Canción del Sainete Póstumo

Uma sugestão do professor e amigo cubano, Dr. Luís Bello, que me mantém informado acerca das novidades da querida e amada Havana, em Cuba.

Canción del Sainete Póstumo
De Rubén Martínez Villena

Rubén Martínez Villena
Yo moriré prosaicamente de cualquier cosa.
El estomago, el hígado, la garganta, el pulmón.
Y como buen cadáver descenderé a mi fosa envuelto en un sudario santo de
compasión.
Aunque la muerte es algo que diariamente pasa. Un muerto inspira siempre cierta
curiosidad.
Así, llena de extraños abejeará la casa y estudiará mi rostro toda la vencidad.
Luego, será el velorio. Desconocida gente, ante mis familiares inertes de llorar,
con el recelo propio del que sabe que miente recitará las frases del pésame
vulgar.
¿Tal vez una beata?, neblinosa de sueño, mascullará el rosario mirándose a los
pies. Y acaso los más viejos me fruncirán el seño al calcular su turno más próximo
después.
Brotará la hilarante virtud del disparate o la ingeniosa anécdota llena de
perversión. Y las apetecidas tazas de chocolate serán sabrosas pausas en la
conversación.
Los amigos de ahora, para entonces dispersos, reunidos junto al resto de lo que
fue mi yo, constatarán la escena que prevén estos versos y dirán en voz baja, todo
lo presintió.
Y ya en la madrugada, sobre la concurrencia, gravitará el concepto solemne del
jamás, vendrá luego el consuelo de seguir la existencia y vendrá la mañana, pero
tú, no vendrás.
Allá, donde vegete felizmente tu olvido, felicidad bien lejos de la que pudo ser,
bajo tres letras fúnebres, mi nombre y apellidos dentro de un marco negro te harán
palidecer.
Y te dirán ¿Qué tienes? Y tú dirás que nada. Mas te irás a tu alcoba para disimular
me llorarás a solas con la cara en la almohada y esa noche tu esposo no te podrá
besar.

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Aos Sonhos – Ademar Bogo

Do livro Cartas de Amor de Ademar Bogo

Cartas de amor Nº 9
AOS SONHOS
É proibido sonhar quando a alma não quer sentir e, nem sequer imaginar os passos que deve dar, teimando em se acomodar pra não ver a flor florir.
Há sonhos que dão errado. Há sonhos de desespero. Há sonhos de pesadelos e, alguns de solidão. Há sonhos egoístas, fatalistas, entreguistas que alimentam a exploração.
Os sonhos verdadeiros são coerentes; espalham em cada passo um bocado de sementes, para fazer o jardim do amanhecer. São os que movem as mãos e os braços, para oferecer o corpo, aos abraços de prazer.
Sonhar que se está sozinho é não ser nada. Os sonhos são a madrugada que espera o dia se fazer. Pesadelo não existe para quem sonha ao lado de alguém que também sonha. Que não se envergonha de sonhar com outro alguém, que busca o mesmo destino, como o menino que chama pela mãe.
Sonhar é não querer ir só para um lugar melhor. É ver em cada olhar um pedaço do lugar onde descansa a esperança. Quem sonha sempre é criança; tem energia, tem alegria, tem confiança…
É duro sonhar perto dos desanimados. É como ver a flor se abrir às margens de um rochedo: o sonho é engolido pela indecisão e o medo. 

É preciso sonhar com as montanhas de onde vem o guerrilheiro ao lado da companheira, trazendo uma bandeira embrulhando o coração. Trazendo a revolução organizada em fileiras, desfazendo-se em brincadeiras de roda, de São João; que se misturam à poeira dos passos de cada irmão.
É preciso sonhar com a floresta que se empresta para cada geração. Que pede proteção, dá o fruto e a raiz, cura a dor e a cicatriz feita na pele queimada. Dá sombra, terra molhada e faz a gente feliz.
Sonhar com a água doce na cacimba e no açude. Sonhar com a juventude; ás margens do rio perfeitas. Sonhar com as boas colheitas das lavouras irrigadas; com a água à beira da estrada, que nos leva até ao futuro. Sonhar também com ar puro, e o beijo da namorada.
É preciso sonhar mais: sentir de perto e distante, aproximar o horizonte e surpreender autopia, que chega um pouco por dia em cada passo caminhado. Sonhar com o céu nublado prometendo água nova, com as sementes nas covas; nascendo um povo mudado.
Sonhar com os passarinhos cantando sobre as escolas. Sonhar com jogos de bola, com danças e cantorias. Sonhar com a alegria que se dá até de esmola.
Sonhar com muitos valores, com uma nova cultura e, também com a ternura e a generosidade. Com a solidariedade na palma da mão aberta; cama, colchão e coberta e uma mesa com fartura.
Sonhar enfim com a vida, com respeito e igualdade. Sonhar com dignidade e um mundo não dividido. Com um povo tão sabido que chega até ser medonho. Sonhar em fazer do sonho um grande acontecimento; onde os dedos se cruzando, segurem a delicadeza e, acalentem a pureza de quem sonha, mas lutando.

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Autodefinição por Oscar Niemeyer


Autodefinição
Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo ar, pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,
os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.
                                              Oscar Niemeyer

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Proclamação do amor antigramática



Por Mário Lago


Dá-me um beijo”, ela me disse,
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala “dá-me” não ama,
Quem ama fala “me dá”
“Dá-me um beijo” é que é correto,
É linguagem de doutor,
Mas “me dá” tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor,
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero
Quem não diz “amo-te”. aposto
Que em casa ele é mais sincero
E diz pra mulher: “te gosto”
Delírio dos olhos meus,
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
“Hoje estou menas formosa,
Com licença, vou se indo”.
Comete miles de erros,
Mistura tu com você,
E eu proclamarei aos berros:
“Vós és o meu bem querer

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Liberdade


Liberdade 

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte. 

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,

por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.

Marighella

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