Honduras y un fraude que exige urgente respuesta

por Carlos Aznárez


Era mundialmente conocido que durante los últimos meses, todas las encuestas, inclusive las de la oposición mostraban que el triunfo de la candidata del Partido Libre era irreversible. Xiomara Castro, acompañada por verdaderas movilizaciones multitudinarias había recorrido el país y a su paso no sólo recibía el júbilo clamoroso de sus seguidores, sino todo tipo de improperios por parte de la derecha oficialista. Estos últimos gestos respondían, sin duda, a la contundencia del apoyo popular para el Partido Libre, que prácticamente aseguraban su triunfo.

Sin embargo, las previsiones de fraude no dejaban de ser una amenaza. Lo recordaban ayer mismo varios de los observadores internacionales que con el correr de las horas y al ver que el Tribunal Supremo Electoral (TSE) ocultaba miles de actas y consagraban “manu militari” el triunfo al candidato oligárquico Juan Orlando Hernández,  se desesperaban para investigar en qué “Tríangulo de las Bermudas” habían desaparecido esas decenas de miles de votos para Xiomara que cada uno de los fiscales de Libre habían visto en el conteo urna por urna. Incluso, otro de los candidatos, Salvador Nasrala, del Partido Anti-Corrupción, ya ha anunciado su desconocimiento de los resultados emitidos por el TSE, debido a lo descarado del fraude existente.

El gran problema ha residido, y ahora lo reconocen algunos dirigentes de Libre, es haber tenido la ingenuidad de reconocer de antemano a este TSE, cuyos integrantes son los mismos que avalaron el golpe militar de 2009. Se pecó indudablemente de cierta ingenuidad, al creer que quienes durante estos años generaron un golpe de Estado, masacraron al campesinado del Aguán, ampararon el asesinato de periodistas y encarcelaron a miles de hondureños, podían organizar un acto electoral para ser finalmente derrotados. La burguesía no se suicida, y sólo puede ser jaqueada a través de la movilización popular.  Alli reside una de estas contradicciones que casi siempre generan estas democracias no representativas y mucho menos participativas: imponer instituciones amañadas y corruptas, integradas por jueces o funcionarios venales que cumplen a la perfección la consigna de salvar al capitalismo y avalar la represión que sea necesaria para imponer sus designios. 

Fue precisamente ese TSE el que está dando a conocer resultados en los que la gran mayoría del pueblo no cree. Y eso ocurre así, porque el sistema hondureño, ese mismo que en su momento fue “perdonado” injustamente por la gran mayoría de los países latinoamericanos para que vuelva a los foros continentales, dándole la espalda a la heroica Resistencia Popular, no va a ceder ni un ápice frente a quienes desean que se produzcan cambios profundos.

Xiomara Castro ha ganado las elecciones, sin duda, (con una ventaja de alrededor de 5 puntos sobre el oficialismo) pero ocurre que la derecha oligárquica y golpista maneja todos los resortes del poder (ejecutivo, legislativo, judicial, mediático) y puede darse el gusto de generar esta perversa contradicción: la victoria obtenida en las urnas se ha perdido en el escrutinio. No es muy distinto a lo que le ocurrió en dos oportunidades a los seguidores de Andrés López Obrador en México, y ese ejemplo marca también algunas enseñanzas. Lo que se pierde en el fraude comicial es necesario ganarlo en la calle, y sin pérdida de tiempo. Ya lo expresó el referente del Frente Nacional de la Resistencia Popular y del partido Libre, Juan Barahona: “No nos vamos a quedar con los brazos cruzados y si nos roban el triunfo, volveremos a lo que hemos hecho siempre, resistir, resistir y resistir en las calles hondureñas”.

Xiomara Castro ha ganado y el actual momento no parece que se pueda resolver sólo con denuncias ni con conferencias de prensa, bajo el riesgo de defraudar a quienes tanto han luchado desde aquellas jornadas inolvidables de 2009. Se hace necesario antes que nada preservar la unidad alrededor de  Libre, y por otro lado, que su dirigencia  reconduzca rápidamente el proceso y dé señales claras a nivel nacional e internacional de que está dispuesta a no dejar pasar este nuevo robo a la voluntad mayoritaria de su pueblo. Si se cierran las puertas de la legalidad pseudo democrática, si se trata de imponer una victoria continuista con el desparpajo de manejar un Tribunal fraudulento, al pueblo hondureño no le va a quedar otro camino que la confrontación directa con sus enemigos de clase. Doloroso pero cierto por todas las consecuencias que ello acarrea. Pero hay circunstancias de los pueblos en las que seguir poniendo “la otra mejilla” significa prolongar la agonía.

