrária, com uma alternativa de trabalho, de produção, e de vida.
O modelo Milano baseado na alta produtividade no financiamento público e na produção para exportação, com  alta tecnologia e por outro lado  alto custo de produção, principalmente nos quesitos: água, energia elétrica e insumos, somado a isso: A ostentação da riqueza, o mal gerenciamento levou esta fantasia a falência, e consequentemente a ocupação pelos trabalhadores sem terra revindicando sua desapropriação e transformando em assentamento da Reforma Agrária.
Durante a reunião realizada em Recife no dia 07/11/2013, onde estavam presentes três secretários de estado, o superintendente do INCRA, e representante da prefeitura de Santa Maria da Boa Vista e o Movimento Sem Terra, quando duas questões estavam colocadas na mesa como centrais: de um lado, o MST exigia que o INCRA cumprisse o acordo firmado em abril deste ano, de desapropriar a fazenda Milano para fins de Reforma Agrária, e do outro lado o governo do estado tinha em mãos um decreto de reintegração de posse expedido pelo juiz da comarca de Santa Maria da Boa Vista, para ser cumprido. No entanto nenhuma das duas questões foram discutidas, pois, a informação que veio para o centro da negociação foi o processo da justiça federal de execução  da fazenda Milano. Ha um processo final de execução tramitando na justiça federal a pedido da fazenda nacional, por conta de dívidas das empresa com a União Federal.
O fato escancarou o que todos já sabiam, mas que poucos tinham a informação em dados. A  Milano deverá em muito pouco tempo ser executado e abjudicado a favor do INCRA para que possa então criar assentamento da Reforma Agrária. Peritos da justiça federal, consta no processo de execução, avaliaram a fazenda Milano em 12 milhões de reais, no entanto ninguém soube informar na mesa de reunião, o valor atual das dívidas da empresa, dividas com o governo federal, estadual e com o município. Estima-se apenas que as dívidas com bancos públicos INSS e ministério do trabalho ultrapassam a 75 milhões de reais. Portanto, sem contar as dividas com o governo estadual e municipal representa aproximadamente 6 vezes maior que seu capital.
Ao invés do Sr José Gualberto tentar vincular a ocupação da sua fazenda a uma ação política eleitoral e tentar vincular o cancelamento da festa da Uva da cidade de Lagoa Grande a ocupação de sua fazenda, deveria pedir desculpas ao povo de Lagoa Grande, de Santa Maria, e ao povo brasileiro, por tanta incompetência no (gerenciamento) das riquezas produzidas pelo povo  brasileiro.
A fazenda Milano transitou em poucos anos da modernidade da alta tecnologia, da alta produtividade, da manufatura do trabalho assalariado, para um modelo pré-capitalista, ou por que não dizer semifeudalista, tudo para tentar escapar da falência, para burlar as leis trabalhistas e a inadimplência bancaria. Subdividiu a manutenção da produção da uva, entre os seus empregados, utilizando das suas DAPs – Declaração de Aptidão do Trabalhador Rural, para contratar novos financiamentos e ainda cobrar renda da produção agrícola. Viver do arrendamento da terra, para quem vivia arrotando modernidade, e esteve na “ponta” da produção e da produtividade da uva e do vinho, é a exposição de incompetência  e do atraso nas relações trabalhistas.
Pela primeira vez na história mais recente da luta pela terra no Brasil, uma grande propriedade poderá ser destinada para reforma agrária, sem precisar passar pelo longo processo de desapropriação do INCRA. Durante a reunião a questão do despejo das famílias em que sonha o proprietário, não foi discutida, ate por que nossos advogados estão afirmando, que não cabe reintegração de posse em uma área em que o proprietário perdeu o domínio de sua posse e o Fórum local perdeu a competência sob este processo.
O mais importante agora é pensar que na antiga fazenda Milano vai ser criado mais um grande assentamento na estrada da Reforma Agrária, com mais de 200 famílias assentadas e Santa Maria da Boa Vista caminhando a passos largos para ser  um dos municípios com grandes potenciais, para um novo modelo de desenvolvimento de agricultura, baseada da produção de alimentos, na diversificação da produção e na democratização da terra.

Recife,10-11-2013
Jaime amorim
Direção do MST

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Espionagem e Reforma Política: o que temos com isso?

