O que realmente interessa saber sobre o Colesterol

Achei que nunca iria gostar de um texto do Drauzio Varella. Eu me enganei. 

Sugiro a leitura do artigo abaixo sobre um tema que deve vir cada vez mais à tona com outros problemas e medicamentos.

Boa leitura!

A agonia do colesterol

Nunca me convenci de que essa obsessão para abaixar o colesterol às custas de remédio aumentasse a longevidade de pessoas saudáveis.
Essa crença –que fez das estatinas o maior sucesso comercial da história da medicina– tomou conta da cardiologia a partir de dois estudos observacionais: Seven Cities e Framingham, iniciados nos anos 1950.
Considerados tendenciosos por vários especialistas, o Seven Cities pretendeu demonstrar que os ataques cardíacos estariam ligados ao consumo de gordura animal, enquanto o Framingham concluiu que eles guardariam relação direta com o colesterol.
A partir dos anos 1980, o aparecimento das estatinas (drogas que reduzem os níveis de colesterol) abafou as vozes discordantes, e a classe médica foi tomada por um furor anticolesterol que contagiou a população. Hoje, todos se preocupam com os alimentos gordurosos e tratam com intimidade o “bom” (HDL) e o “mau” colesterol (LDL).
As diretrizes americanas publicadas em 2001 recomendavam manter o LDL abaixo de cem a qualquer preço. Ainda que fosse preciso quadruplicar a dose de estatina ou combiná-la com outras drogas, sem nenhuma evidência científica que justificasse tal conduta.
Apenas nos Estados Unidos, esse alvo absolutamente arbitrário fez o número de usuários de estatinas saltar de 13 milhões para 36 milhões. Nenhum estudo posterior, patrocinado ou não pela indústria, conseguiu demonstrar que essa estratégia fez cair a mortalidade por doença cardiovascular.
Cardiologistas radicais foram mais longe: o LDL deveria ser mantido abaixo de 70, alvo inacessível a mortais como você e eu. Seríamos tantos os candidatos ao tratamento, que sairia mais barato acrescentar estatina ao suprimento de água domiciliar, conforme sugeriu um eminente professor americano.
Pois bem. Depois de cinco anos de análises dos estudos mais recentes, a American Heart Association e a American College of Cardiology, entidades sem fins lucrativos, mas que recebem auxílios generosos da indústria farmacêutica, atualizaram as diretrizes de 2001.
Pasme, leitor de inteligência mediana como eu. Segundo elas, os níveis de colesterol não interessam mais.
Portanto, se seu LDL é alto não fique aflito para reduzi-lo: o risco de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral não será modificado. Em português mais claro, esqueça tudo o que foi dito nos últimos 30 anos.
A indústria não sofrerá prejuízos, no entanto: as estatinas devem até ampliar sua participação no mercado. Agora serão prescritas para a multidão daqueles com mais de 7,5% de chance de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral nos dez anos seguintes, risco calculado a partir de uma fórmula nova que já recebe críticas dos especialistas.
Se reduzir os níveis de colesterol não confere proteção, por que insistir nas estatinas? Porque elas têm ações anti-inflamatórias e estabilizadoras das placas de aterosclerose, que podem dificultar o desprendimento de coágulos capazes de obstruir artérias menores.
O argumento é consistente, mas qual o custo-benefício?
Recém-publicado no “British Medical Journal”, um artigo baseado nos mesmos estudos avaliados pelas diretrizes mostrou que naqueles com menos de 20% de risco em dez anos as estatinas não reduzem o número de mortes nem de eventos mais graves. Nesse grupo seria necessário tratar 140 pessoas para evitar um caso de infarto do miocárdio ou de derrame cerebral não fatais.
Ou seja, 139 tomarão inutilmente medicamentos caros que em até 20% dos casos podem provocar dores musculares, problemas gastrointestinais, distúrbios de sono e de memória e disfunção erétil.
A indicação de estatina no diabetes e para quem já sofreu ataque cardíaco, por enquanto, resiste às críticas.
Se você, leitor com boa saúde, toma remédio para o colesterol, converse com seu médico, mas esteja certo de que ele conhece a literatura e leu com espírito crítico as 32 páginas das novas diretrizes citadas nesta coluna.
Preste atenção: mais de 80% dos ataques cardíacos ocorrem por conta do cigarro, vida sedentária, obesidade, pressão alta e diabetes. Imaginar ser possível evitá-los sentado na poltrona, às custas de uma pílula para abaixar o colesterol, é pensamento mágico.