Lo ocurrido este domingo en Honduras es algo bien sabido pero que constantemente se repite para desgracia de los pueblos: las llamadas democracias “formales” representan una maquinaria para sostener las sacrosantas instituciones del capitalismo. Para llevarlo a cabo apelan a fraudes escandalosos, como en este caso, o utilizan la prepotencia policial-militar si fuera necesario, como ocurriera en la misma Honduras en otras oportunidades. 

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Eleições decisivas para a resistência popular Hondurenha

Compartilho abaixo texto do companheiro Ronaldo T Pagotto sobre a importante eleição presidencial em Honduras neste fim de semana.


Passados 4 anos do golpe militar que derrubou Mel Zelaya, após uma longa marcha de resistência, a luta popular participará ativamente das eleições gerais no próximo dia 24 de novembro. Alguns desafios e perspectivas da luta em Honduras.
O dia quase amanhecendo, domingo, pouco antes das 5 da manhã, foi possível ouvir uma rajada de tiros atingir algo de metal. Em seguida vozes, passos apressados, uma porta arrombada e o casal preso, no quarto do lado a filha. Zelaya, de pijama, assiste sua filha ser conduzida em trajes íntimos. Humilhado.
O plano original sofre um ajuste na última hora, resultado de um impasse nas FFAA. De um lado os militares com a ordem de execução, do outro, soldados que não concordaram com a missão de matar um presidente legitimamente eleito. O impasse foi resolvido com a alternativa de converter aquela execução em um sequestro, conduzido a Base Militar de Palmerola, posteriormente seguido do envio do presidente – ainda de pijamas – para a Costa Rica. Sua família fica em Honduras, e são as primeiras vozes de resistência.
Na mesma manhã a Ministra das Relações Exteriores, Patrícia Rodas, juntamente com o Embaixador Cubano, foram presos e maltratados. O embaixador da Venezuela também foi agredido. A internet foi suspensa, o canal de TV estatal sai do ar e garantiram o clima de golpe.
A base militar de Palmerola, cedida aos USA desde o final da década de 1970, preparou e deu apoio logístico ao voo do presidente. O embaixador dos USA, Hugo Llorens, conhecido da América Latina (fora sequestrado de Cuba ainda menino na Operação Peter Pan, e lá se formou como um Anti-Cuba ferrenho e ligado a CIA) estivera mediando diálogos – supostamente para negociar com os polos da tensão – e paralelamente articulava a derrubada de Zelaya. A ele não interessava a aproximação de Honduras com Cuba e Venezuela, nem via com bons olhos o crescimento da mobilização popular naquele que sempre fora uma área especial de influência gringa.


Os “crimes” de Zelaya, ou, os antecedentes do golpe
O teatro golpista usou um fato atípico na vida do povo hondurenho. Naquele domingo de junho o povo hondurenho seria ouvido, seria consultado com uma pergunta:
“Concorda com a instalação de uma quarta urna nas eleições gerais para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte?”.

