Notícias de Cuba

Estou aqui pela primeira vez escrevendo notícias de Cuba. Este é nosso quinto dia do por aqui. Para os que ainda não sabiam, vim a Cuba participar de um Curso em Atenção Primária à Saúde, como parte do meu rodízio estratpegico da Residência em Medicina de Família e Comunidada. Volto na segunda semana de dezembro.

Por enquanto ainda não posso enviar fotos, visto que internet aqui não é tão simples. Culpa do governo cubano? Não! É mais uma consequência deste bloqueio genocida bancado pelos Estados Unidos.

Estamos preparando vídeos e textos sobre o que vemos e sentimos em Cuba, mas dá para adiantar que é um povo que tem dificuldades sim, num país que tem suas limitações. Mas é de fato um povo livre e que vive numa democracia. Com muitos dos seus direitos, como educação e saúde, garantidos pelo estado. E olhe que conversamos com profressoras, médicas e enfermeiras, asm também com muitos da população. Temos feito questão de conversar com pessoas na rua, nas paradas de ônibus, nas vendinhas, nos táxis, nos consultórios. Não negam as dificuldades, mas até agora não encontramos um sequer que fosse contrário ao processo revolucionário!

Pois bem… Ao longe da caminhada, vou mandado textos e notícias! Será dificil enviar fotos, por enquanto.

Quaisquer dúvidas, me escrevam por email ou por comentário. Ahh e estou cheio de pedidos já! hehe

Beijos!

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Perspectivas para o governo Dilma

Tropa de Elite do PMDB
Queria compartilhar algumas análises por aqui faz alguns dias. Mas estou sem casa ainda e com acesso precário a internet, então já viu…
Mas vamos lá. Os 3 primeiros pontos são um pequeno balanço das eleições. Depois entro nas questões do futuro governo Dilma.
1 – Antes de tudo, é preciso comemorar o que foi uma vitória: a derrota de Serra. Para mim, esta foi a grande conquista desta eleição. Pedir voto nulo era apostar no “quanto pior, melhor”. Irresponsabilidade. Se num primeiro turno vota-se a favor de uma candidatura, no segundo, o voto é contra alguém.
2 – Por mais que o político Serra não seja dos mais conservadores dentro da direita brasileira, sua candidatura conseguiu ser pior que a do picolé de chuchu Geraldo Alckmin. Sua campanha conseguiu aglutinar o que há de mais atrasado para um debate eleitoral. Até “reavivar” a TFP (Tradição, Família e Propriedade) o Zé conseguiu. A onda de preconceito e ignorância foi sem precedentes. Tais acontecimento põem em cheque, ao meu ver, os argumentos dos que defendem que estamos evoluindo para uma democracia mais consistente e consolidada.
3 – Infelizmente, a esquerda que se propôs a disputar a eleição teve um péssimo desempenho. Plínio cumpriu um importante papel no inicio do processo eleitoral, quando trouxe à tona alguns temas importantes como a questão do Plebiscito pelo Limite da Propriedade de Terra que ocorreu de 1º a 7 de setembro. Mas logo se perdeu. A Marina Silva, com o perdão de alguns companheiros e companheiras que a apoiaram, não representou absolutamente nada da esquerda neste processo. Não trouxe acumulo politico, muito menos ajudou na formação da consciência de classe. E quanto ao PSTU? Zé Maria teve menos votos que Eymael. Sei que o foco não deve estar nos votos obtidos, mas eles são importantes para analisarmos a relevância dos debates realizados para o povo brasileiro.

