Quem vai denunciar o presidente do STF?

Devemos aumentar nossos esforços para por lutar para uma reforma política ampla, de todo sistema político – incluindo o Poder Judiciário – que somente virá com a convocação de uma Assembleia Constituinte 
22/05/2014
Editorial da edição 586 do Brasil de Fato
Nas últimas semanas, a sociedade brasileira assistiu estarrecida às ilegalidades praticadas por ninguém menos do que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), organismo que tem o dever constitucional de zelar pelo cumprimento das leis.
Já não bastassem as claras manifestações do magistrado ao longo do processo AP – 470, sempre atuando de forma discricionária, persecutória, alimentado pela mídia burguesa ávida de punição exemplar, por atos políticos, que são correntes em todas as práticas dos partidos políticos brasileiros: o uso de Caixa 2 das campanhas eleitorais pelo financiamento das empresas.
A Casa Grande precisava dar uma demonstração à senzala de quem ainda manda na fazenda Brasil. Podemos até eleger o capataz, mas jamais questionar a propriedade!
Porém, no final do processo, contrariando os interesses ideológicos de uma direita cada vez mais reacionária a qualquer mudança no país, o colegiado do supremo reverteu a pena e permitiu o seu cumprimento trabalhando fora da cela, durante o dia.
Parece que o senhor Joaquim Barbosa tomou por provocação a decisão da ampla maioria de seus colegas, e resolve se “vingar” abusando de suas prerrogativas. Usando todo tipo de argumentos escusos, manipulando-os, não concedeu esse direito legítimo aos réus. Pior, cancelou até direito já concedido a alguns deles.
A direita exultante segue de forma incessante a estimulá-lo nos meios de comunicação de massa que controla. Não só alimentando seu ego, mas mais do que tudo, parece que a direita brasileira descobriu que como já não pode usar as “fardas” do passado em sua defesa, agora prefere usar a toga! Usa a toga contra dirigentes partidários do governo que está no comando do Executivo federal, como uma forma de vigiá-los. Usa a toga contra as manifestações populares e toda luta social. Usa a toga para proteger a Polícia Militar dos abusos que comete na repressão em todo país.
Agora, a toga chegou ao absurdo de condenar as religiões afrodescendentes, como práticas inaceitáveis, somente porque a Casa Grande não gosta de subversivos terreiros?
Sobre o antidemocrático financiamento das empresas às campanhas políticas, a toga não se manifestou. Os jornais denunciaram que um “colégio eleitoral” formado por 117 empresas, empreiteiras, bancos, SA estrangeiras e agronegócio gastaram nas últimas duas eleições mais de R$ 4 bilhões para eleger seus preferidos nos governos e nos parlamentos.
Sobre propinas e corrupções notórias de empresas estrangeiras na construção de metros etc. nenhuma palavra. Sobre as escandalosas privatizações que doaram o patrimônio de todo o povo a algumas empresas, e que, inclusive, corre ainda nos tribunais a anulação do leilão fraudulento da empresa VALE, nenhuma palavra!
Envergonhado talvez por seu ato-falho descabido, o supremo magistrado correu aos cofres públicos para devolver R$ 3.414, dos R$14 mil reais que recebeu de diárias, para viagem a Europa, quando estava de férias!
Diante de tudo isso, é necessário que as forças populares, os movimentos sociais, a sociedade brasileira se manifeste sobre as ilegalidades cometidas por esse senhor. As medidas que ele tomou cancelando direito de trabalhar, durante a pena, gera jurisprudência que afeta imediatamente mais de 500 mil cidadãos brasileiros que estão cumprindo a pena desta forma. Como também fere toda construção democrática de nosso direito, de que as penas devem ser educativas, recuperadoras do ser humano e não apenas persecutórias.
É necessário denunciar essa clara perseguição que impõe injustiças descabidas aos réus. Por isso, independente de analisar aqui o mérito do processo e a atitude dos réus, mais que tudo devemos manifestar nossa solidariedade a eles, pelas injustiças que estão sofrendo e pelo abuso, que pode afetar a milhares de brasileiros e a toda sociedade.
Esperamos, como jornal que expressa a posição dos movimentos sociais brasileiros, que o pleno do Supremo Tribunal Federal se reúne com o máximo de brevidade para julgar os recursos apresentados pelos advogados das vítimas, e assim, em nome da Constituição Brasileira e da sociedade, recomponha a justiça e o procedimento que ele mesmo determinou, e repare as estripulias do seu presidente.
Sobre a natureza da “toga” brasileira e as inaceitáveis distorções do sistema político brasileiro, devemos aumentar nossos esforços para lutar por uma reforma política ampla, de todo o sistema político – incluindo o Poder Judiciário – que somente virá com a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva – eleita de forma soberana, sem os financiamentos de empresas – para de forma rápida e contundente fazer as mudanças democráticas necessárias a todo o sistema político brasileiro.