A consulta não seria vinculativa, nem com caráter obrigatório. Seria realizada sob o comando do INE – Instituto Nacional de Estatística, um órgão hondurenho semelhante ao IBGE, e se fosse indicado um “sim” em maioria simples, as eleições de novembro poderiam ter na cédula uma questão a mais, além das 3: Presidente, Parlamento, Prefeitos.
Alguns meses antes, Honduras sediou encontro da ALBA – Aliança Bolivariana para as Américas, Aliança que Honduras passou a compor a partir de meados de 2008. O ingresso de Honduras na ALBA sinalizou para uma maior inclinação do mandatário para o campo popular e anti-imperialista da América Latina, capitaneados por Cuba e Venezuela. Firmar esse acordo facilitou a chegada de médicos cubanos (aprox. 300 médicos em 2009), logo encarregados dos rincões hondurenhos, e acessar petróleo em boas condições de pagamento.
Um terceiro eixo motivador do golpe foi o maior diálogo com setores populares (movimentos, sindicatos, partidos de esquerda), que estavam vivendo um curto período sem um governo repressor, uma marca de Honduras. Além disso, criara, tempos antes, uma Rede Estatal de TV, tido como um movimento semelhante ao Venezuelano.
Outro aspecto foi o crescimento das mobilizações de massa nas última década, capitaneada por camponeses pobres – sem terra, trabalhadores precarizados, arrendatários, meeiros, etc; por um movimento sindical urbano, com destaque para os professores e trabalhadores das indústrias de bebidas; estudantes; contra o machismo e a homofobia; algo que se intensificou com a crise econômica de 2008, elevando o custo de vida, aumentando o desemprego e a fome – que é uma realidade dura e grave de lá.
O anti-chavismo foi a roupagem utilizada pela contra revolução para cobrir o velho anti-comunismo latino. Todos os traços e gestos que tinha qualquer semelhança – e mesmo quando não tinha – era usado diuturnamente para atacar o governo, acusá-lo de chavismo e criar um clima de tensão e crise.

Um povo em resistência
O dia 28 de junho foi marcado por uma forte mobilização para acompanhar a votação da consulta popular. Dois dias antes, na sexta, o Exército manda um informe para o Presidente se recusando a fazer o deslocamento das urnas e cédulas para o país todo. Imediatamente Zelaya responde, saindo em caminhada do Palácio Presidencial em direção a sede das Forças Armadas, arrastando consigo mais de 2 mil pessoas. Foi recebido com uma arma apontada para sua cabeça, não hesitou, e deu a ordem para as urnas serem entregues ao Executivo, que providenciaria a condução para os locais de votação. E assim aconteceu.
O dia do golpe já continha uma tensão e um “cheiro” de golpismo no ar. No mesmo dia, em jantar na Embaixada dos EUA, Hugo Llorens afirma a Mel que não há razões para se preocupar, não há golpe em curso.
Ao amanhecer as Forças Armadas sequestram o mandatário, cortam a rede de comunicação (telefone e internet), suspendem o canal de TV Estatal, e mantém os outros canais de TV oscilando, dentro e fora do ar, com programas de entretenimento. Já está em curso umavolumosa ação de prisões e repressão nas ruas. A resposta popular foi instantânea, marcada por atos em todas as regiões de Honduras, animada pelas declarações, logo no começo da tarde, do presidente deposto diretamente de San José. Reunidos ao final do domingo, conformaram uma Coordenação Nacional de Resistência Popular, posteriormente denominada Frente Nacional de Resistência Popular – FNRP. Foram mais de 150 dias ininterruptos (isso mesmo) de ações de massa tomando as ruas das principais cidades hondurenhas. Após isso os atos não foram interrompidos, mesmo sob forte repressão, e até os dias atuais podemos ver mobilizações gigantescas naquele pequeno país centro americano.
O golpe lança as forças populares a defensiva. O processo de mobilização intenso da capacidade de luta do povo hondurenho foi incrível. Mesmo com repressão dura e covarde, com prisões, torturas, execuções e desaparecimentos, ceifando a vida de centenas de pessoas, com dezenas de desaparecidos e milhares de presos e torturados. 1
O golpe não esmoreceu a disposição de luta, mas viu crescer a capacidade de mobilização dia a dia. A FNRP logo inicia um trabalho de organização em bairros e regiões, por setores e envolve quase a totalidade dos setores organizados do campo democrático, popular e anti-imperialista.
Embora esse processo de luta tenha sido crescente, a ação unitária das massas não foi capaz de reverter o processo nas ruas. Isso não significa uma derrota, ou uma demonstração de fraqueza, mas encontrou uma conjuntura internacional desfavorável, além de uma direita que avançou na capacidade de dividir o campo popular e não poupou esforços de cooptação. Isso se somou ao processo em si do golpe, que tirou um presidente eleito, que promovia melhores condições de vida, convertendo a resposta institucional algo bastante latende no imaginário, bastando notar que a bandeira mais consensual na resistência foi “vuelve Mel”, perdurando até o retorno efetivo do presidente deposto.
Esse quadro resultou em um impasse na situação hondurenha: a resistência não teve força para reverter o golpe pela ação de massas, e a direita não conseguiu assegurar a continuidade do golpe. Um impasse que segue até os dias atuais, com o agravamento da crise econômica, social e política, convertendo Honduras no país mais violento do mundo.