4 – E os próximos 4 anos? Primeiro sobre a oposição partidária de direita: ela continua tão perdida quanto vem sendo nos últimos 8 anos. Não tem projeto, não tem idéias, não tem nada. Sai do processo eleitoral dividida e bem menor no Congresso Federal. A direita mais “esclarecida” está com o governo Lula. Ou alguém acha que temos mais de 10, 20 ou 30 deputados de esquerda na Câmara?
5 – A direita mais ideológica não está na linha de frente dos partidos. Está na grande mídia, nas igrejas… É um erro achar que a direita mais reacionária está morta ou enfraquecida. Infelizmente, o lulismo não contribuiu em nada para aumentar a consciência de classe da população brasileira.
6 – Dilma não tem o carisma, nem a popularidade de Lula. Isto é um fato. Logo, avalio, ela dependerá muito mais das alianças e do fisiologismo reinante na Câmara e no Senado. Vejo alguns empolgados com a suposta maioria conquistada no legislativo, mas cabe a pergunta sobre a quem servirá esta maioria? É uma maioria de esquerda? Qual vai ser a tônica dos projetos e leis aprovados nestes 4 anos? Vejo como exemplo o senador eleito aqui em Pernambuco pela base governista, Armando Monteiro Neto, do PTB. Típico parlamentar que seria da situação independente de quem ganhasse este 2º turno.
7 – Nem vou criticar muito o que Dilma falou em campanha, pois, infelizmente, tudo que é dito é baseado em pesquisas, levantamentos qualitativos, enfim. É a guerra pelo voto. O problema é o que vem ocorrendo no pós-eleição. Seu discurso após confirmada a vitória foi ruim. Principalmente porque aliviou pro lado da grande imprensa que tentou lhe derrubar. Outro ponto negativo é como vem sendo construída a transição. E os nomes especulados para assumir ministérios também não são nada animadores. A começar pela manutenção do Meirelles e terminando com a possibilidade de Palocci na Saúde.
8 – Lula foi muito feliz com a implantação de políticas anticíclicas em pleno ascenso da crise do capital mundial desde 2008. Um exemplo foi bancar a diminuição do IPI, para incentivar o consumo, num momento em que os mais conservadores pediam arrocho e juros mais altos. Isso impediu que sentíssemos maiores consequências da crise no Brasil. Mas é inegável que surfamos numa conjuntura mundial favoravel a nossa economia. Não deve demorar para a crise apertar novamente (Vejam a situação da Grécia e da Espanha, e num outro patamar a da França). E aí não saberemos as consequencias por estas bandas. São imprevisiveis. A história já nos mostrou que os limites da social-democracia estão no avanço do capitalismo. Quando há crise neste, muitas das supostas conquistas também caem como um castelo de cartas.
9 – Independente de governo, precisamos fazer um bom balanço das táticas adotadas dentro da esquerda, dentro das nossas organizações e buscar avançar desde já! É preciso investir na formação política, nas lutas de massa, na juventude. Não vejo outro caminho para o momento. A conjuntura de descenso nos traz muitas dificuldades, mas é preciso que gastemos energias em experiências organizativas que nos ajudem a construir a unidade. Sem isso, continuaremos extremamente fragilizados perante ao reacionarismo, seja da velha direita, seja dos governos agora eleitos.
EM TEMPO: chamar o governo Lula de social-democracia seria um tanto elogioso. Ele está longe até disso. Só fiz questão de pontuar desta maneira porque vejo bons nomes defenderem esta posição, como o Marco Aurélio Garcia. Acho que para ser social-democrata, falta muito coisa ainda a este governo petista.

PETROBRAX? Uma invenção do PSDB

Serra é mentiroso! Disse que a proposta de trocar o nome da Petrobras por Petrobrax foi obra do setor de marketing e que teria sido logo recusada.

Segue abaixo a prova do contrário.

Dia 31, derrotaremos o PSDB/DEM nas urnas! Xô tucanos!

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Bola de Papel no Serra

Achei que já tinha acontecido de tudo nesta eleição. Mas Serra dar uma de Rojas superou as minhas expectativas. (Como assim não conhece a história de Roberto Rojas?)
Pois bem… isso tudo foi uma mistura de “achar que é mais inteligente com os outros” + “assessoria incompetente”.
O resultado é que Serra virou motivo de piada na internet e em rodas de conversa com amig@s por aqui. E se você é um dos poucos que só viu a versão da Globo, acompanhe no vídeo abaixo, feito pelo SBT, o exato momento em que o Zé é atingido por uma super bola de papel.
E se você não viu reportagem nenhum, sugiro que veja o vídeo abaixo. Nele, fica bem expressa a forma tendenciosa como o vídeo foi construído pela Rede Globo de Televisão
A melhor parte de tudo ainda são as piadas que estão pipocando no mundo virtual e no Twitter. Se você não quer perder nenhum lance, clique em Bola de Papel Facts
E aproveito a postagem para repudiar o papel tosco desempenhado pelo tal médico Jacob Kligerman
que atendeu o Zé. Tonturas? Náuseas? PASSAR UMA TOMOGRAFIA??? PORRA JACOB!