Acho que a conjuntura nunca me deu tantas tarefas como nos dias de hoje. E elas perpassam por todos os espaços: pelo meu trabalho na assistência à saúde, pelo meu trabalho como professor da Univasf, pela militância, vida pessoal, etc. E isso tem refletido no que tenho escrito. E o vazio no blog é reflexo desta realidade.
Mas o fato é que as mesmas tarefas têm apontado para a necessidade de voltar a escrever. Voltar a formular. E manter o blog ativo me ajuda. Então vamos tentar…
A conjuntura está pegando fogo. Acho que dois assuntos devem ganhar corpo mais ainda nos próximos meses. Nacionalmente a pauta é a necessária Reforma Política. De uma forma meio difusa, e até certo ponto
amorfa, as manifestações no Brasil têm apontado um certo limite nas conquistas sociais através do modelo político vigente. E os motivos são os mais diversos. Parece-me que a proposta mais consequente e que pode atingir de fato a raiz de muitos dos problemas é a chamada de uma Constituinte Exclusiva para a Reforma Política. E como na atual correlação de forças uma proposta como esta não parece que engrenará de forma espontânea, a construção de um Plebiscito Popular, bancada por diversos movimentos sociais e organizações, tem tudo para ganhar força, como apontei no início do parágrafo.
Plenária dos Movimentos Sociais
Este assunto deverá ter espaço garantido por aqui nos próximos meses.
O outro assunto atinge a todo o mundo. São as denúncias envolvendo a espionagem a cada um e cada uma de nós. E dia-a-dia, parece que somos mais frágeis e susceptíveis a interesses que passam pelo imperialismo estadunidense e pelas grandes empresas mundiais.  
Sobre este assunto, são inestimáveis as contribuições trazidas por pessoas como a Chelsea Manning, Edward Snowden e Julian Assange. E todo dia surgem novidades. Fatos que, antes até imaginados por alguns, passam a constar como verdades comprovadas.
Em defesa de Manning, Snowden e Assange!
Abaixo segue um texto que captei no sítio da Revista Fórum que trata com detalhes como nossos e-mails estão escancarados aos mais diversos interesses.

Boa leitura.

Saiba em detalhes como funcionam os dois programas de espionagem que recolhem a nossa informação na internet  e, em particular, como acessam seu Gmail
Por Alberto Sicilia, Principia Marsupia. Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net
Nas últimas semanas conhecemos muitos detalhes dos programas de espionagem do governo dos Estados Unidos através da sua Agência de Segurança Nacional (NSA).
Snowden revelou diversos programas de espionagem: escutas a líderes mundiais, coleta em massa de chamadas telefônicas, acordos entre agências de espionagem de diferentes países, etc.
Neste post vamos tentar explicar em detalhe como funcionam os dois programas de espionagem que recolhem a nossa informação na internet (e, em particular, como acessam ao Gmail).