As urnas: uma alternativa de poder?
O poder, como sabemos e aprendemos com os clássicos e com a história da luta revolucionária, é a questão central de um processo processo revolucionário. E o poder não se resume ao que a legislação permite disputar a cada período na democracia representativa, mas é verdade que ainda que não seja a disputa do poder em si (tomar o estado), a democracia é um meio para a disputa de parte do poder. E nos momentos de equilíbrio na correlação de forças, a democracia se converte no centro da disputa política e por isso não pode ser desmerecida ou desprezada.
Passados esses pouco mais de 4 anos, Zelaya retornou ao país, porém, impedido de disputar as eleições, Honduras saiu da Alba oficialmente em 2010, bem como realizou eleições “livres” em novembro de 2009, buscando dar um caráter legal a um processo marcado pela ilegalidade.
Xiomara foi uma das principais vozes dos primeiros momentos da resistência. Se colocou a frente de diversos atos de massas, correndo riscos e se convertendo em uma figura pública não mais como a ex-primeira dama, mas como uma liderança em potencial. Associado a isso, sua projeção por Zelaya garantiu um quase consenso em lançar seu nome para disputar a presidência.
A FNRP, após intensos debates, funda um partido, o LIBRE, sigla para Liberdade e Refundação, e segue como uma frente política, que se buscou constituir como Frente Ampla, mas não avançou para além dos setores dos movimentos sociais e ex-integrantes do Partido Liberal – PL, da UD – União Democrática, outros de vários partidos menores de esquerda, bem como movimento sindical. O Libre nasce jáorganizado em correntes.
As eleições de 2009 foram boicotadas pela resistência popular, e a direita se aproveitou para dar a ela um caráter de aparência democrática fraudulenta, e assegurou minimamente converter a a ilegalidade em legalidade, de um golpe a democracia. Pepe Lobo fora eleito, com maioria no parlamento, com quase a totalidade da Suprema Corte, e realizou um governo duro de enfrentamento a resistência, com medidas anti-populares, atacando os setores organizados diretamente e buscando quebrar a imagem de governo golpista. Combinou repressão com esforços pontuais de dissuasão e cooptação.


Desafios para a esquerda hondurenhas
As eleições figuram no imaginário popular com uma alternativa. Parte disso advém dos traumas resultantes dos processos de luta armada da década de 1970 e 1980 , quando Honduras foi cercada de processos insurrecionais (Guatemala, El Salvador e Nicarágua) e foi usada como entreposto da contra revolução. E a contra revolução asfixiou a luta popular o quanto pode, rompendo com o que seria a formação de um bloco de lutas na região, que facilitaria o intercâmbio político-militar entre os 4 países. E essa repressão marcou o povo pelo que não viveu. Enquanto a insurreição era uma realidade na Nicarágua, uma situação provável em El Salvador, e um processo intenso na Guatemala, o povo hondurenho amargava uma dura e exemplar repressão.
Outro aspecto importantíssimo é que as eleições de Mel Zelaya significou uma real mudança na vida do povo, e essa mudança – ainda que possa ser avaliada como tímida – foi por demais radical para os planos da oligarquia Hondurenha. O golpe foi marcado por ser uma interrupção, que agora pode ser retomada. Seria essa uma das razões por não ter havido um processo mais direto de tomada do poder?
Fato inconteste é que a retomada da presidência da república é uma bandeira popular.
Com isso, a participação da esquerda em resistência nas eleições, sinaliza para alguns temas que vale avaliarmos:
1) A participação em si legitima um processo que tem uma disputa acirrada (8 candidatos, sendo que a candidata do Libre dispõe de apenas 7 a 8% dos gastos oficiais nas eleições). A derrota tornaria o domínio da oligarquia legitimado.
2) A disputa eleitoral é um caminho inevitável, uma vez que a força do processo de resistência não foi capaz de reverter pela ação das massas organizadas. Em uma perspectiva estratégica, é necessário ressaltar o que legou Fidel como uma lição de Cuba: um povo jamais se lança em uma luta mais radical, mais ousada e dura, enquanto ainda crê em vias mais simples e brandas. Portanto, no percurso da libertação hondurenha, passar pelas eleições é estratégico: vitorioso, será um passo importante, se derrotado, poderá ser convertido em uma lição para as massas, sinalizando que um caminho está fechado.
3) Uma vitória pode abrir um novo caminho, por dentro da democracia, passando a exigir da resistência a combinação da luta social com um governo do campo popular, não ficando refém desse novo governo, tampouco esperar que um novo governo, eleito nas regras de uma democracia em crise, possa mudar a realidade e sanar dívidas seculares em alguns meses. Isso exigirá muito das forças populares: pressão, mobilização e olho vivo na oligarquia golpista aliada dos EUA.
4) Uma vitória parcial, alcançando a presidência, mas não alcançando a maioria do parlamento. A situação tende a manter o cenário de crise e instabilidade política.
Um tema de preocupação geral é o risco de fraude e golpe “de urnas”. A oligarquia controla o Tribunal Eleitoral, e com ele todo o processo das eleições. São ligados aos golpistas de maneira umbilical, e não hesitaram em um momento no uso disso para beneficiar essa oligarquia.