E quando remédio é veneno?

Já tomou sua dose de remédios de hoje?
Taí um assunto que me aborrece quase todos os dias. É o uso descontrolado que fazemos atualmente de medicações. Seja por culpa dos prescritores, seja por conta própria dos consumidores. O fato é que nossa sociedade não sobrevive sem um remediozinho pra aquela dorzinha, agoniazinha por dentro ou insônia.

Dando uma estudada aqui cheguei a um dado estarrecedor: nos EUA, 40% dos casos de intoxicação ocorrem por consumo de medicamentos. O primeiro lugar, com 11.75% dos casos, pertence aos tão propaladamente “inofensivos” analgésicos.
“Ahh, Doutor, dipirona e paracetamol são como água para mim. Não resolvem nada.”

No Brasil não é muito diferente e os remédios permanecem ocupando o primeiro lugar. Não tem estriquinina, água sanitária ou comigo-ninguém-pode que chegue perto.
Enquanto isso as indústrias farmacêuticas permanecem promovendo grandes prescrições inespecíficas para todo mundo em horário nobre na TV, nas grandes revistas ou até nas redes sociais. Cheguei uma vez a flagrar propaganda de um dito expectorante de alguma marca comercial do Ambroxol abertamente no facebook. Com direito a desenhos animados e tudo para chamar a atenção do público infantil. Terrível. Cheguei a tirar o print da tela para tentar alguma denúncia, mas pouco tempo depois não estava mais no ar. Procurei agora e nada…
Enfim, acredito que há muita permissividade quanto a propaganda de medicamentos no Brasil. Não sei direito, mas me falam que em muitos países, mesmo ultra-capitalistas, a coisa é mais regulada, mais controlada. É preciso mais do que nunca fortalecer os mecanismos de controle de propaganda no Brasil. E quanto a remédios, nem se fala…

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Na eleição do SIMEPE, o Voto é na Chapa 1

Nos próximas dias 14 e 15 de março acontece a eleição para a diretoria do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, o SIMEPE.


Peço o apoio e participação de todas e todos à Chapa 1 – Valorização Médica – Avanço e Determinação.


Aprendi ao longo dos últimos a acompanhar de perto excelentes gestões do SIMEPE que tiveram à frente nomes como Ricardo Paiva e Sílvio Rodrigues. E não tenho dúvidas de que a gestão encampada por Mário Jorge dará seguimento a este projeto.


Um projeto que dá conta da importante tarefa de discutir a situação do trabalho em saúde hoje e lutar contra a precarização dos serviços e a entrega do serviço público a setores privados que buscam apenas o lucro com a saúde.


Apesar do muito já feito, é preciso dar continuidade a uma árdua tarefa que vem sendo realizada com afinco, como a busca de melhores condições de trabalho e planos de cargos e carreiras nos municípios. E o seguimento é fundamental!


São alguns dos motivos que me fizeram também optar por estar junto e compor chapa na Diretoria Sindical Regional de Petrolina. 


Por isso, nos dias 14 e 15 vamos participar e votar na Chapa 1 – Valorização Médica – Avanço e Determinação



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Michel Zaidan e a política da desqualificação

Professor Michel Zaidan critica privatização da Saúde em Pernambuco
Na semana passada o professor Michel Zaidan escreveu um artigo criticando a forma como o Governo de Eduardo Campos tem tocado a questão da saúde no Estado de Pernambuco. (leia em Quando a Saúde se transforma num grande negócio.)