Dois programas de espionagem secretos: PRISM e MUSCULAR

Segundo os documentos de Snowden, existem dois programas principais para recolher informação da Internet: PRISM e MUSCULAR.
Apesar de os objetivos de ambos programas serem similares, o funcionamento de ambos é muito diferente. De modo que comecemos pelo princípio.
O que é o PRISM?
O PRISM é um programa de coleta de dados que realiza a NSA com a colaboração direta das grandes empresas de internet.
Neste documento “Top Secret” desvelado por Snowden aparecem as empresas que colaboravam no PRISM. Estão todas as importantes: Microsoft, Google, Yahoo, Facebook, Skype, Apple, etc.
Adicionar legenda
Neste outro documento, a NSA detalha o ano em que essas empresas começaram a colaborar com o PRISM:
Como é que a NSA acessa os dados através do PRISM?
O PRISM coleta dados de 2 maneiras: uma “semi-legal” e outra “completamente ilegal”.
PRISM “semi-legal”
O governo norte-americano, em princípio, não pode espiar os seus cidadãos. A Quarta Emenda à Constituição dos EUA estabelece que o governo precisa de uma ordem judicial para investigar um cidadão.
Mas conseguir uma ordem judicial não é problema para a NSA. Obtém-nas através de um tribunal secreto – mas legal – chamado FISC (Foreign Intelligence Survelliance Court). Este tribunal só admite o advogado que representa o governo e nunca publica as suas decisões.
Desde o ano de 2003, os senadores dos EUA queixam-se de que “não têm nem ideia de como funciona o tribunal, porque os seus procedimentos legais são também secretos para eles”.
Na prática, este tribunal é um expediente legal para contornar a quarta emenda. Para que tenham uma ideia: no ano passado, a NSA e o FBI solicitaram 1.800 ordens de investigação. O tribunal aprovou 98.9%.
Uma vez que a NSA obtenha a sua ordem judicial, as companhias de internet são obrigadas a entregar os dados.
Ah, é verdade: se não és cidadão norte-americano, não estás protegido pela quarta emenda.
PRISM “completamente ilegal”
Além do expediente legal anterior, os documentos de Snowden revelam outra faceta do PRISM completamente ilegal (sem ordem judicial alguma) e que é feita com a completa colaboração das empresas de internet.
Para entender como funciona é interessante analisar as palavras do representante de Facebook quando foram revelados os primeiros documentos:
“Quando o governo pede ao Facebook dados sobre indivíduos, nós só entregamos os estritamente requeridos pela lei” [os que falamos antes sobre o PRISM semi-legal]. “Nunca permitimos um acesso direto aos nossos servidores”.
Atenção à última frase. Os jornalistas do The Washington Post, estudando outros documentos de Snowden publicados semanas depois, encontraram a armadilha linguística que esconde.
O truque era o seguinte: efetivamente, as empresas “não permitiam um acesso direto” aos seus servidores. Mas o que faziam era copiar dados dos seus servidores para outros servidores (que tecnicamente não eram seus, ainda que estivessem dentro das suas instalações) aos quais tinha acesso a NSA. Que malabarismo linguístico foi feito com a expressão “acesso direto”!
Até aqui falamos do PRISM. Agora vamos ver outro programa que a NSA utiliza para acessar aos nossos dados (e em particular o Gmail) e que se chama MUSCULAR.
O MUSCULAR, ou como acessar ao Gmail de maneira simples
Deram-se certamente conta que quando se ligam ao Gmail, na vossa barra do navegador aparece https://“ em vez de “http://“ (diferença da letra “S”). Basicamente, o que isto quer dizer é que a conexão entre o vosso computador e o servidor da Google está encriptada com o protocolo de segurança SSL/TSL.
Se alguém “interceptasse o cabo” que vai do vosso computador ao Google, não poderia ler o e-mail acabado de enviar porque a informação viaja encriptada.
Evidentemente, a Google não tem um só servidor. Quando nos ligamos ao Google, na realidade estamos a ligar-nos ao servidor que faz de “porta de entrada” do Google.
A conexão entre o nosso computador e a “porta de entrada” da Google é segura.
Uma vez que e-mail chega à Google, a empresa copia-o em muitos servidores ao mesmo tempo. Assim, se por exemplo, se cair um dos seus data centers, poderemos continuar a acessar o Gmail.
Problema: as conexões entre os centros de dados da Google não estão encriptadas.
O MUSCULAR é o programa da NSA que intercepta os cabos entre os data centers da Google (ou Yahoo) para ler os e-mails
Talvez seja mais simples entendê-lo com este outro documento da NSA revelado por Snowden:
Na nuvenzinha da esquerda estão as conexões entre os utentes e a Google. Como veem, as flechinhas têm escrito “SSL”. Isto é, as conexões são seguras.
Na nuvenzinha da direita estão as conexões internas entre os servidores da Google. Aí já não está escrito “SSL”. Isto é, as conexões aqui não são seguras.
Entre as duas nuvenzinhas, está o quadrinho “GFE”, a porta de entrada da Google. Aqui está indicado que o protocolo de segurança “SSL” desaparece uma vez que se entra na Google. ATENÇÃO à carinha sorridente!
Como podem ver neste mapa, a Google tem data centers espalhados por todo o mundo:
Muitos desses data centers estão ligados entre si por fibra ótica própria. Com o MUSCULAR, a NSA interceptava esses cabos e tinha acesso a todos os dados que circulavam sem encriptar.
Devemos o conhecimento de todos estes detalhes à enorme valentia de Edward Snowden e ao trabalho de análise que realizaram durante meses os colegas do The Guardian e do The Washington Post.
Publicado no Publico.es a 7 de novembro de 2013. Foto de capa The White House

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