E o desfecho será relevante para a correlação de forças em Honduras e na Centro-América. E esse povo que lutou para mudar seu país, foi golpeado, lutou uma dura resistência e agora pode passar a um estágio de ofensiva.
Um destaque importante é que, antes e durante esse processo eleitoral, os movimentos sociais hondurenhos – Copinh, Ofraneh, Madj e outros – seguem em luta contra as grandes transnacionais e projetos de recolonização. A dirigente Berta Cáceres vem sendo perseguida duramente, junto com outros compas do Copinh. Ou seja, eleições e luta popular caminhando juntas.

É certo que a continuidade dessa luta dependerá, sobretudo, da capacidade de conduzir o processo com unidade, respeitando a diversidade e lidando com as contradições no interior do campo popular, assim como não perder de vista os verdadeiros inimigos do povo hondurenho: a oligarquia agrária, o capital financeiro, o crime organizado e, especialmente, o imperialismo. E esse povo não quer voltar a se submeter aos designos de uma classe dominante anti-popular, anti-democrática e anti-nacional.

Ronaldo T Pagotto
Advogado, integra a Consulta Popular em São Paulo. Em 2010 passou dois meses acompanhando a Resistência Hondurenha.

1Honduras e a luta anti-imperialista (http://www.brasildefato.com.br/node/1333)
e outro “Exército monitora camponeses em Honduras” (http://www.mst.org.br/node/10481)

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Instituto Millenium: a direita que tem corpo e rosto

América Invertida de Joaquín Torres García (1943)
América Invertida de Joaquín Torres Garcia
Em um momento de preocupação com as notícias sobre a saúde do Comandante Chávez, tenho acompanhado atento a alguns dos passos dados pela direita em nosso país. 
Não falo somente da direita partidária não. Esta, coitadinha, está “perdida” e “mal paga”. Sozinha, não faz mal a uma mosca.
Refiro-me à direita que está incrustada na imprensa, na justiça, nas instituições, e por aí vai.
Esta direita é a mesma direita do Paraguai, da Venezuela, de Honduras.
Sempre foi e continua golpista. Só espera oportunidades. É um erro achar que ela está morta.
E particularmente agora tenho tentado entender um dos setores que compõe esta direita. É uma espécie de extrema-direita brasileira. Organiza-se no Instituto Millenium e possui alguns ramos na sociedade. Não tem lá muita força, é meio caricata, mas sua disposição serve de alerta.
Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, é uma das lideranças do Millenium. O mesmo que chamou o Oscar Niemeyer de idiota.
Nestas horas, fica ainda mais claro para mim o erro de alguns setores da esquerda que preferem se debater com outros setores da própria esquerda. E assim esquecem (esquecem?) do que é central, de quem realmente são nossos inimigos. Um erro na análise leva, necessariamente, a um erro na ação. É preciso ter muita clareza sobre quem são estes inimigos nossos para que não desperdicemos energias na luta de classes.
Sugiro os dois links abaixo como introdução para entendermos com quem estamos lidando:
O primeiro é um texto do Alex Solnik, “Vanguarda Popular: a direita sai do armário“. Um pequeno dossiê que traz alguns detalhes de quem comanda e o que quer o Instituto Millenium.
O outro chama-se “Saudade de 1964” e traz mais detalhes do Instituto e o que quer esta direita.
Tão importante quanto nos conhecermos é conhecer bem o outro lado. Acertar na análise é fundamental.

