Levante Popular da Juventude contra a Tortura!

E hoje o dia foi de luta!

Jovens sairam às ruas em várias capitais brasileiras para denunciar a impunidade. Denunciar torturadores que, se parecem velhinhos inofensivos hoje, são responsáveis por muito sofrimento e mortes em nosso país. Todo crime de tortura deve ser punido!

Parabéns ao Levante Popular da Juventude.

Segue vídeo da reportagem da TV Record sobre os atos.

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Michel Zaidan e a política da desqualificação

Professor Michel Zaidan critica privatização da Saúde em Pernambuco
Na semana passada o professor Michel Zaidan escreveu um artigo criticando a forma como o Governo de Eduardo Campos tem tocado a questão da saúde no Estado de Pernambuco. (leia em Quando a Saúde se transforma num grande negócio.)

Daí, então, acho que num espaço menor que 24 horas já havia resposta pronta por parte do campo que hoje governa o Estado. Veio assinada por um vereador de Paulista chamado Júnior Matuto. Mas com um grande problema: ao invés de debate, somente desqualificações ao professor Michel Zaidan. Sugiro a leitura somente para ter uma idéia do “nívi”: Psicanalisando o Professor Zaidan

Segue o texto que escrevi ao me deparar com esse cenário:

É de conhecimento de todos que o Governo de Eduardo Campos hoje não tem, nem de longe, uma oposição que lhe faça frente. Nem à esquerda e nem à direita. Esta última esturricada e quase que completamente cooptada pela política de hegemonia da chamada Frente Popular encampada por Eduardo Campos.

Mas esse quadro não pode servir de pretexto para atacar pessoalmente a quem ameaça críticas, deixando o debate político de lado. Infelizmente essa tem sido a prática política adotada pelo Governo e seus defensores. Um grande exemplo foi a carta publicada hoje, no Blog do Jamildo, assinada por um vereador da cidade de Paulista-PE de alcunha Júnior Matuto com vários ataques ao Professor Michel Zaidan.

Antes de tudo deixo claro que não conheço pessoalmente nem o Júnior Matuto, nem o Professor Michel Zaidan. O meu lamento surge da ótima oportunidade perdida de se problematizar a fundo a questão da gestão e do financiamento da saúde no Estado de Pernambuco. Ao invés disso, um espaço importante na mídia utilizado com ataques que não nos levam a canto nenhum e nem contribuem com a melhoria das condições de nosso povo.

O debate sobre os caminhos da saúde é essencial para que corrijamos os rumos do SUS e este possa, definitivamente, atender ao máximo aos anseios da população. E, no caso de Pernambuco, faz-se mandatório discutir e aprofundar a escolha pelo modelo de Organização Social de Saúde (OSs). Não dá para entregar hospitais novos e UPAs a uma organização privada (sim, o IMIP é privado)e não esperar que haja uma reação da sociedade.

Por ora, não questiono aqui o trabalho realizado pelo IMIP, até porque conheço profissionais bastante sérios e competentes que ali trabalham. Questiono a opção. E abrir mão da administração direta não parece boa escolha.

Em alguns locais onde o modelo de OSs está há mais tempo em funcionamento, os problemas são vários. Em São Paulo, por exemplo, relatório do Tribunal de Contas do Estado confirma que OSs são deficitárias e menos eficientes. Evidencia também, entre outros pontos,  que o custo é mais alto, a taxa de mortalidade é maior e que há uma ampliação da desigualdade salarial entre os trabalhadores. Afora as várias denúncias de corrupção.

Por tudo isso, espero sempre que Governo e seus defensores aproveitem as críticas para promover o debate, ao invés de esconder-se por trás de críticas pessoais e desqualificações.

Aristóteles Cardona Júnior

Residente em Medicina de Família e Comunidade pela UNIVASF em Petrolina e militante da Frente Contra as Privatizações na Saúde do Vale do São Francisco.


No link ao lado segue o relatório do TCE-SP citado no texto. http://www.chicao.blog.br/tce-os.pdf

Uma farsa chamada Yoani Sánchez

Parece que, enfim, volto a falar sobre Cuba. Ainda devo por aqui muitos relatos, fotos e vídeos.
Mas o assunto do momento é a blogueira Yoani Sánchez, tão exaltada por veículos da grande mídia nacional.

