Manifesto da Via Campesina sobre Equador

No marco da realização de nosso V Congresso no Equador, como Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo, CLOC – Via Campesina, fazemos eco das milhões de vozes de camponesas e camponeses de todas as regiões do Continente em rejeição aos últimos eventos suscitados na nossa nação irmã, o Equador. Expressamos nossa solidariedade e reafirmamos nosso compromisso com a luta constante pela defesa da democracia no Equador, que nesta quinta-feira, 30 de setembro, se viu afetada pelas Forças Armadas, a Embaixada dos Estados Unidos e outros setores de direita, que priorizam seus interesses mesquinhos frente às necessidades reais do povo.

Como CLOC- Via Campesina, condenamos frontalmente esta tentativa de Golpe de Estado, desconhecendo qualquer ação que atente à democracia, por isso exigimos a restituição da ordem constitucional. Achamos, firmemente, que os eventos no Equador são ações desesperadas da oligarquia, representada pela direita, com o único objetivo de preservar os interesses do capital, que ao longo da história prejudicaram a classe camponesa.
Ante este abominável feito, a CLOC –VC faz eco às seguintes demandas:
1. Que se restabeleça a ordem constitucional, sem derramamento de sangue a favor da democracia.
2. Que não se reprima a população equatoriana que exige o retorno à democracia.

Finalmente, como CLOC- VC nos comprometemos a acompanhar tudo o que ocorra no Equador, neste momento complexo. Fazemos um chamado com caráter de urgência às organizações camponesas e aos diferentes movimentos sociais a protestar e a estar vigilantes.

V CONGRESSO DA CLOC
Contra o saque do Capital e do Império
Pela Terra e Soberania de nossos Povos!
A AMÉRICA LUTA!

Acontecimentos no Equador via Twitter

O Twitter tem se colocado como importante instrumento de propagação de notícias e acontecimentos pelo mundo. Não tem sido diferente com os acontecimentos no Equador.
Disponibilizo abaixo, e vou atualizando, uma lista com contas do Twitter que trazem boas informações e análises sobre o Equador. Precisamos continuar atentos. E, como já falei, governos e organizações progressistas precisam agir!
http://twitter.com/sdpnoticias
http://twitter.com/CNNEE
http://twitter.com/correoorinoco
http://twitter.com/Presidencia_Ec (Twitter oficial da presidência equatoriana)
http://twitter.com/susanamorg

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Repulsa ao Sexo: Debate sobre Aborto

Normalmente não gosto de simplesmente republicar textos de outros, mas procuro abrir exceções para grandes textos. E estes é um deles. Trata-se de uma discussão proposta pela Maria Rita Kehl sobre o aborto. Alíás, estou com um livro seu na agulha para leitura – O Tempo e o Cão. A Atualidade das depressões. 


Segue o texto:

por Maria Rita Kehl
Entre os três candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas, não sabemos a verdadeira posição de Dilma e de Serra. Declaram-se contrários para não mexer num vespeiro que pode lhes custar votos. Marina, evangélica, talvez diga a verdade. Sua posição é tão conservadora nesse aspecto quanto em relação às pesquisas com transgênicos ou células-tronco.

Mas o debate sobre a descriminalização do aborto não pode ser pautado pela corrida eleitoral.

Algumas considerações desinteressadas são necessárias, ainda que dolorosas. A começar pelo óbvio: não se trata de ser a favor do aborto. Ninguém é. O aborto é sempre a última saída para uma gravidez indesejada. Não é política de controle de natalidade. Não é curtição de adolescentes irresponsáveis, embora algumas vezes possa resultar disso. É uma escolha dramática para a mulher que engravida e se vê sem condições, psíquicas ou materiais, de assumir a maternidade. Se nenhuma mulher passa impune por uma decisão dessas, a culpa e a dor que ela sente com certeza são agravadas pela criminalização do procedimento.

O tom acusador dos que se opõem à legalização impede que a sociedade brasileira crie alternativas éticas para que os casais possam ponderar melhor antes, e conviver depois, da decisão de interromper uma gestação indesejada ou impossível de ser levada a termo. Além da perda à qual mulher nenhuma é indiferente, além do luto inevitável, as jovens grávidas que pensam em abortar são levadas a arcar com a pesada acusação de assassinato. O drama da gravidez indesejada é agravado pela ilegalidade, a maldade dos moralistas e a incompreensão geral. Ora, as razões que as levam a cogitar, ou praticar, um aborto, raramente são levianas. São situações de abandono por parte de um namorado, marido ou amante, que às vezes desaparecem sem nem saber que a moça engravidou. Situações de pobreza e falta de perspectivas para constituir uma família ou aumentar ainda mais a prole já numerosa. O debate envolve políticas de saúde pública para as classes pobres. Da classe média para cima, as moças pagam caro para abortar em clínicas particulares, sem que seu drama seja discutido pelo padre e o juiz nas páginas dos jornais.