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Nota da Consulta Popular sobre Golpe no Paraguai


NOTA DA CONSULTA POPULAR:
TODO APOIO AO PRESIDENTE FERNANDO LUGO E AO POVO PARAGUAIO QUE SOFRE UM GOLPE DEESTADO!
A Consulta Popular, por meio da sua Direção Nacional, vem expressar a sua profunda indignação frente a mais um golpe de Estado em nosso continente.
Desde a ascensão de Fernando Lugo à presidência da república (em 2008), os setores conservadores, que dominaram o Paraguai numa ditadura que durou mais de seis décadas, inviabilizam as mudanças naquele país irmão.  O Presidente Lugo esteve todo esse tempo (desde a sua eleição) sob a ameaça de golpe, em virtude da fragilidade de apoio ao governo no congresso.
Lugo vêm sofrendo grandes dificuldades, visto que o parlamento paraguaio ainda se concentra nas mãos do Partido Colorado que tenta – numa farsa muito bem orquestrada – provocar um golpe, mascarando-o com elementos institucionais. Neste intento, arrastou para o seu lado, o PLRA – Partido Liberal Radical Autêntico, que conta com 14 representantes no congresso, o qual retirou o seu apoio ao presidente, além de aprovarem juntos (Colorados e Liberais), e numa rapidez absurda, a instauração de impeachment contra Lugo.
Vale destacar, que esses setores direitistas são intimamente ligados às oligarquias e aos latifundiários, grandes produtores de soja para exportação, dentre os quais, brasiguaios como Tranquilo Favero, o mais rico do país.

Foram justamente estes setores que instigaram os Policiais do Grupo de Operações Especiais à matança de camponeses pobres ocorrida na semana passada. O que se passou em Curuguaty trata-se de um plano de desestabilização de seu governo, visto que recentemente Lugo assumiu uma postura mais firme, visando avançar na reforma agrária, resolver o problema das terras irregulares (Morunbí) e outras medidas progressistas, o que tem gerado oposição ferrenha dos partidos tradicionais.
Dentre as inúmeras acusações abstratas que fazem contra o Presidente no processo de impeachment, todas elas existem sem provas. Ademais, mesmo se comprovando algo (o que é impossível, em virtude da farsa), se trataria de crimes comuns, os quais exigiriam um rito próprio, não sendo devido, portanto, o processo político de impeachment. Além disso, alegam que Lugo tem politizado o exército e mantém ideologia marxista e bolivariana, ficando claro, portanto, os seus interesses de classe.
No mesmo momento em que se instaurou a crise política no país irmão, o governo dos Estados Unidos da América, através, de seu porta-voz para a América Latina do Departamento de Estado, William Ostick, afirmou que se deve respeitar o processo contra o presidente Lugo. Tornando-se claro os interesses do Império na queda do Presidente Lugo que visa uma integração continental que fere aos objetivos dos EUA.
Neste momento, é dever de todas as forças populares manifestar à sua absoluta contrariedade ao Golpe, expressando completo e irrestrito apoio ao Presidente Lugo e ao povo Paraguaio.
A queda de Lugo significa um retrocesso na correção de forças do continente, uma vez que abre espaço para que as forças direitistas voltem assumir o executivo, através do Federico Franco, do Partido Liberal. Mais do que isso, representa um passo a trás frente ao projeto continental que visa dá respostas aos anos de avalancha neoliberal e à atual crise capitalista.
Caberá a Fernando Lugo e ao povo Paraguaio, reverter a situação e ir em frente no projeto de tornar o Paraguai Livre, Democrático e Soberano. Este foi o intento do povo paraguaio expresso nas urnas. Neste momento, o povo nas ruas reafirma o apoio ao presidente e exige que as medidas populares sejam implementadas.
 É fundamental que os países que compõem a UNASUL – União de Nações Sul-Americanas manifestem uma postura firme e contundente contrária ao Golpe de Estado em curso, expressando solidariedade e respaldo político ao Presidente democraticamente eleito nas urnas, exigindo-se o retorno imediato de Lugo às suas atribuições.
À militância “é preciso passar a ação”. Que se organizem nos próximos dias atos de solidariedade, decorações, ações de rua, atividades na embaixada Paraguaia no Brasil etc, demonstrando completo apoio ao Presidente Fernando Lugo e contra o Golpe, o qual nada mais é do que uma demonstração das forças à serviço do Império visando impedir os avanços democráticos e populares em nosso continente. 
Colorados e Liberais são inimigos do povo Paraguaio!
Os golpistas não passarão!
Todo apoio ao Presidente Lugo!
Um golpe contra o Paraguai é mais um golpe contra a América Latina!
Abaixo o Imperialismo!
América Latina Livre, Venceremos!
Direção Nacional da Consulta Popular.
São Paulo, 22 de junho de 2012. 