É preciso derrotar Serra

Segue editoral do Brasil de Fato:
A candidatura do demotucano José Serra surpreendeu não por sua identificação com as políticas neoliberais, e sim pelo baixo nível de sua campanha

13/10/2010



Editorial ed. 398

No início do processo eleitoral deste ano, um conjunto de forças populares e movimentos sociais decidiram empenhar esforços para eleger o maior número possível de parlamentares e governadores identificados com as bandeiras da classe trabalhadora. E, nesse cenário, sobre o pleito presidencial, a unidade se deu em torno da luta para evitar um retrocesso ao país. Ou seja, não permitir a vitória da proposta neoliberal, representada na candidatura do tucano José Serra. Assim, passado o primeiro turno, realizado no dia 3 de outubro, é importante fazer uma avaliação do que significou esse processo. Até porque a expectativa era de vitória da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno.


Importantes avanços

São boas as renovações que ocorreram nas assembleias estaduais, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, na eleição e reeleição de governadores progressistas. Nesse sentido, destacamos a vitória do povo gaúcho, que derrotou o mandato tucano de Yeda Crusius. Candidata à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul, Yeda se notabilizou no controle da mídia, na criminalização dos movimentos sociais e na repressão à luta dos trabalhadores.


Campanha presidencial

É importante ressaltar que, nesta a campanha presidencial, os graves problemas do povo ficaram ausente do processo. Evidenciou-se que a falta de debates em torno de projetos políticos e dos problemas principais que afetam a população brasileira. Assim, a campanha de Dilma Rousseff buscou apenas divulgar o desenvolvimento econômico e as políticas sociais do governo Lula e apoiar-se na popularidade do atual presidente. Com essa estratégia, obteve quase 47% dos votos, mas insuficientes para vencer no primeiro turno.

A candidatura do demotucano José Serra surpreendeu não por sua identificação com as políticas neoliberais, e sim pelo baixo nível de sua campanha. Foi agressivo, tentou interferir em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), espalhou mentiras e acusações infundadas. Independente de qualquer outro resultado, a biografia do candidato já é a maior derrotada nessas eleições.

Já as candidaturas identificadas com os partidos de esquerda, que utilizaram o espaço eleitoral para defender os interesses da classe trabalhadora, infelizmente tiveram uma votação baixa.

Outro elemento importante neste atual quadro é o descenso social de duas décadas em nosso país. A fragmentação das organizações da classe trabalhadora e a fragilidade da política de comunicação com a sociedade também influíram no resultado eleitoral. 

Assim, as eleições deste ano demonstraram o poder nefasto e antidemocrático da mídia. Mas, por outro lado, potencializaram uma rede de comunicadores independentes, comprometidos com a liberdade de expressão, que enfrentaram o monopólio dos meios de comunicação. São avanços importantes rumo à democratização da informação e pelo controle social sobre meios de comunicação em nosso país. 


Segundo turno

No dia 31, o povo brasileiro terá de fazer sua escolha. De um lado, o demotucano José Serra. E, como já dissemos aqui neste espaço, atrás da candidatura Serra estão as forças do capital mais atrasadas e subservientes ao império estadunidense, os grandes bancos, a grande indústria paulista, o latifúndio atrasado de Kátia Abreu e o agronegócio “moderno” do etanol. Seu programa é um só: a volta do mercado, benefícios para as empresas e a repressão para conter as demandas sociais. Seria a prioridade no programa dos PPPs já aplicado em São Paulo: privatizações, pedágios e presídios.

De outro lado, a candidatura de Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT). Também como já dissemos, a candidatura Dilma representa continuidade do governo Lula e tem forças sociais entre a burguesia (temerosa da reação das massas), setores da classe média que melhoraram de vida e amplos setores da classe trabalhadora. Praticamente todas as forças populares organizadas têm sua base social apoiando a candidata petista.

Assim, o conjunto das forças populares e movimentos sociais, que mantêm o compromisso de defesa das bandeiras de lutas da classe trabalhadora e da construção de um país democrático, socialmente justo e soberano, defendem a candidatura de Dilma. Mas manterá a autonomia de luta independente do governo eleito. 

Infelizmente, os avanços do governo Lula em direção às bandeiras democrático-populares foram insuficientes, em que pese o acerto de sua política externa. Também preocupa constatar que, no arco de alianças da candidatura de Dilma Rousseff, há forças políticas que se contrapõem a essas demandas sociais.

Porém, fica uma certeza: José Serra, por sua campanha, pelo seu governo em São Paulo e pelos oito anos de governo FHC, tornou-se inimigo da classe trabalhadora e das nossas bandeiras de lutas. Pelo caráter anti-democrático e anti-popular dos partidos que compõem sua aliança e por sua personalidade autoritária, uma possível vitória sua significará um retrocesso para os movimentos sociais e populares em nosso país. Além disso, uma eventual vitória do demotucano será um retrocesso para as conquistas democráticas em nosso continente e representará uma maior subordinação aos interesses do império estadunidense.