O ponto, então, não é ser a favor do aborto. É ser contra sua criminalização. Por pressões da CNBB, o ministro Paulo Vannuchi precisou excluir o direito ao aborto do recente Plano Nacional de Direitos Humanos. Mas mesmo entre católicos não há pleno consenso. O corajoso grupo das “Católicas pelo direito de decidir” reflete e discute a sério as questões éticas que o aborto envolve.

O argumento da Igreja é a defesa intransigente da vida humana. Pois bem: ninguém nega que o feto, desde a concepção, seja uma forma de vida. Mas a partir de quantos meses passa a ser considerado uma vida humana? Se não existe um critério científico decisivo, sugiro que examinemos as práticas correntes nas sociedades modernas. Afinal, o conceito de humano mudou muitas vezes ao longo da história. Data de 1537 a bula papal que declarava que os índios do Novo Continente eram humanos, não bestas; o debate, que versava sobre o direito a escravizar-se índios e negros, estendeu-se até o século 17.

A modernidade ampliou enormemente os direitos da vida humana, ao declarar que todos devem ter as mesmas chances e os mesmos direitos de pertencer à comunidade desigual, mas universal, dos homens.

No entanto, as práticas que confirmam o direito a ser reconhecido como humano nunca incluíram o feto. Sua humanidade não tem sido contemplada por nenhum dos rituais simbólicos que identificam a vida biológica à espécie. Vejamos: os fetos perdidos por abortos espontâneos não são batizados. A Igreja não exige isso. Também não são enterrados. Sua curta existência não é imortalizada numa sepultura – modo como quase todas as culturas humanas atestam a passagem de seus semelhantes pelo reino desse mundo. Os fetos não são incluídos em nenhum dos rituais, religiosos ou leigos, que registram a existência de mais uma vida humana entre os vivos.

A ambiguidade da Igreja que se diz defensora da vida se revela na condenação ao uso da camisinha mesmo diante do risco de contágio pelo HIV, que ainda mata milhões de pessoas no mundo. A África, último continente de maioria católica, paupérrimo (et pour cause…), tem 60% de sua população infectada pelo HIV. O que diz o papa? Que não façam sexo. A favor da vida e contra o sexo – pena de morte para os pecadores contaminados.

Ou talvez esta não seja uma condenação ao sexo: só à recente liberdade sexual das mulheres.

Enquanto a dupla moral favoreceu a libertinagem dos bons cavalheiros cristãos, tudo bem. Mas a liberdade sexual das mulheres, pior, das mães – este é o ponto! – é inadmissível. Em mais de um debate público escutei o argumento de conservadores linha-dura, de que a mulher que faz sexo sem planejar filhos tem que aguentar as consequências. Eis a face cruel da criminalização do aborto: trata-se de fazer, do filho, o castigo da mãe pecadora. Cai a máscara que escondia a repulsa ao sexo: não se está brigando em defesa da vida, ou da criança (que, em caso de fetos com malformações graves, não chegarão a viver poucas semanas). A obrigação de levar a termo a gravidez indesejada não é mais que um modo de castigar a mulher que desnaturalizou o sexo, ao separar seu prazer sexual da missão de procriar.

Em defesa do Equador. Não ao golpe!

As informações que chegam ainda são um tanto desencontradas. Parece-me que está caracterizada de fato a tentativa de golpe de estado. Superiores das Força Armadas dizem que não, que defendem a democracia. 
O que chega de concreto é que o Presidente Rafael Correa estaria retido em um hospital de Quito. O povo que tenta se aproximar, em defesa de Correa, tem sido agredido pela polícia. Há notícias também de aeroportos e estradas fechadas.
O ex-presidente Gutierrez chegou a defender, há pouco, a dissolução do congresso e a antecipação das eleições presidenciais para “evitar o derramamento de sangue”. Não há outro nome. Golpe da Direita!
Não bastam as palavras. Governos e organizações do campo progressista precisam agir em defesa do povo e da democracia equatoriana.
Neste momento devemos ficar atentos a todos os acontecimentos.
A melhor fonte de notícias é a TeleSur:http://www.telesurtv.net/noticias/canal/senalenvivo.php
Outra boa fonte é o Brasil de Fato:http://www.brasildefato.com.br/
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Agronegocio X Agricultura Familiar

