Por que o Exército dos Estados Unidos continua estudando o Rio São Francisco?

Rio São Francisco
Em meados de julho/agosto deste ano ganhou destaque na mídia o contrato que o Ministério da Integração Nacional havia acertado com o Exército dos EUA para estudos no Rio São Francisco. Fato este também divulgado aqui no blog:


Trata-se de um acordo assinado entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba  (CODEVASF), órgão submetido ao Ministério da Integração Nacional, com o Corpo de Engenheiros do Exército Americano (USACE). A justificativa é de se encontrar formas de tornar o Rio São Francisco navegável. O contrato chega a um valor de R$ 7,8 milhões e foi assinado em dezembro de 2011.

Até aí já sabíamos. A pergunta que fica é: por que o governo brasileiro ainda não tomou nenhuma atitude quanto a isso? Será este Corpo de Engenheiros do Exército Americano tão superior em conhecimento ao que existe no país hoje nas universidades e até mesmo dentro do exército brasileiro?

Frans Post
Pesquisando na internet vejo que o estudo também pretende a investigação geológica, avaliação geotécnica, análise da qualidade da construção, análise hidrologia e outros estudos.”

No mínimo curioso. Ainda mais em uma época em que está cada vez mais reconhecido, e ganhando importância econômica, o potencial em recursos minerais da região.
Sugiro uma olhada no link que segue. Resume um pouco deste potencial mineral:

O USACE foi criado em 1982 com a justifica de servir de apoio em situações de desastre nos Estados Unidos, mas também para apoiar ações militares como no Afeganistão e no Iraque.

Li algo sobre a Comissão de Relações Exteriores da Câmera de Deputados ter pedido esclarecimentos ao Governo Federal, mas parece que até hoje não houve ainda nenhum posicionamento oficial. E precisamos dele. Este não é um questionamento puramente ideológico. Estamos nos referindo essencialmente a uma questão de soberania nacional.


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Exército dos Estado Unidos estuda Rio São Francisco

Foto do Exército Brasileiro em treinamento no Rio São Francisco
A CODEVASF, órgão submetido ao Ministério da Integração Nacional, anunciou há algumas semanas um contrato com o exército estadunidense para estudos de navegabilidade para o Rio São Francisco. Os norte-americanos lucrarão R$ 7,8 milhões para um trabalho previsto de 3 anos.
O coordenador será o brigadeiro Douglas Fraser, Comandante do Comando Sul do Exército dos Estados Unidos e, por consequência, Comandante de quaisquer operações militares em nossa região. É mole?!
Coisa mais estranha, não? Talvez seja pura ignorância minha, mas esta história toda não faz o mínimo sentido. 

E aí me faço duas perguntas:

1 – Será que não há técnicos em NENHUM canto do país que possam contribuir para um bom projeto nas águas do Rio São Francisco?! Esta quantia não me parece pouca…
2- Por que LOGO os Estado Unidos?? E aí não é simplesmente lance ideológico meu, mas este pessoal da CODEVASF não estudou história não? Não lê notícias não? Não têm noção de tudo que os EUA fazem afora, vide o que está acontecendo no Paraguai, na Líbia, na Síria, etc etc etc…
Exército dos Estados Unidos em base militar na Colômbia
Nós, principalmente os que se reivindicam da esquerda brasileira, não podemos perder de vista que o Imperialismo é um inimigo claro e que precisamos estar sempre atentos. Até nestes supostos acordos técnicos de cooperação. As formas de dominação hoje estão avançadas e disfarçadas nas mais variadas formas.
Se alguém acha que nos dias de hoje não podem acontecer mais ocupações militares “como antigamente”, basta abrir as páginas dos jornais.
Para mais informações, cliquem neste link

João Pedro Stedile na Record News

Bela entrevista do João Pedro Stedile na Record News ontem à noite.

Toca em assuntos como a crise do capital, ambientalismo, agronegócio e outros. Muita clareza!

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E quando remédio é veneno?

Já tomou sua dose de remédios de hoje?
Taí um assunto que me aborrece quase todos os dias. É o uso descontrolado que fazemos atualmente de medicações. Seja por culpa dos prescritores, seja por conta própria dos consumidores. O fato é que nossa sociedade não sobrevive sem um remediozinho pra aquela dorzinha, agoniazinha por dentro ou insônia.

Dando uma estudada aqui cheguei a um dado estarrecedor: nos EUA, 40% dos casos de intoxicação ocorrem por consumo de medicamentos. O primeiro lugar, com 11.75% dos casos, pertence aos tão propaladamente “inofensivos” analgésicos.
“Ahh, Doutor, dipirona e paracetamol são como água para mim. Não resolvem nada.”