Daí, então, acho que num espaço menor que 24 horas já havia resposta pronta por parte do campo que hoje governa o Estado. Veio assinada por um vereador de Paulista chamado Júnior Matuto. Mas com um grande problema: ao invés de debate, somente desqualificações ao professor Michel Zaidan. Sugiro a leitura somente para ter uma idéia do “nívi”: Psicanalisando o Professor Zaidan

Segue o texto que escrevi ao me deparar com esse cenário:

É de conhecimento de todos que o Governo de Eduardo Campos hoje não tem, nem de longe, uma oposição que lhe faça frente. Nem à esquerda e nem à direita. Esta última esturricada e quase que completamente cooptada pela política de hegemonia da chamada Frente Popular encampada por Eduardo Campos.

Mas esse quadro não pode servir de pretexto para atacar pessoalmente a quem ameaça críticas, deixando o debate político de lado. Infelizmente essa tem sido a prática política adotada pelo Governo e seus defensores. Um grande exemplo foi a carta publicada hoje, no Blog do Jamildo, assinada por um vereador da cidade de Paulista-PE de alcunha Júnior Matuto com vários ataques ao Professor Michel Zaidan.

Antes de tudo deixo claro que não conheço pessoalmente nem o Júnior Matuto, nem o Professor Michel Zaidan. O meu lamento surge da ótima oportunidade perdida de se problematizar a fundo a questão da gestão e do financiamento da saúde no Estado de Pernambuco. Ao invés disso, um espaço importante na mídia utilizado com ataques que não nos levam a canto nenhum e nem contribuem com a melhoria das condições de nosso povo.

O debate sobre os caminhos da saúde é essencial para que corrijamos os rumos do SUS e este possa, definitivamente, atender ao máximo aos anseios da população. E, no caso de Pernambuco, faz-se mandatório discutir e aprofundar a escolha pelo modelo de Organização Social de Saúde (OSs). Não dá para entregar hospitais novos e UPAs a uma organização privada (sim, o IMIP é privado)e não esperar que haja uma reação da sociedade.

Por ora, não questiono aqui o trabalho realizado pelo IMIP, até porque conheço profissionais bastante sérios e competentes que ali trabalham. Questiono a opção. E abrir mão da administração direta não parece boa escolha.

Em alguns locais onde o modelo de OSs está há mais tempo em funcionamento, os problemas são vários. Em São Paulo, por exemplo, relatório do Tribunal de Contas do Estado confirma que OSs são deficitárias e menos eficientes. Evidencia também, entre outros pontos,  que o custo é mais alto, a taxa de mortalidade é maior e que há uma ampliação da desigualdade salarial entre os trabalhadores. Afora as várias denúncias de corrupção.

Por tudo isso, espero sempre que Governo e seus defensores aproveitem as críticas para promover o debate, ao invés de esconder-se por trás de críticas pessoais e desqualificações.

Aristóteles Cardona Júnior

Residente em Medicina de Família e Comunidade pela UNIVASF em Petrolina e militante da Frente Contra as Privatizações na Saúde do Vale do São Francisco.


No link ao lado segue o relatório do TCE-SP citado no texto. http://www.chicao.blog.br/tce-os.pdf

EUA pode restringir suco de laranja brasileiro

Nas últimas semanas vários sítios nacionais anunciaram uma possível restrição à entrada do suco de laranja brasileiro em território estadunidense. (Mais informações podem ser vistas neste link e neste também)

O motivo está no agrotóxico, o carbendazim, encontrado no produto importado pela PepsiCo e exportado do Brasil pela Cutrale.

O detalhe é que tal agrotóxico é proibido nos EUA, mas permitido no Brasil. E aí? Como ficamos nós, brasileiras e brasileiros, que consumimos esses venenos sem saber? Na mesma linha, cabe mais uma reflexão: o quão perigoso pode ser o consumo de tal veneno a ponto de se tornar um produto completamente proibido em terras norte-americanas. Ou será que, finalmente, os EUA ingressaram de vez na Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida?