Evitar o retrocesso

Por isso, frente a esse cenário, as forças populares e os movimentos sociais da Via Campesina declaram seu apoio e compromisso de lutar para eleger a candidata Dilma Rousseff. E o Brasil de Fato soma-se a essas organizações no sentido de derrotar o demotucano Serra e tudo o que sua candidatura representa. Ou seja, é preciso derrotar a candidatura Serra, pois ela representa as forças direitistas e fascistas do país.

Mas alertamos. É importante seguir organizando o povo para que lute por seus direitos e mudanças sociais profundas, mantendo a autonomia frente aos governos

Velha Direita é cara de pau!

É este um dos termos mais apropriados para este pessoal.

   Vivem levantando a voz para denunciar supostas tentativas, por parte do Governo Lula, de acabar com a liberdade de expressão. Puro confete para sua torcida.

   A verdade é que o Governo Lula pouco fez para ao menos amenizar os crimes cometidos pela grande imprensa brasileira ao povo brasileiro. Continuaram fazendo o que bem entenderam. E ainda recebendo vultuosas verbas de propaganda do governo federal.

   Recentemente ocorreu a demissão da Maria Rita Kehl do Estadão porque ousou destilar um pouco de liberdade e de independência em suas páginas. (para ler o artigo: Dois pesos…)

   O mais interessante desta história é que não vi um pio sequer dos supostos arautos da liberdade de expressão em nosso país. Cadê Marcelo Tas? Cadê Arnaldo Jabor? Cadê Marcelo Madureira? Silêncio sepulcral! Hipocrisia é bóia, como se fala aqui em Recife.

   Liberdade de expressão não significa fazer o que quiser por deter os meios de comunicação e mentir à vontade.

No 2º turno, o voto é contra Serra!

Segue abaixo a carta do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens – com sua posição para este 2º turno da disputa pela presidência.

Precisamos estar cientes de nossa responsabilidade. A Dilma não é a candidata dos nossos sonhos, mas o Serra, sem dúvida, está em nossos piores pesadelos. Não ao atraso tucano. Não ao PSDB!

Eis a carta:

Em defesa dos interesses do Povo Brasileiro, vamos eleger Dilma Roussef presidenta do Brasil

Frente ao processo eleitoral e a disputa pela presidência da republica neste 071010_eleicoes2010segundo turno, manifestamos nossa posição política:

Desde o primeiro turno, nossa posição e nosso envolvimento orientaram-se para derrotar os setores que se configuravam como inimigos da classe trabalhadora, pois, não admitimos recuar em avanços que o povo brasileiro obteve nos últimos anos.

A candidatura Serra representa o projeto e todo o conjunto de políticas do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que causou grande estrago aos trabalhadores a ao povo brasileiro. Por trás de seu projeto neoliberal está o interesse de retomar as privatizações; entregar o patrimônio público e as riquezas naturais às grandes corporações internacionais; promover uma ofensiva sobre os direitos trabalhistas e legitimar o processo de criminalização sobre os mais pobres e os setores organizados da sociedade.

A candidatura Serra representa a aliança e a subordinação às políticas dos Estados Unidos e à política de golpismo, que as forças ultraconservadoras permanentemente tentam implementar sobre os trabalhadores de vários países. Seu verdadeiro interesse está em colocar o Estado brasileiro a serviço dos setores que sua candidatura representa.

Entendemos que os avanços obtidos nestes últimos anos foram insuficientes e mantemos nossa posição crítica sobre questões estruturais. No entanto, neste momento não podemos retroceder, é hora de eleger Dilma presidenta do Brasil. Mas, desde já, é necessário construir unidade entre o campo e cidade para criar força social e fazer as lutas que serão necessárias para enfrentar e derrotar a direita e seus planos de ataque aos trabalhadores – que tendem ser a permanentes, mesmo após o processo eleitoral.

Portanto, conclamamos todos os lutadores e lutadoras do povo brasileiro, militantes sociais, lideranças e organizações de todas as partes do Brasil, do campo e da cidade, para sair às ruas, bairro por bairro, comunidade por comunidade, conversando com as pessoas e trabalhando de forma permanente para derrotar Serra/FHC e elegermos Dilma Presidenta do Brasil.