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E o Golpe no Paraguai foi dado…

Estamos com Fernando Lugo!

Aconteceu. Em um prazo menor que 24 horas, o senado acaba de votar pelo golpe e derrubada do Presidente Fernando Lugo.

Momento triste para toda a América Latina combativa.

Que a resistência esteja pronta e que os demais governos progressistas e movimentos da AL se posicionem fortemente.

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A tentativa de golpe no Paraguai estava prevista

O cenário estava dado. Observem como a pedra estava cantada nesta reportagem do Brasil de Fato de apenas três dias atrás.
Povo na rua contra o golpe!

“Latifundiários brasiguaios querem derrubar Lugo”, afirma líder camponês
Segundo Martín Almada, o latifúndio e os grandes produtores de soja brasileiros estão muito interessados em que o presidente Fernando Lugo não termine seu mandato
19/06/2012
Dario Pignotti
“Esta matança de campesinos aconteceu como resultado de um processo de violência policial instigado pelos latifundiários descontentes com o presidente Lugo, ele não é querido pela direita e pelos grandes produtores brasileiros. Latifundiários brasileiros como Tranquilo Favero, o produtor de soja mais rico de Paraguai, estão interessados em desestabilizar o governo, eles querem que Lugo caia” declarou Martín Almada, o mais importante representante do movimento dos direitos humanos paraguaio.
Onze campesinos sem terra foram assassinados na sexta-feira passada em uma fazenda próxima à fronteira com o Brasil, onde está aumentando a tensão em paralelo às reivindicações e ações diretas pela reforma agrária. O enfrentamento entre policiais e lavradores deixou sete agentes mortos, entre eles os chefes do Grupo de Operações Especiais, uma espécie de BOPE paraguaio, só que sua tarefa não é reprimir favelados como no Rio de Janeiro, mas os peões rurais que, depois que Lugo chegou ao governo, em 2008, aumentaram seu nível de organização e decisão de luta, depois de décadas de submissão diante do jugo da ditadura de Alfredo Stroessner.
“Nós sabemos por nossa longa experiência sobre como se descarrega a violência do Estado contra a população, que estes fatos nunca estão isolados de uma intencionalidade política maior. Quais são os fatores em jogo agora? O que está mais evidente é cooptar os sem terra para que deixem de desafiar o poder estabelecido no campo e, além disto, vemos uma manobra para desestabilizar o presidente Lugo. O latifúndio e os grandes produtores de soja brasileiros estão muito interessados em que Lugo não possa chegar a 2013, quando deve acabar seu mandato”, disse Almada por telefone à Carta Maior, desde Assunção.