No Brasil não é muito diferente e os remédios permanecem ocupando o primeiro lugar. Não tem estriquinina, água sanitária ou comigo-ninguém-pode que chegue perto.
Enquanto isso as indústrias farmacêuticas permanecem promovendo grandes prescrições inespecíficas para todo mundo em horário nobre na TV, nas grandes revistas ou até nas redes sociais. Cheguei uma vez a flagrar propaganda de um dito expectorante de alguma marca comercial do Ambroxol abertamente no facebook. Com direito a desenhos animados e tudo para chamar a atenção do público infantil. Terrível. Cheguei a tirar o print da tela para tentar alguma denúncia, mas pouco tempo depois não estava mais no ar. Procurei agora e nada…
Enfim, acredito que há muita permissividade quanto a propaganda de medicamentos no Brasil. Não sei direito, mas me falam que em muitos países, mesmo ultra-capitalistas, a coisa é mais regulada, mais controlada. É preciso mais do que nunca fortalecer os mecanismos de controle de propaganda no Brasil. E quanto a remédios, nem se fala…

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EUA pode restringir suco de laranja brasileiro

Nas últimas semanas vários sítios nacionais anunciaram uma possível restrição à entrada do suco de laranja brasileiro em território estadunidense. (Mais informações podem ser vistas neste link e neste também)

O motivo está no agrotóxico, o carbendazim, encontrado no produto importado pela PepsiCo e exportado do Brasil pela Cutrale.

O detalhe é que tal agrotóxico é proibido nos EUA, mas permitido no Brasil. E aí? Como ficamos nós, brasileiras e brasileiros, que consumimos esses venenos sem saber? Na mesma linha, cabe mais uma reflexão: o quão perigoso pode ser o consumo de tal veneno a ponto de se tornar um produto completamente proibido em terras norte-americanas. Ou será que, finalmente, os EUA ingressaram de vez na Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida?

As autoridades brasileiras precisam se manifestar sobre a questão e dar uma resposta ao nosso país. O único membro do governo que manifestou opinião na mídia brasileira foi o Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, do PMDB-RS. O ministro declarou que não há problema nenhum no suco de laranja produzido no Brasil pelas grandes transnacionais. Mas teria ele emitido uma opinião técnica? Duvido muito. Para quem não conhece o Mendes Ribeiro, reproduzo um trecho retirado do sítio do Leonardo Quintão, deputado ruralista do PMDB-MG, que explica bem quem é a figura do primeiro escalão do Governo Federal:

– Katia Abreu disse que Mendes Ribeiro já faz parte da bancada agropecuária. “Ele tem nos ajudado em vários momentos, mesmo porque seu estado tem uma força muito grande no agronegócio”, declarou. A senadora afirmou que Ribeiro votou pela aprovação do Código Florestal na Câmara. “Votou conosco”, disse. –

No discurso, diz-se que os níveis presentes estão abaixo do necessário para comprometer a saúde humana. O que está estabelecido é que determinadas doses do carbendazim podem provocar infertilidade. E quem garante que doses menores a longo prazo também não causem?! 

Mas do que nunca é hora de fortalecer a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Para se ter uma idéia do absurdo ao qual chegamos no uso de agrotóxicos basta analisar o descontrole existente nas vendas. E quer um parâmetro? Neste link, por exemplo, é possível comprar veneno com frete grátis para todo o Brasil! É mole?!

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Maniqueísmo nosso de cada dia e Belo Monte

Esta semana um vídeo tem provocado mais alvoroço que os vídeos de Jeremias José do Nascimento ou do Pedro que ficou com o chip da menina.
Trata-se de um filme estrelado por atrizes e atores da Rede Globo com ataques à construção da Usina de Belo Monte no Pará.
A minha primeira reação foi pensar: “Peraí! O que aconteceu? Que momento da análise de conjuntura eu perdi?”
Pois indo aos fatos… Desde sempre tive, e ainda mantenho, a postura contrária à construção de Belo Monte. Sou radical nesse posicionamento.
E a rede está cheia de argumentos. Acho que a questão do desenvolvimento precisa ser pensada, mas a obra é muito cara e trará consequencias incalculáveis ao meio ambiente e ao povo indígena da região. Para além disso, há de se refletir sobre quais são os interesses atendidos com a construção dessa usina. Transportar minério? Do povo é que não me parece ser.
Outra coisa: este é um governo de conciliação de classes. Não é o primeiro e nem será o último dos seus projetos que representam os interesses da burguesia nacional e internacional. Logo, não é novidade.