Água e energia, não são mercadorias!

Boatos religiosos contra Dilma

Dilma Rousseff
Não ao atraso. Xô Tucanos!
Se não deixei claro antes, reforço agora: meu voto no 2º turno é na Dilma! É como li em algum lugar: Dilma está longe de ser a presidente dos meus sonhos, mas Serra, com certeza, está nos meus piores pesadelos.

Mas a motivação para esta postagem vem do seguinte ponto: vejo muitos petistas entusiasmados em formar verdadeiras frentes virtuais anti-boatarias, como as que infestaram a última semana de campanha e tiraram milhões de votos da candidata petista.

E quem não tiver esta análise, peço que pense com carinho ou me sugira um outro motivo. Mas não vejo como ser diferente. Por muito tempo o PSDB-DEM-Imprensa burguesa apostaram na tática de bater na Dilma pela questão da Erenice e bla-bla-bla. Nesta fase não conseguiram tirar um voto sequer da Roussef. Mas bastou atentarem para a necessidade de apelar para temas como aborto, homossexualismo para a campanha de Serra ganhar uma cara.

Pois a reflexão que trago, enfim, é a seguinte: não foram os boatos na internet que tiraram votos da Dilma não. Sou um entusiasta das possibilidades infinitas que internet traz, mas o alcance ainda é limitado. O que tirou mesmo votos da Dilma, acredito eu, foram os ataques orquestrados de parte das igrejas evangelicas e do setor mais conservador da igreja católica. Ouvi este relato de camaradas em outras cidades e presenciei isso muito fortemente aqui em Petrolina.  



Pelo que senti, inclusive, o estrago só não foi maior porque a Igreja Universival sempre esteve fechada com a candidata governista e serviu como campo de resistência neste espaço de disputa. As rádios religiosas foram instrumentos importantes.

Os setores progressistas da Igreja Católica e de outras Igrejas precisam agir fortemente nesta questão. Há de se ter cuidado de não levar o discurso da candidata ainda mais para a direita. Mas não dá pra deixar os boatos progredirem ainda mais. Chega de preconceito e de atraso.


Agronegocio X Agricultura Familiar

Horta onde faço compras em Petrolina
Tema importante para tod@s @s militantes que trabalham juntos aos movimentos sociais, a questão do agronegócio e da agricultura familiar tornou-se mais interessante a mim desde que vim viver em Petrolina, no sertão pernambucano.
E algo que percebi logo da minha chegada por estas terras, concretizou-se como um retrato de que há algo de muito errado em nossa produção de alimentos: na dita terra da uva e da manga, não é tarefa tão simples encontrar tais frutos (de qualidade) para comprar. O que é bom vai para fora
O último censo agropecuário do IBGE (acho que de 2006) trouxe dados que não podem ser ignorados:
1) A Agricultura Familiar, mesmo representando apenas 24,3% de nossa área agrícola, é responsável, por exemplo, por 87% de nossa produção de macaxeira, 70% de feijão, 38% café, 58% do leite, entre outros alimentos fundamentais para a nossa população
2) Isso tudo mesmo porque recebeu recursos públicos da ordem de R$ 13 bilhões em 2008, perante um apoio ao agronegócio no valor que circunda os R$ 100 bilhões, no mesmo período.
Só estes números já nos rendem uma boa reflexão sobre qual seria, de fato, o tipo de agricultura sustentável para nossa nação e para o nosso povo. Em várias áreas, mas em especial na agricultura por motivos óbvios, é preciso responder a uma questão importante: A quem servimos? A que serve a nossa produção rural?
E olhe que nem entrei na questão da extrema exploração do trabalhador pelo agronegócio. Estou trabalhando numa Unidade de Saúde da Família na região urbana de Petrolina e tenho visto claramente uma associação importante entre este trabalho e doenças ocupacionais. Sobre este tema devem rolar mais postagens em breve, pois pretendemos iniciar algumas pesquisas por lá. 
Outros dados importantes levantados pelo censo:
– 46,4% da soja utilizou sementes transgênicas, o que me lembra da importância da eleição de Roberto Requião para o senado brasileiro pelo Paraná. Apesar de estar no PMDB, é um quadro importante do campo progressista e nacionalista do nosso país.

– 56,3% de quem utilizou agrotóxicos, não recebeu as devidas orientações técnicas para uso. 
– Apenas 1,8% pratica a chamada agricultura orgânica. Mas não acho tão alarmante, por tratar-se também de uma questão cultural e que deve ser trabalhada.