Defender Joaquim Barbosa: ingenuidade ou má fé mesmo

Foto do Portali9
Aécio Neves e Antônio Anastasia (PSDB) premiando o amigo Joaquim Barbosa.
Que Joaquim Barbosa é arrogante e prepotente ninguém pode negar,certo? Mas o que tem chamado a atenção, desde que pipocou com força questões relacionadas ao julgamento da AP 470, o do suposto mensalão, é a forçosa tentativa de transformá-lo num herói orquestrada e tocada pela grande imprensa e que se reflete em um ou outro por aí.
Grande exemplo disto que falei foi a campanha extensa para popularizar a máscara do Joaquim Barbosa durante o carnaval de 2013. E a verdade é que foi um verdadeiro FRACASSO. Rodei por todo o carnaval de Olinda e Recife em alguns dias e não vi NENHUMA máscara dele. Amigos daqui e de outros estados, como o Rio de Janeiro, fizeram referências parecidas.
Até publiquei aqui no blog, no dia 11/02/13, um comentário especificamente sobre isso que pode ser acessado no link que segue:
A “novidade” agora é toda a notoriedade que buscou conquistar com a prisão de alguns dos envolvidos no julgamento. Não tenho dúvidas de que a história mostrará todos os interesses envolvidos neste processo.
Joaquim Barbosa sendo carinhoso com algum jornalista
O fato é que denúncias recaem sobre este senhor, mas a grande mídia e representantes da direita brasileira fingem ignorar e continuam a propalar a imagem do ‘herói”. Para mim cabem duas possibilidades nesta situação:
Ou estamos falando de ingenuidade verdadeira ou de má fé. Não há como ser diferente.
Transcrevo abaixo uma postagem de Stanley Burburinho sobre o Joaquim Barbosa:

1 – Dia 10/05/2012: Joaquim Barbosa divulga relatório do mensalão – http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/manchetes-anteriores/joaquim-barbosa-divulga-relatorio-do-mensalao/

2 – No mesmo dia 10/05/2012, Joaquim Barbosa abre em Miami a empresa Assas JB Corp, que ele se declarou presidente, o que é proibido por lei, e deu o endereço de contato o endereço do apartamento funcional do STF que nóspagamos. Isto é, ele terá lucro com a empresa de Miami usando recursos da União sem pagar por isso. Veja aqui o documento oficial do Estado da Flórida sobre a empresa: http://search.sunbiz.org/Inquiry/CorporationSearch/SearchResultDetail/EntityName/domp-p12000044121-42bd6d68-4e0e-4a63-978a-29d568f74b86/Assas%20JB%20Corp/Page1


3 – No dia 14/05/2012, 4 dias depois de Joaquim Barbosa anunciar o relatório do “mensalão” e abrir a empresa, ele compra um apartamento em Miami avaliado em R$ 1 milhão, mas segundo o cartório de lá, ele só pagou US$10(dez dólares). Veja o documento oficila do cartório de Miami- http://ocafezinho.com/wp-content/uploads/2013/07/ScreenHunter_2132-Jul.-22-16.37.jpg

4 – Joaquim Barbosa disse na imprensa que não dará explicações sobre a tal empresa em Miami nem sobre o apartamento nem como enviou os US$ para pagar o apartamento.


Mas será que veremos isso na grande mídia ou nos perfis da direita em nosso país? Dificilmente.
Cabe ao PT, a despeito da correlação de forças ainda díficil em nossa sociedade e dentro do governo, saber encarar esta grande mídia. E não é um discurso esquerdista. Basta escutar pessoas como o Franklin Martins e pôr limite em gente como Paulo Bernardo. Não é tarefa simples. O que não dá é para continuar desta maneira.

 Assine o Feed do Propalando para nos acompanhar.

Financiamento Público de Campanha Já!

Reproduzo abaixo texto da jornalista Cynara Menezes, da Carta Capital, pela precisão na análise.

Li no blog dela: Socialista Morena

Por que prender Zé Dirceu não vai mudar o Brasil. Ou: é o financiamento público de campanha, estúpido!