As autoridades brasileiras precisam se manifestar sobre a questão e dar uma resposta ao nosso país. O único membro do governo que manifestou opinião na mídia brasileira foi o Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, do PMDB-RS. O ministro declarou que não há problema nenhum no suco de laranja produzido no Brasil pelas grandes transnacionais. Mas teria ele emitido uma opinião técnica? Duvido muito. Para quem não conhece o Mendes Ribeiro, reproduzo um trecho retirado do sítio do Leonardo Quintão, deputado ruralista do PMDB-MG, que explica bem quem é a figura do primeiro escalão do Governo Federal:

– Katia Abreu disse que Mendes Ribeiro já faz parte da bancada agropecuária. “Ele tem nos ajudado em vários momentos, mesmo porque seu estado tem uma força muito grande no agronegócio”, declarou. A senadora afirmou que Ribeiro votou pela aprovação do Código Florestal na Câmara. “Votou conosco”, disse. –

No discurso, diz-se que os níveis presentes estão abaixo do necessário para comprometer a saúde humana. O que está estabelecido é que determinadas doses do carbendazim podem provocar infertilidade. E quem garante que doses menores a longo prazo também não causem?! 

Mas do que nunca é hora de fortalecer a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Para se ter uma idéia do absurdo ao qual chegamos no uso de agrotóxicos basta analisar o descontrole existente nas vendas. E quer um parâmetro? Neste link, por exemplo, é possível comprar veneno com frete grátis para todo o Brasil! É mole?!

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A Brutal Injustiça Tributária Brasileira

Olha o naipe dos “indignados”
Uma das pautas prediletas da elite brasileira é malhar a supostamente alta carga tributária em nosso país.
Para a falar a verdade, nem quero ser tão polêmico, por isso não vou me deter em discutir se nossa carga é realmente muito alta ou não. O ponto no qual quero focar passa pela campanha midiática permanente que vive num esforço constante de convencer a todas e todos nós de que todas as classes sociais pagam impostos altos no Brasil.  

Lembro que sempre fiquei encucado com os danados dos “impostômetros” facilmente encontrados nas principais capitais brasileiras. E mesmo antes de entrar na Universidade, eu me fazia duas perguntas:
1 – Quem banca aquelas estruturas, em geral painéis grandes, luminosos e em locais com grande circulação de pessoas?
2 – Como podemos colocar no mesmo balaio Seu João, que depende de um salário mínimo para sobreviver e paga impostos, principalmente, em cima do consumo e da sua folha salarial, com figuras como Eike Batista ou Antônio Ermírio de Moraes (vivo na época)?

Acho que o caminho da reflexão é bem por aí mesmo.

Em 2011, o jornal Brasil de Fato publicou um editorial sobre o tema. Chama-se O Impostor Impostômetro. Muito bem elaborado e com dados explícitos sobre o quão desigual é o sistema tributário em nosso país. E aí está o principal problema e merecedor de fato de uma tão propalada Reforma Tributária.

O economista João Sicsu, um dos maiores estudiosos do tema, é muito claro quanto a isso. Em texto seu de setembro/2011, opina: “No Brasil, se por um lado, os programas sociais de transferência de renda, o pagamento de benefícios da Previdência Social pública, a política de valorização real do salário mínimo e a geração de empregos têm tido um caráter fortemente distributivo; por outro, o sistema tributário brasileiro é injusto e regressivo. Em outras palavras, boa parte do gasto público é distributivo; já o sistema tributário sacrifica mais os ‘de abaixo’ e alivia ‘os de cima’. “

Ou seja, ao invés de termos um sistema tributário que leve em conta o poder aquisitivo, sobrevivemos em cima de um modelo “injusto e regressivo”, nas palavras do próprio Sicsu.

Partindo para os números, chegamos a dados da própria Receita Federal que apontam o seguinte quadro:

Com relação a participação relativa na carga tributária total, temos o consumo representando 47,36% desse total, enquanto Propriedade e Transações Financeiras são responsáveis por míseros 4,91%. E quando falamos em renda, corresponde ainda assim a apenas 20% do total arrecadado. 

E por que o imposto sobre o consumo é injusto? Porque ele trata ricos e pobres como iguais. Logo, ainda segundo palavras do Sicsu, “o esforço tributário do rico para pagar o imposto contido no seu ato de consumo é infinitamente menor que o esforço despendido pelo pobre para realizar o mesmo ato.”