A Globo, por sua vez, sempre esteve e continuará a serviço da burguesia. Então o mínimo que temos que fazer é refletir sobre quais seriam os interesses escondidos aí por trás. 
Creio sinceramente ser um erro cair nesse governismo cego de muitos que não podem ouvir uma crítica ao governo que começam a vociferar que “é coisa da direita”. Ao passo que não dá para cair na superficialidade de ignorar os interesses aí envolvidos só porque é uma crítica ao governo Dilma e passar a achar que os globais são revolucionários, são de esquerda, etc, e que ninguém pode falar mais nada sobre eles. Aliás, daquele grupo todo, é reconhecido o compromisso social de apenas duas delas: A Letícia Sabatela e a Dira Paes. E só.
Todo e qualquer brasileiro, mesmo os globais, possuem pleno direito de manifestar suas posições políticas. Ótimo. Mas acho fundamental sim entender o processo como um todo. O próprio movimento que assina o manifesto. Movimento Gota D’Água. Quem são? Quem banca? O que querem? Não há a menor clareza sobre essas questões. Mas desconfio que não estejam a serviço do povo brasileiro.

O Mundo está ao Avesso. De Pernas pro Ar.

“Há cento e trinta anos, depois de visitar o País das Maravilhas, Alice entrou num espelho para descobrir o mundo ao avesso. Se Alice renascesse em nossos dias, não precisaria atravessar nenhum espelho: bastaria que chegasse à janela. No fim do milênio, o mundo ao avesso está à vista de todos; o mundo tal qual é, com a esquerda na direita, o umbigo nas costas e a cabeça nos pés.”

Dessa maneira Eduardo Galeano abre o seu livro “De Pernas pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso”. Daqui a centenas de ano será documento fundamental para compreender o quão é absurdo o mundo em que vivemos hoje.

O tempo todos nos chegam notícias que explicitam isso. Tudo num volume tão grande que muitas vezes as notícias mais recentes vão deixando cair no esquecimento mesmo a mais grave das situações.

Uma delas eu faço questão de resgatar. Trata-se de uma excelente reportagem feitas por Charles Souto para o Jornal Brasil de Fato, publicada em 25 de julho de 2001. Segue abaixo.

Ahhh. Quais outras notícias de 2011 escancararam que o mundo está de fato ao avesso?


Comenta aí!


“Médicos das Usinas dão pinga para cortar o efeito do agrotóxico no corpo”
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“De repente a menina cansava sem ninguém sabe como. Tinha que pegar e levar pro hospital às pressas”, relembra Madalena. A cena se repetia todos os dias. Sua sobrinha, à época com quatro anos, tinha crises respiratórias a cada fim de tarde e era socorrida no hospital de São Lourenço da Mata, zona da mata norte de Pernambuco. “Foi então que a médica descobriu que os ataques só aconteciam quando meu irmão chegava em casa do trabalho. Ela pediu pra ele se afastar do serviço por algum tempo. Passou um mês e a menina não teve mais nada, quando ele voltou a trabalhar os ataques voltaram”. O irmão de Madalena aplicava agrotóxicos nos canaviais da usina Petribu.


Os ataques de asma que a sobrinha de Madalena sofria eram causados pelos vestígios de agrotóxico que permaneciam no corpo de seu irmão, “muito embora”, ressalta Madalena, “quando largava do trabalho, ele tomava banho na usina e trocava de roupa antes de ir pra casa”.


O relato de Madalena é reforçado por outras esposas e mães da região, cujos nomes verdadeiros foram preservados para evitar retaliações da usina. “O fedor é muito forte”, lembra Regina, cujo esposo de 30 anos aplica veneno nos canaviais da Petribu pela segunda safra consecutiva. “Quando ele chega do serviço, só entra pela porta de trás. A roupa que ele usa pra ir e voltar do trabalho tem que deixar na porta da casa. Boto na água sanitária e nada do cheiro sair. Tem dia que o fedor é tão forte que não consigo nem ficar perto dele”, completa.


Regina revela que seu esposo já foi parar no hospital municipal depois de passar mal e desmaiar durante a aplicação dos agrotóxicos. “Ele tomou soro e foi liberado. O médico não disse nada sobre o veneno e não passou nenhuma medicação. Até hoje tem dia que ele acorda no meio da noite com o corpo cheio de câimbra.”


Cachaça como remédio


A denúncia mais grave é feita por Rosângela. Há três anos seu marido aplica veneno nos canaviais da Petribu. Segundo ela, desde o ano passado, os médicos da usina determinaram que todos os trabalhadores que manuseassem os agrotóxicos “tomassem uma dose de cachaça por dia, depois de terminado o serviço. Eles disseram que era pra cortar o efeito do veneno no corpo.”