Não vejo como algo “normal” que o PT tenha feito caixa 2 para eleger Lula em 2002. Não acho “normal” que o PT, partido que cresceu prometendo ser diferente dos demais, tenha agido igualzinho aos outros. Sim, acho justo que políticos comecem a pagar por estes erros. Mas não, não acho que a prisão de José Dirceu é, como pinta a grande imprensa, um acontecimento capaz de mudar toda a maneira como se faz política no Brasil. Como se a prisão de uma só pessoa fosse uma espécie de derrubada das torres gêmeas da corrupção. Isso é mentira, um artifício para manipular o eleitor contra o PT e encobrir algo muito maior que Dirceu.
Escrevo para você, vítima do mau jornalismo de veículos que colocam o ex-ministro da Casa Civil de Lula na capa, com ares de demônio, e promovem biografias mal-escritas (leia aqui e aqui) onde Zé Dirceu é pintado como “o maior vilão do Brasil”. Você, que se empolga com as manifestações quando elas ganham espaço na mídia, mas não vai a fundo nas questões quando passa a modinha. Você, que repete chavões ouvidos no rádio e na televisão contra a corrupção, embora ache política um assunto chato e fuja de leituras mais aprofundadas sobre as razões pelas quais a tal roubalheira existe. Eu vou tentar te explicar.
Zé Dirceu e os “mensaleiros”, ao contrário do que estes orgãos de desinformação tentam lhe convencer, não são a causa da corrupção na política, mas a consequência dela. Infelizmente, no Brasil, para eleger um político é preciso ter dinheiro, muito dinheiro. E é preciso fazer alianças com Deus e o Diabo. Não foi Zé Dirceu que inventou isso, é a forma como a política é feita no País que leva a essa situação. As campanhas são financiadas com dinheiro de empresas, bancos, construtoras. Você daria milhões a um político? E se desse, não ia querer nada em troca? Para você ter uma ideia de como são as coisas, o verdadeiro erro do PT neste episódio foi não declarar, nas prestações de contas eleitorais, que estava dando dinheiro para outro partido. Declarando, dar dinheiro a outro partido é perfeitamente legal, imagine!

Nenhum destes órgãos de imprensa que crucificam Dirceu foi capaz de explicar para seus leitores que só o financiamento público de campanha poderia interromper este círculo vicioso em que entrou a política nacional desde a volta da democracia: rios de dinheiro saem de instituições privadas para todos os candidatos durante as eleições. Em 2010, a candidata vencedora Dilma Rousseff, do PT, arrecadou 148,8 milhões de reais de construtoras, bancos, frigoríficos, empresas de cimento, siderurgia. O candidato derrotado José Serra, do PSDB, arrecadou 120 milhões de reais também de bancos, fabricantes de bebidas, concessionárias de energia elétrica.
Quem, em sã consciência, acredita que um político possa governar de maneira independente se está financeiramente atrelado aos maiores grupos econômicos do País, em todos os setores? Muitos especialistas defendem que esteja nessa promiscuidade da política com o capital privado a origem da corrupção. Eu concordo. Não existe almoço grátis. Só um ingênuo poderia achar que estas empresas, ao doarem milhões a um candidato, não intencionam se beneficiar de alguma forma dos governos que ajudam a eleger. Prender José Dirceu não vai mudar esta realidade.
Se, na próxima semana, o ministro Joaquim Barbosa decretar a prisão imediata dos “mensaleiros” e isto fizer você pular de alegria, lembre-se do velho ditado: “alegria de pobre dura pouco”. Enquanto José Dirceu estiver na cadeia, pagando, justa ou injustamente, pelos erros da política nacional, as mesmas coisas pelas quais ele foi condenado estarão acontecendo aqui fora. A prática nefasta do caixa 2, por exemplo, não vai presa junto com Dirceu. As negociatas no Congresso não vão para detrás das grades. As alianças com o conservadorismo, com o agronegócio, com as empreiteiras, continuarão livres, leves e soltas.
Sem uma reforma profunda, todos os males da política continuarão a existir no Brasil a despeito da prisão de Dirceu ou de quem quer que seja. Leia o noticiário, veja se a reforma, a despeito das promessas após as manifestações de junho, está bem encaminhada. Que nada! Ao contrário: o financiamento público de campanha foi o primeiro item da reforma política a ser escamoteado pelos congressistas. Não interessa aos políticos que o financiamento privado acabe –e, não sei exatamente por que, tampouco interessa à grande imprensa. Nem um só jornal defende outra forma de financiar a política a não ser a que existe hoje, bancada pelo dinheiro das mesmas empresas que irão lucrar com os governos. Uma corrupção em si mesma.
O financiamento público de campanha poderia reduzir, por exemplo, os gastos milionários dos candidatos em superproduções para aparecerem atraentes ao público no horário gratuito de televisão, como se fizessem parte da programação habitual do canal. Político não é astro de TV. O correto seria que eles aparecessem tal como são, sem maquiagem. Sem tanto dinheiro rolando, também acabaria um hábito nefasto que até o PT incorporou nas últimas campanhas: pagar cabos eleitorais para agitarem bandeiras nos semáforos. Triste da política e dos políticos quando precisam trocar o afeto de uma militância genuína por desempregados em busca de um trocado.
Sinto dizer a você, mas a única diferença que haverá para a política nacional quando José Dirceu for preso é que ele estará preso. Nada mais. E sinto muito destruir outra ilusão sua, mas tampouco mudará a política brasileira a morte de José Sarney, que vejo muita gente por aí comemorando por antecipação. O buraco é mais embaixo e muito mais profundo. Eu pessoalmente trocaria a morte de Sarney e a prisão de Dirceu por um Brasil que soubesse escolher melhor seus representantes. E fosse capaz, neste momento, de lutar pelo que de fato pode revolucionar a política: o financiamento público de campanha. Alguém está disposto ou a prisão de Zé Dirceu basta?