A situação citada acima por si só já aponta para a insanidade do sistema brasileiro. Mas há outras absurdidades. Por exemplo, em países como EUA, Suiça e Canadá, mais que 50% da carga tributária advém dos impostos sobre a renda e a propriedade. E impostos sobre consumo não chegam a 20%. E vamos convir que estão longe de serem considerados países comunistas, hein?

E agora? Será que os empresários responsáveis pelos impostômetros topam o desafio de reverter essa pirâmide?

Vamos para outro exemplo da brutal desigualdade? Esse é bem concreto. Enquanto um trabalhador que possui carro muitas vezes realiza um grande esforço para pagar IPVA, proprietários de jatinhos, lanchas e helicópteros são isentos de imposto.

Por fim, então, seria de fundamental importância que passássemos por uma radical reforma tributária em nosso país, com a constituição de um modelo justo e necessariamente progressivo. Mas a verdade é que infelizmente, em nosso atual modelo de democracia, não há a mínima possibilidade de reversão nesse quadro no que depender dos parlamentares eleitos em Brasília. Há muito boas exceções, porém muito poucos. Grande parte já foi eleito com compromisso estreito com a burguesia. São seus representantes.

Resta-nos continuar fortalecendo a mobilização popular, além da constante formação política e muito estudo. Uma população ignorante da sua realidade somente atende aos interesses da própria classe dominante. 

Recomendo a leitura dos seguintes textos:
Mais pobres arcam com a maior parcela da carga tributária brasileira, aponta IPEA
João Sicsu: Quem paga impostos no Brasil?
Classe trabalhadora tem sido equivocadamente identificada como uma nova classe média
A falácia da carga tributária no Brasil
O Impostor Impostômetro – Editoral do Brasil de Fato

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Jornal Nacional lança mentiras sobre Cuba

Não sei como ainda me surpreendo, mas no Brasil o que os grandes meios de comunicação chamam de Liberdade de Expressão é na verdade Liberdade para Mentir.
A mais recente é a série de mentiras que tentam lançar sobre esta pequena ilha do Caribe, mas que tanto incomoda.
Travestidos de suposto jornalismo, escolhem uma pessoa de acordo com a conveniência da linha editorial do Globo e lançam suas palavras para todo o Brasil como verdades absolutas.
Ora essa, gostaria muito que eles explicassem como Cuba possui hoje a menor taxa de mortalidade infantil do mundo ou como foi declarado o único país do mundo sem desnutrição infantil se verdade fosse a declaração da mulher entrevistada afirmando que as pessoas apenas são atendidas se levarem “presentes” para os profissionais de saúde?
Como se não bastasse, a reportagem tenta dar um carater científico trazendo dados informados pela Universidade de Miami, nos EUA. Só pode ser piada.
Enfim… O lado bom é que esta reportagem motiva a lançar logo os relatos da vivência lá na Ilha.
Enquanto isso, da turma que foi, já há grandes relatos:

Lições cubanas para a saúde do povo brasileiro

 E vários outros relatos no blog do povo baiano: baianosnaluta.blogspot.com

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O Mundo está ao Avesso. De Pernas pro Ar.

“Há cento e trinta anos, depois de visitar o País das Maravilhas, Alice entrou num espelho para descobrir o mundo ao avesso. Se Alice renascesse em nossos dias, não precisaria atravessar nenhum espelho: bastaria que chegasse à janela. No fim do milênio, o mundo ao avesso está à vista de todos; o mundo tal qual é, com a esquerda na direita, o umbigo nas costas e a cabeça nos pés.”

Dessa maneira Eduardo Galeano abre o seu livro “De Pernas pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso”. Daqui a centenas de ano será documento fundamental para compreender o quão é absurdo o mundo em que vivemos hoje.

O tempo todos nos chegam notícias que explicitam isso. Tudo num volume tão grande que muitas vezes as notícias mais recentes vão deixando cair no esquecimento mesmo a mais grave das situações.