Horta onde faço compras em Petrolina
Tema importante para tod@s @s militantes que trabalham juntos aos movimentos sociais, a questão do agronegócio e da agricultura familiar tornou-se mais interessante a mim desde que vim viver em Petrolina, no sertão pernambucano.
E algo que percebi logo da minha chegada por estas terras, concretizou-se como um retrato de que há algo de muito errado em nossa produção de alimentos: na dita terra da uva e da manga, não é tarefa tão simples encontrar tais frutos (de qualidade) para comprar. O que é bom vai para fora
O último censo agropecuário do IBGE (acho que de 2006) trouxe dados que não podem ser ignorados:
1) A Agricultura Familiar, mesmo representando apenas 24,3% de nossa área agrícola, é responsável, por exemplo, por 87% de nossa produção de macaxeira, 70% de feijão, 38% café, 58% do leite, entre outros alimentos fundamentais para a nossa população
2) Isso tudo mesmo porque recebeu recursos públicos da ordem de R$ 13 bilhões em 2008, perante um apoio ao agronegócio no valor que circunda os R$ 100 bilhões, no mesmo período.
Só estes números já nos rendem uma boa reflexão sobre qual seria, de fato, o tipo de agricultura sustentável para nossa nação e para o nosso povo. Em várias áreas, mas em especial na agricultura por motivos óbvios, é preciso responder a uma questão importante: A quem servimos? A que serve a nossa produção rural?
E olhe que nem entrei na questão da extrema exploração do trabalhador pelo agronegócio. Estou trabalhando numa Unidade de Saúde da Família na região urbana de Petrolina e tenho visto claramente uma associação importante entre este trabalho e doenças ocupacionais. Sobre este tema devem rolar mais postagens em breve, pois pretendemos iniciar algumas pesquisas por lá. 
Outros dados importantes levantados pelo censo:
– 46,4% da soja utilizou sementes transgênicas, o que me lembra da importância da eleição de Roberto Requião para o senado brasileiro pelo Paraná. Apesar de estar no PMDB, é um quadro importante do campo progressista e nacionalista do nosso país.

– 56,3% de quem utilizou agrotóxicos, não recebeu as devidas orientações técnicas para uso. 
– Apenas 1,8% pratica a chamada agricultura orgânica. Mas não acho tão alarmante, por tratar-se também de uma questão cultural e que deve ser trabalhada.

Imprensa Burguesa x Povo Brasileiro

Estamos preparados?
Achava que não traria a pauta das eleições novamente para aqui. Mas fatos novos aconteceram e cá estou eu na terceira postagem em menos de 7 dias sobre o tema.
Há dois dias postei sobre o enfrentamento verbal que Dilma passou a realizar contra setores da imprensa burguesa, em especial contra a Fola de São Paulo. Ponto para ela e desejei que este enfrentamento seja levado para o campo das ações durante o seu governo. A grande mídia é uma das principais responsáveis pelo atraso político que ainda vivemos em nosso país.
Pois bem. Sentí que a imprensa passou a bater também no Plínio nestes últimos dias. O que para mim é um bom sinal! Plínio acertaria na mosca se passasse a pautar mais a questão do direito à comunicação e do enfrentamento necessário a ser realizado contra os grandes conglomerados da mídia.
E para finalizar, também havia comentado sobre um vídeo onde setores evangélicos, capitaneados pelo pastor Silas Malafaia, conclamavam aos cristãos a não votarem na satânica Dilma. No mesmo dia, vejo que o referido pastor pagou nota nos principais jornais do país em defesa de uma suposta liberdade democrática para a imprensa, mas que tem como recado claro um pedido de não voto à candidata petista. 
Acirramento da luta de classes no próximo período? Pela conjuntura mundial é díficil, mas é preciso que nos preparemos. 

Direita arcaica desesperada e suspiros…

Na minha última postagem deixei bem claro meu posicionamento quanto ao atual processo eleitoral ( Eleições Politizadas? Onde? ). Mas decidí voltar ao tema porque três vídeos e uma atitude me chamaram bem à atenção hoje.
Os dois primeiros vídeos retratam o desespero estampado e descarado na campanha de Serra, que representa o que há de mais arcaico na atual disputa presidencial.
O primeiro vídeo nem publico para não dar audiência, mas é um apelo ao tradicionalismo religioso. Objetiva colocar os cristãos contra a candidata Dilma com um discurso do naipe da Tradição, Família e Propriedade. E sabe o que é pior? Vi esta história pegar com uma pessoa que conheço. #tenso
O segundo eu já faço questão de colocar. Ele tem o título de “O Brasil não é do PT”. Hilário. Hoje mesmo eu “recordava”, no twitter, os boatos nas eleições de 2002 que diziam que o Lula mudaria o verde para vermelho na bandeira do Brasil. Haha. Gostaria mesmo que o PT fosse isso que o PSDB tentar passar. vejam o vídeo:
O terceiro vídeo dá conta do enfrentamento que Dilma tem feito com alguns meios de comunicação da grande mídia. Atitude louvavel. Torcer para que tal enfrentamento saia do campo das palavras e se transforme em ações em seu governo. Segue o vídeo:

E a atitude a ser elogiada é o ato, por parte do PSOL do RS, de retirar uma de suas candidaturas ao senado e pedir voto em Paulo Paim (PT) que encontra-se empatado nas pesquisas com o Rigotto e com uma apresentadora da RBS aí que não sei o nome. É nisso que precisamos avançar no campo popular no Brasil. Não pode ficar só na questão eleitoral, senão pouco vale. É preciso levarmos esta aparente maturidade e coerência para o campo de nossas lutas. Todos nós. Assim é que faremos diferença de verdade!