Madalena confirma a acusação: “Na safra passada, eles chamaram meu filho de 19 anos pra trabalhar com veneno. O salário era um pouco maior, mas tinha um porém. Antes eles davam um saquinho de leite pra cada funcionário. Mas agora eles não estavam mais fornecendo leite e sim uma dose de pinga. Quando ele saísse do serviço, ia pra usina, tomava banho, trocava de roupa e recebia uma dose de pinga que era pra poder fazer uma limpeza dentro dele para o veneno não ofender ele”. Seu filho se recusou a beber e acabou desempregado.


“Não tem efeito nenhum do ponto de vista de evitar, de prevenir ou de tratar a questão da intoxicação pelo veneno utilizado na agricultura” esclarece a médica Lia Giraldo sobre os efeitos do leite e do álcool na lida com os agrotóxicos. Professora da UPE (Universidade do Estado de Pernambuco) e pesquisadora titular da Fiocruz/PE, Lia ressalta que “o leite é um alimento e, obviamente, não tem nenhuma consequência desfavorável tomá-lo, mas também não serve para nada do ponto de vista da intoxicação. Com relação ao álcool [cachaça] sim, é muito perigoso. Porque o álcool tem efeito tóxico para o fígado e para o sistema nervoso, assim como a maioria dos agrotóxicos. Então você tem a superposição de dois produtos que são tóxicos, causando uma potencialização do efeito negativo do veneno sobre a saúde humana. Quem receitar esse tipo de coisa para evitar intoxicação, especialmente se for médico, está cometendo um crime e deve ser encaminhada uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina”, enfatizou.


A pesquisadora lembra que o uso do álcool pode descaracterizar a intoxicação química por agrotóxicos, já que ambos produzem sintomas parecidos, tornando muito difícil a realização de um diagnóstico diferencial. “Na hora de fazer o diagnóstico vão dizer que o problema do trabalhador é porque ele bebe e não porque ele está exposto ao agrotóxico”, conclui Lia.


No ar, na terra e nas águas


Não são só os trabalhadores que sofrem com o uso indiscriminado dos agrotóxicos nos canaviais pernambucanos. Os 522 alunos da Escola Municipal Luiz Carlos de Moraes Pinho, localizada no distrito de Chã de Sapé em Itaquitinga, assistem suas aulas a poucos metros dos canaviais da Usina Santa Tereza. De acordo com Ivone, diretora da escola, “quando eles queimam as canas, a escola tem que liberar os alunos e suspender as aulas”. A professora de informática Ivete lembra que “há três anos, a Fusam [Fundação de Saúde Amaury de Medeiros] veio aqui fazer exame de vista nas crianças. Muitas crianças foram diagnosticadas com tracoma [uma forma de conjuntivite crônica que pode levar a cegueira] e os médicos associaram ao veneno que se espalhava com as queimadas da cana. Na época, a prefeitura foi acionada, mas até hoje nada foi feito”.


A agente de saúde lvanusa da Silva lembra que as famílias tinham o costume de cultivar algumas lavouras brancas para alimentação, como o mamão, “mas com o veneno despejado pelos aviões da usina, o mamão fi cava todo amarelado, não conseguia sobreviver. Não podemos plantar nada porque afeta”. Ivanusa informa que os aviões passam todos os finais de semana, logo cedo, despejando veneno nas canas e nas casas, indiscriminadamente. “Passa tão perto que parece que vai rasgar o teto em cima das casas”, completa a agente de saúde.


Em um desses voos rasantes, Dona Nelinha, 60 anos, acabou recebendo um banho de veneno. “Estava caminhando ali na estrada, de manhã cedinho, umas 5h. Só ouvi o barulho e quando vi o produto foi despejado do avião e salpicou veneno nos meus braços e no meu rosto. Eu acredito que isso não aconteceu só comigo, porque na estrada passa muita gente pra lavar roupa, o pessoal que chega do trabalho, todo mundo passa por essa estrada. É um produto que não faz bem pra nossa saúde, não é? Isso não faz bem pra comunidade”, afirma a moradora aposentada.


Para completar o quadro, a Associação de Moradores de Chã de Sapé denuncia que o poço responsável por armazenar a água que abastece os cerca de 800 domicílios do distrito está contaminado pelos agrotóxicos utilizados nos canaviais.