Uma delas eu faço questão de resgatar. Trata-se de uma excelente reportagem feitas por Charles Souto para o Jornal Brasil de Fato, publicada em 25 de julho de 2001. Segue abaixo.

Ahhh. Quais outras notícias de 2011 escancararam que o mundo está de fato ao avesso?


Comenta aí!


“Médicos das Usinas dão pinga para cortar o efeito do agrotóxico no corpo”
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“De repente a menina cansava sem ninguém sabe como. Tinha que pegar e levar pro hospital às pressas”, relembra Madalena. A cena se repetia todos os dias. Sua sobrinha, à época com quatro anos, tinha crises respiratórias a cada fim de tarde e era socorrida no hospital de São Lourenço da Mata, zona da mata norte de Pernambuco. “Foi então que a médica descobriu que os ataques só aconteciam quando meu irmão chegava em casa do trabalho. Ela pediu pra ele se afastar do serviço por algum tempo. Passou um mês e a menina não teve mais nada, quando ele voltou a trabalhar os ataques voltaram”. O irmão de Madalena aplicava agrotóxicos nos canaviais da usina Petribu.


Os ataques de asma que a sobrinha de Madalena sofria eram causados pelos vestígios de agrotóxico que permaneciam no corpo de seu irmão, “muito embora”, ressalta Madalena, “quando largava do trabalho, ele tomava banho na usina e trocava de roupa antes de ir pra casa”.


O relato de Madalena é reforçado por outras esposas e mães da região, cujos nomes verdadeiros foram preservados para evitar retaliações da usina. “O fedor é muito forte”, lembra Regina, cujo esposo de 30 anos aplica veneno nos canaviais da Petribu pela segunda safra consecutiva. “Quando ele chega do serviço, só entra pela porta de trás. A roupa que ele usa pra ir e voltar do trabalho tem que deixar na porta da casa. Boto na água sanitária e nada do cheiro sair. Tem dia que o fedor é tão forte que não consigo nem ficar perto dele”, completa.


Regina revela que seu esposo já foi parar no hospital municipal depois de passar mal e desmaiar durante a aplicação dos agrotóxicos. “Ele tomou soro e foi liberado. O médico não disse nada sobre o veneno e não passou nenhuma medicação. Até hoje tem dia que ele acorda no meio da noite com o corpo cheio de câimbra.”


Cachaça como remédio


A denúncia mais grave é feita por Rosângela. Há três anos seu marido aplica veneno nos canaviais da Petribu. Segundo ela, desde o ano passado, os médicos da usina determinaram que todos os trabalhadores que manuseassem os agrotóxicos “tomassem uma dose de cachaça por dia, depois de terminado o serviço. Eles disseram que era pra cortar o efeito do veneno no corpo.”


Madalena confirma a acusação: “Na safra passada, eles chamaram meu filho de 19 anos pra trabalhar com veneno. O salário era um pouco maior, mas tinha um porém. Antes eles davam um saquinho de leite pra cada funcionário. Mas agora eles não estavam mais fornecendo leite e sim uma dose de pinga. Quando ele saísse do serviço, ia pra usina, tomava banho, trocava de roupa e recebia uma dose de pinga que era pra poder fazer uma limpeza dentro dele para o veneno não ofender ele”. Seu filho se recusou a beber e acabou desempregado.


“Não tem efeito nenhum do ponto de vista de evitar, de prevenir ou de tratar a questão da intoxicação pelo veneno utilizado na agricultura” esclarece a médica Lia Giraldo sobre os efeitos do leite e do álcool na lida com os agrotóxicos. Professora da UPE (Universidade do Estado de Pernambuco) e pesquisadora titular da Fiocruz/PE, Lia ressalta que “o leite é um alimento e, obviamente, não tem nenhuma consequência desfavorável tomá-lo, mas também não serve para nada do ponto de vista da intoxicação. Com relação ao álcool [cachaça] sim, é muito perigoso. Porque o álcool tem efeito tóxico para o fígado e para o sistema nervoso, assim como a maioria dos agrotóxicos. Então você tem a superposição de dois produtos que são tóxicos, causando uma potencialização do efeito negativo do veneno sobre a saúde humana. Quem receitar esse tipo de coisa para evitar intoxicação, especialmente se for médico, está cometendo um crime e deve ser encaminhada uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina”, enfatizou.