Para ser sincero, a blogueira nunca me chamou a atenção, pois nunca me pareceu muito sincera. Mas fiquei encucado com o fato de muitos cubanos pouco a valorizarem.

Ao voltar ao Brasil, fui atrás de informações e, aí sim, consegui começar a compreender quem é a tal ativista. Uma história e prática recheadas de mentiras, ganhos financeiros e relações estreitas com diplomatas estadunidenses.

Para conhecer um pouco mais, recomendo três links.
O primeiro é para um artigo do Altamiro Borges sobre o tema: Yoani Sánchez: blogueira ou mercenária?.
O segundo é para o artigo ¿Quién es Yoani Sánchez?, com destaque para todas as referências às provas contra a farsa chamada Yoani Sánchez.
E o terceiro é para um texto escrito pelo Eduardo Guimarães: A Ditabranda de Yoani Sánchez.

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A Brutal Injustiça Tributária Brasileira

Olha o naipe dos “indignados”
Uma das pautas prediletas da elite brasileira é malhar a supostamente alta carga tributária em nosso país.
Para a falar a verdade, nem quero ser tão polêmico, por isso não vou me deter em discutir se nossa carga é realmente muito alta ou não. O ponto no qual quero focar passa pela campanha midiática permanente que vive num esforço constante de convencer a todas e todos nós de que todas as classes sociais pagam impostos altos no Brasil.  

Lembro que sempre fiquei encucado com os danados dos “impostômetros” facilmente encontrados nas principais capitais brasileiras. E mesmo antes de entrar na Universidade, eu me fazia duas perguntas:
1 – Quem banca aquelas estruturas, em geral painéis grandes, luminosos e em locais com grande circulação de pessoas?
2 – Como podemos colocar no mesmo balaio Seu João, que depende de um salário mínimo para sobreviver e paga impostos, principalmente, em cima do consumo e da sua folha salarial, com figuras como Eike Batista ou Antônio Ermírio de Moraes (vivo na época)?

Acho que o caminho da reflexão é bem por aí mesmo.

Em 2011, o jornal Brasil de Fato publicou um editorial sobre o tema. Chama-se O Impostor Impostômetro. Muito bem elaborado e com dados explícitos sobre o quão desigual é o sistema tributário em nosso país. E aí está o principal problema e merecedor de fato de uma tão propalada Reforma Tributária.

O economista João Sicsu, um dos maiores estudiosos do tema, é muito claro quanto a isso. Em texto seu de setembro/2011, opina: “No Brasil, se por um lado, os programas sociais de transferência de renda, o pagamento de benefícios da Previdência Social pública, a política de valorização real do salário mínimo e a geração de empregos têm tido um caráter fortemente distributivo; por outro, o sistema tributário brasileiro é injusto e regressivo. Em outras palavras, boa parte do gasto público é distributivo; já o sistema tributário sacrifica mais os ‘de abaixo’ e alivia ‘os de cima’. “

Ou seja, ao invés de termos um sistema tributário que leve em conta o poder aquisitivo, sobrevivemos em cima de um modelo “injusto e regressivo”, nas palavras do próprio Sicsu.

Partindo para os números, chegamos a dados da própria Receita Federal que apontam o seguinte quadro:

Com relação a participação relativa na carga tributária total, temos o consumo representando 47,36% desse total, enquanto Propriedade e Transações Financeiras são responsáveis por míseros 4,91%. E quando falamos em renda, corresponde ainda assim a apenas 20% do total arrecadado. 

E por que o imposto sobre o consumo é injusto? Porque ele trata ricos e pobres como iguais. Logo, ainda segundo palavras do Sicsu, “o esforço tributário do rico para pagar o imposto contido no seu ato de consumo é infinitamente menor que o esforço despendido pelo pobre para realizar o mesmo ato.”

A situação citada acima por si só já aponta para a insanidade do sistema brasileiro. Mas há outras absurdidades. Por exemplo, em países como EUA, Suiça e Canadá, mais que 50% da carga tributária advém dos impostos sobre a renda e a propriedade. E impostos sobre consumo não chegam a 20%. E vamos convir que estão longe de serem considerados países comunistas, hein?