Agrotóxicos, abortos e câncer


Os casos denunciados pelos moradores de São Lourenço da Mata e Itaquitinga se repetem por diversos municípios tomados pelas plantações de cana na região. Mas, de acordo com os estudos levados adiante pela professora Lia Giraldo e a Fiocruz, há outras culturas em que os agrotóxicos também estão causando sérios danos à população e ao meio ambiente.


De acordo com Lia Giraldo, pesquisas realizadas com as mulheres envolvidas diretamente na produção de tomate no município de Camucim de São Félix, agreste pernambucano, constataram que 70% delas haviam abortado e 11% tiveram fi lhos com deficiências físicas ou distúrbios neurocomportamentais. Levantamento feito no ano de 2009 pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) evidenciou a contaminação ambiental de cacimbas e açudes pelo agrotóxico metamidofós, cuja classe toxicológica é a de nível I: extremamente tóxico. Além disso, estudos da Fiocruz identificaram na região do Vale do São Francisco 108 agrotóxicos diferentes utilizados na fruticultura com forte potencial de indução de câncer. 87% destes agrotóxicos foram classifi cados como carcinogênicos e 7% pré-carcinogênicos.


Lia Giraldo lembra que o consumo de agrotóxicos só aumenta em Pernambuco e em todo o país. Em 2009, haviam 2.195 produtos agrotóxicos registrados no país e as vendas chegaram a 789.794 toneladas, o equivalente a 6,8 bilhões de dólares. Em 2010, essa cifra alcançou os US$ 7,1 bilhões. Para a professora, o uso indiscriminado de agrotóxicos representa um “grave problema para a saúde pública, ainda que seus riscos e efeitos sejam ocultados e invisibilizados pela propaganda, pela ausência efetiva de controle dos órgãos públicos e pela falta de informação dos consumidores”.






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Wagner Moura em Defesa do nosso Código Florestal

Bomba nas redes sociais nas últimas 24 horas este vídeo do ator Wagner Moura explicitando sua posição contrária às mudanças no Código Florestal.

Ele está coberto de razão. Os ruralistas, capitaneados pelo Aldo Rebelo, do PCdoB-SP, conseguiram aprovar a proposta na Câmara dos Deputados. É preciso manter a pressão contrária no Senado e, se necessário, exigir o veto da Presidenta Dilma.

Chega de retrocessos.

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Importando Lixo Hospitalar dos Estados Unidos

Na semana em que milhões foram às ruas gritar contra o capitalismo (vou fazer uma postagem sobre o tema), uma notícia chamou a atenção de muitos pernambucanos: um container com lixo hospitalar, vindo dos Estados Unidos, foi encontrado no Porto de Suape.

Absurdo, né? O danado é que a questão tem detalhes que a tornam mais dramática ainda.
Este material hospitalar contaminado vinha sendo importado por um empresa do ramo têxtil de Santa Cruz do Capibaribe-PE.  Entre o material, tecidos sujos de sangue, seringas, gazes e luvas hospitalares. Alguns desses tecidos com logomarcas de hospitais estadunidenses. Pode piorar? Pode. Nesta semana foram duas cargas encontradas. Mas outras seis já haviam sido importadas este ano sem que houvesse qualquer fiscalização.

Temos aí uma série de perguntas que precisam ser rapida e claramente respondidas pelas autoridades responsáveis:
1) Quantos containers assim foram trazidos por esta empresa nos últimos anos?
2) Quantas empresas trabalham desta forma?
3) Qual a destinação desse material contaminado?
4) O que será mais que passa por nossos portos sem fiscalização? Mais lixo hospitalar? Lixo atômico? Venenos para nossas terras e rios?
5) E por que ainda não foram divulgados os responsáveis?

Sei que algumas destas questões, infelizmente, não receberão resposta. O fato é que os envolvidos precisam ser duramente punidos. Além do sério risco trazido à saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras da indústria têxtil do agreste pernambucano e à dos consumidores, há uma forte questão de soberania nacional envolvida aí! Não dá para passar batido.

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O Veneno está na Mesa será lançado no Vale do São Francisco

CONVITE:
É com enorme satisfação que viemos por meio deste convidar V.S. para o lançamento do filme “O Veneno está na Mesa” do cineasta Sílvio Tendler. Na oportunidade, após a exibição do filme, teremos a presença do próprio cineasta para debate e encaminhamento da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, no vale do São Francisco.
         Em tempo, aproveitamos para solicitar a divulgação do evento em sua organização. O evento será gratuito e aberto a todos e todas.
Onde?   No Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina – STR/Petrolina
                  Endereço: Avenida das Nações, n.º 280, Gercino Coelho, Petrolina
Quando? Dia 24/09/2011, Sábado, às 14 horas.

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