A pesquisadora lembra que o uso do álcool pode descaracterizar a intoxicação química por agrotóxicos, já que ambos produzem sintomas parecidos, tornando muito difícil a realização de um diagnóstico diferencial. “Na hora de fazer o diagnóstico vão dizer que o problema do trabalhador é porque ele bebe e não porque ele está exposto ao agrotóxico”, conclui Lia.


No ar, na terra e nas águas


Não são só os trabalhadores que sofrem com o uso indiscriminado dos agrotóxicos nos canaviais pernambucanos. Os 522 alunos da Escola Municipal Luiz Carlos de Moraes Pinho, localizada no distrito de Chã de Sapé em Itaquitinga, assistem suas aulas a poucos metros dos canaviais da Usina Santa Tereza. De acordo com Ivone, diretora da escola, “quando eles queimam as canas, a escola tem que liberar os alunos e suspender as aulas”. A professora de informática Ivete lembra que “há três anos, a Fusam [Fundação de Saúde Amaury de Medeiros] veio aqui fazer exame de vista nas crianças. Muitas crianças foram diagnosticadas com tracoma [uma forma de conjuntivite crônica que pode levar a cegueira] e os médicos associaram ao veneno que se espalhava com as queimadas da cana. Na época, a prefeitura foi acionada, mas até hoje nada foi feito”.


A agente de saúde lvanusa da Silva lembra que as famílias tinham o costume de cultivar algumas lavouras brancas para alimentação, como o mamão, “mas com o veneno despejado pelos aviões da usina, o mamão fi cava todo amarelado, não conseguia sobreviver. Não podemos plantar nada porque afeta”. Ivanusa informa que os aviões passam todos os finais de semana, logo cedo, despejando veneno nas canas e nas casas, indiscriminadamente. “Passa tão perto que parece que vai rasgar o teto em cima das casas”, completa a agente de saúde.


Em um desses voos rasantes, Dona Nelinha, 60 anos, acabou recebendo um banho de veneno. “Estava caminhando ali na estrada, de manhã cedinho, umas 5h. Só ouvi o barulho e quando vi o produto foi despejado do avião e salpicou veneno nos meus braços e no meu rosto. Eu acredito que isso não aconteceu só comigo, porque na estrada passa muita gente pra lavar roupa, o pessoal que chega do trabalho, todo mundo passa por essa estrada. É um produto que não faz bem pra nossa saúde, não é? Isso não faz bem pra comunidade”, afirma a moradora aposentada.


Para completar o quadro, a Associação de Moradores de Chã de Sapé denuncia que o poço responsável por armazenar a água que abastece os cerca de 800 domicílios do distrito está contaminado pelos agrotóxicos utilizados nos canaviais.


Agrotóxicos, abortos e câncer


Os casos denunciados pelos moradores de São Lourenço da Mata e Itaquitinga se repetem por diversos municípios tomados pelas plantações de cana na região. Mas, de acordo com os estudos levados adiante pela professora Lia Giraldo e a Fiocruz, há outras culturas em que os agrotóxicos também estão causando sérios danos à população e ao meio ambiente.


De acordo com Lia Giraldo, pesquisas realizadas com as mulheres envolvidas diretamente na produção de tomate no município de Camucim de São Félix, agreste pernambucano, constataram que 70% delas haviam abortado e 11% tiveram fi lhos com deficiências físicas ou distúrbios neurocomportamentais. Levantamento feito no ano de 2009 pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) evidenciou a contaminação ambiental de cacimbas e açudes pelo agrotóxico metamidofós, cuja classe toxicológica é a de nível I: extremamente tóxico. Além disso, estudos da Fiocruz identificaram na região do Vale do São Francisco 108 agrotóxicos diferentes utilizados na fruticultura com forte potencial de indução de câncer. 87% destes agrotóxicos foram classifi cados como carcinogênicos e 7% pré-carcinogênicos.