Publicado em 14 de novembro de 2013


 Assine o Feed do Propalando para nos acompanhar.

Alguém viu o Joaquim Barbosa por aí?

A grande mídia tentou, tentou, tentou… e tentou.
Forçaram a maior barra, mas foi tudo em vão.
Desde 2012 eles vêm anunciando que a máscara de Joaquim Barbosa seria um estouro, que bateria recordes de vendas, enfim, que seria uma verdadeira febre do carnaval.
A forçada de barra foi tão grande que botaram até a perua da Ana Maria Braga divulgando a máscara, como pode ser notado na imagem abaixo:
Ana Maria Braga fantasiada de Joaquim Barbosa. Faz sentido.

Na ocasião, a apresentadora incentivava o uso até pelas mulheres, sugerindo que usassem biquinuis por baixo da toga.
Mas a verdade é que a tentativa deu em verdadeiro fracasso. Pelo que tenho lido sobre o carnaval em outros estados e pelo que vi nas ruas de Recife e Olinda até agora é que todo o esforço deu em nada.
Não vi NENHUMA máscara do Joaquim Barbosa. Em canto nenhum. Não que alguém não possa ter usado. Não duvido. Mas que a tentativa de massificar deu em água… ah, isso deu.

 Assine o Feed do Propalando para nos acompanhar.

Policarpo e VEJA estão por um fio

Policarpo Júnior, diretor da Veja e pertencente à Máfia do Cachoeira
Campanhas eleitorais estão pegando fogo Brasil afora, mas dois assuntos tomam conta da imprensa neste período pós-olimpíadas:
1) O Julgamento da Ação Penal 470 no STF, apelidada por Roberto Jefferson e pela grande mídia de “Julgamento do Mensalão”. Virou a frente de batalha principal da direita reacionária em nosso país e tem como alvo sangrar o máximo que puder o PT.
2) CPMI do Cachoeira.
Por motivos ÓBVIOS, a imprensa deixou um pouco de lado a CPMI e centra o cacete no julgamento do STF. 
Mas o que me chamou a atenção hoje foi a notícia veiculada pelo Blog da Cidadania. Nela, o jornalista cita que faltariam somente 4 votos para que haja número suficiente para a convocação de Policarpo Júnior, diretor da sucursal de Brasília da VEJA. Seria fantástico.
O jornalista já contabiliza os votos do PSOL, PCdoB, PSB, PTB (do Collor) e os do PT. Diz que a reportagem de capa da Carta Capital do último de fim de semana, assinada por Leandro Fortes, foi determinante.
O GRANDE problema está no fato de que os 4 votos restantes dependeriam do PMDB. E todos os indícios apontam que este partido não teria muito interesse nesta convocação. Há fortes rumores que dão conta de uma acordo fechado entre o vice-presidente da república, o Michel Temer, com as organizações Globo e com a Veja, que estariam dando uma trégua ao governo (não necessariamente ao PT), em troca da garantia de não ter importantes entes seus convocados para a CPMI.
Vamos acompanhar os próximos capítulos…

 Assine o Feed do Propalando para nos acompanhar.