Almada, prêmio Nobel da Paz alternativo, é uma figura chave na luta pelos direitos humanos. Foi ele quem, na década de 90, descobriu os Arquivos do Terror, a partir dos quais pode ser reconstruída a rede terrorista que a ditadura de Stroessner e os regimes de fato sul-americanos formaram nos anos 70, quando surgiu a Operação Condor.
“Nunca vai se saber, porque temos uma justiça cúmplice dos poderes estabelecidos, quem esteve inspirando este massacre, o que nós sabemos sim é que tem gente beneficiada com este clima de instabilidade política e violência. O empresário do agronegócio Tranquilo Favero, um brasiguaio que fez fortuna graças aos favores que recebeu de Stroessner, é um personagem que todos suspeitam que joga forte pela desestabilização”, observa Almada.
“O que está claro é que esta barbárie leva água ao moinho da direita, justifica a mão de ferro da polícia e torna mais viável o golpe de estado branco que seria um possível julgamento político de Lugo, para que se veja obrigado a renunciar e, em seu lugar, assuma o vice-presidente Federico Franco, um político muito reacionário”.
Na história paraguaia ditadura e latifúndio, correspondem ao verso e reverso da mesma moeda.
Segundo um relatório da Comissão de Verdade e Justiça do Paraguai, centenas de milhares de hectares de terras fiscais foram distribuídas pelo regime de Stroessner entre militares e membros da alta burguesia, uma anomalia que foi objeto de revisão por parte das autoridades desde 2008, o que incentivou as reivindicações das organizações de sem terra, como os que ocupavam a fazenda da localidade onde aconteceu o massacre da semana passada.
A Coordenação Nacional das Terras Irregulares conta com documentação sobre os fazendeiros cujas propriedades são irregulares por terem sido originadas na entrega de terrenos fiscais.
Um dos acusados de ter se apropriado de milhares de hectares que eram públicos é precisamente o brasileiro nacionalizado paraguaio Tranquilo Favero, que não oculta sua simpatia pela repressão de campesinos “ignorantes”, como ficou comprovado em declarações formuladas neste ano e que provocaram um escândalo.
“Diplomacia você pode usar com pessoas cultas… só que… você sabe o dito popular que diz: a mulher do malandro obedece só com pau… tamos lidando com pessoas de tamanha ignorância que com diplomacia você não soluciona” disse o maior produtor de soja do Paraguai, nascido em Santa Catarina.
Quando Favero recomenda deixar de lado a “diplomacia” está falando, na verdade, de arquivar o chamado “protocolo da polícia” que consistia em uma série de negociações que os agentes deviam realizar com os sem terra antes de desalojá-los de um latifúndio ocupado.
Precisamente o novo ministro do Interior Rubem Candia Amarilla, designado por Lugo depois da matança, um político pertencente ao Partido Colorado, está tão identificado com o tema que pouco depois de assumir o cargo anunciou o fim do “protocolo” que obrigava a polícia a dialogar com os campesinos para evitar a violência.
O clima de hostilidade com os sem terra se intensificou nos últimos dias, quando a justiça ordenou a detenção de dezenas de sem terra e prendeu uma trabalhadora rural, disse hoje a campesina Magui Balbuena à Carta Maior.
“Temos relatórios de nossos representantes que estão no lugar do massacre informando que vários campesinos já foram levados à penitenciária de Coronel Oviedo ontem, onde tem uma mulher ferida com um filho de três meses que amamenta e a policia lhe tirou o bebê, ou seja, foi trasladada à prisão sem seu bebê de peito” denunciou Magui, da Coordenadora Nacional das Terras Irregulares.
Magui, assim como a Liga Campesina do Paraguai, denunciaram irregularidades nas investigações dos fatos que deixaram 11 lavradores mortos.
“Estamos longe de começar uma verdadeira investigação para o esclarecimento do acontecido, há indícios fortes de que a direita está metida em tudo isto para gerar uma crise política e truncar o desenvolvimento do processo que levamos adiante no Paraguai” afirma a militante.

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Golpe de Estado em curso no Paraguai

Enquanto aqui nossa esquerda se divide entre os que acham Maluf bonitinho e os que acham Maluf feio e chato, a vida real acontece a todo vapor. Neste momento, por exemplo, está em curso um golpe de estado no Paraguai.

Segue abaixo declaração dada há poucos minutos por Fernando Lugo, presidente democraticamente eleito.


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