Lia Giraldo lembra que o consumo de agrotóxicos só aumenta em Pernambuco e em todo o país. Em 2009, haviam 2.195 produtos agrotóxicos registrados no país e as vendas chegaram a 789.794 toneladas, o equivalente a 6,8 bilhões de dólares. Em 2010, essa cifra alcançou os US$ 7,1 bilhões. Para a professora, o uso indiscriminado de agrotóxicos representa um “grave problema para a saúde pública, ainda que seus riscos e efeitos sejam ocultados e invisibilizados pela propaganda, pela ausência efetiva de controle dos órgãos públicos e pela falta de informação dos consumidores”.






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A Atenção Primária Ideal em Cordel

Uma postagem em homenagem ao meu amigo Thiago Gaúcho com o seu cordel da Atenção Primária!
A Atenção Primária Ideal
ou
O Vôo do Boi Voador
Este é um exercício de sonho
que a gente faz no coletivo e não no individual,
vamos juntos todas e todos pensar e sonhar
com a APS ideal
Vamos aproveitar a Cultura de nossa cidade natal
e deixar nossa mente voar livremente
que nem aquele boi de Nassau

Pra começar a falação e acabar com embromação
vamos falar do povo, que é nossa obrigação
pois não se engane com O.S. nem prefeitura
o Povo sim é nosso patrão
Teremos um SUS fortalecido na estrutura Estatal
pois o privado já faz tempo que se deu mal
e o povo agora sabe que o sistema é único,
de qualidade e universal
Equipe sobrecarregada não vai mais existir
pois no dia que a APS ideal surgir
haverá reunião pra que equipe e população
possam juntos decidir
quantas serão as famílias a assistir
A equipe multiprofissional também terá seu espaço na APS ideal
e ela será reflexo do fim da corporação
pois há muito o povo determinou que desse fim à confusão
de colega de trabalho brigando por farinha em seu pirão
o profissional valorizado cumprirá sua obrigação,
fazendo todo trabalho com amor e dedicação
pois aprendeu que o certo é servir, e nunca
se servir de nossa população
A APS ideal será a atenção primordial
valorizada que só ela, e isso não é banal
pois o povo agora sabe que não se trata
de saúde dentro do hospital
A APS ideal vai valorizar o saber popular
terá práticas integrativas e muito mais pra se mostrar
mas isso não vai significar que a ciência que temos hoje
precisamos descartar
É dessa forma que a saúde vai se desmedicalizar
pois nosso povo vai saber muito como se cuidar
e saberá que não é somente com comprimido e injeção,
nem mesmo com propagandanda de televisão
que a saúde vai deslanchar
E dinheiro? Isso não será problema pessoal!
Pois já faz muito tempo que se fez algo fundamental
um pé na bunda da dívida pública, outro no do capital
e finalmente agora temos um Estado Social
Mas pra ter tudo isso, sem ser mesmo maniqueísta,
mas sendo é muito realista, tudo isso só será
possível na sociedade Socialista
E pra quem vier dizer que isso tudo é ilusão,
que Estado Social, SUS e comando da população
é sonho que não sai do chão
eu lhe digo prontamente: quem vai fazer isso é a gente
e esse boi vai voar mais alto que Avião!
09/02/11
Thiago Henrique dos Santos Silva
Médico Residente de Medicina de Família e Comunidade
HC-UFPE

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O Veneno está na Mesa será lançado no Vale do São Francisco

CONVITE:
É com enorme satisfação que viemos por meio deste convidar V.S. para o lançamento do filme “O Veneno está na Mesa” do cineasta Sílvio Tendler. Na oportunidade, após a exibição do filme, teremos a presença do próprio cineasta para debate e encaminhamento da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, no vale do São Francisco.
         Em tempo, aproveitamos para solicitar a divulgação do evento em sua organização. O evento será gratuito e aberto a todos e todas.
Onde?   No Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina – STR/Petrolina
                  Endereço: Avenida das Nações, n.º 280, Gercino Coelho, Petrolina
Quando? Dia 24/09/2011, Sábado, às 14 horas.

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