E agora? Será que os empresários responsáveis pelos impostômetros topam o desafio de reverter essa pirâmide?

Vamos para outro exemplo da brutal desigualdade? Esse é bem concreto. Enquanto um trabalhador que possui carro muitas vezes realiza um grande esforço para pagar IPVA, proprietários de jatinhos, lanchas e helicópteros são isentos de imposto.

Por fim, então, seria de fundamental importância que passássemos por uma radical reforma tributária em nosso país, com a constituição de um modelo justo e necessariamente progressivo. Mas a verdade é que infelizmente, em nosso atual modelo de democracia, não há a mínima possibilidade de reversão nesse quadro no que depender dos parlamentares eleitos em Brasília. Há muito boas exceções, porém muito poucos. Grande parte já foi eleito com compromisso estreito com a burguesia. São seus representantes.

Resta-nos continuar fortalecendo a mobilização popular, além da constante formação política e muito estudo. Uma população ignorante da sua realidade somente atende aos interesses da própria classe dominante. 

Recomendo a leitura dos seguintes textos:
Mais pobres arcam com a maior parcela da carga tributária brasileira, aponta IPEA
João Sicsu: Quem paga impostos no Brasil?
Classe trabalhadora tem sido equivocadamente identificada como uma nova classe média
A falácia da carga tributária no Brasil
O Impostor Impostômetro – Editoral do Brasil de Fato

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Maniqueísmo nosso de cada dia e Belo Monte

Esta semana um vídeo tem provocado mais alvoroço que os vídeos de Jeremias José do Nascimento ou do Pedro que ficou com o chip da menina.
Trata-se de um filme estrelado por atrizes e atores da Rede Globo com ataques à construção da Usina de Belo Monte no Pará.
A minha primeira reação foi pensar: “Peraí! O que aconteceu? Que momento da análise de conjuntura eu perdi?”
Pois indo aos fatos… Desde sempre tive, e ainda mantenho, a postura contrária à construção de Belo Monte. Sou radical nesse posicionamento.
E a rede está cheia de argumentos. Acho que a questão do desenvolvimento precisa ser pensada, mas a obra é muito cara e trará consequencias incalculáveis ao meio ambiente e ao povo indígena da região. Para além disso, há de se refletir sobre quais são os interesses atendidos com a construção dessa usina. Transportar minério? Do povo é que não me parece ser.
Outra coisa: este é um governo de conciliação de classes. Não é o primeiro e nem será o último dos seus projetos que representam os interesses da burguesia nacional e internacional. Logo, não é novidade.

A Globo, por sua vez, sempre esteve e continuará a serviço da burguesia. Então o mínimo que temos que fazer é refletir sobre quais seriam os interesses escondidos aí por trás. 
Creio sinceramente ser um erro cair nesse governismo cego de muitos que não podem ouvir uma crítica ao governo que começam a vociferar que “é coisa da direita”. Ao passo que não dá para cair na superficialidade de ignorar os interesses aí envolvidos só porque é uma crítica ao governo Dilma e passar a achar que os globais são revolucionários, são de esquerda, etc, e que ninguém pode falar mais nada sobre eles. Aliás, daquele grupo todo, é reconhecido o compromisso social de apenas duas delas: A Letícia Sabatela e a Dira Paes. E só.
Todo e qualquer brasileiro, mesmo os globais, possuem pleno direito de manifestar suas posições políticas. Ótimo. Mas acho fundamental sim entender o processo como um todo. O próprio movimento que assina o manifesto. Movimento Gota D’Água. Quem são? Quem banca? O que querem? Não há a menor clareza sobre essas questões. Mas desconfio que não estejam a serviço do povo brasileiro.

Malditos Comunistas!


Em Cuba, se você tiver aptidão para o esporte, vai poder se desenvolver com total apoio do estado. Pô, assim não vale! Do jeito que eles fazem, com escolas para todos, professores especializados e centros de excelência gratuitos, é moleza. Quero ver é fazer que nem a gente, no improviso. Aí, duvido que eles ganhem de nós. Duvido!

José Roberto Torero

Acabaram os jogos Pan-Americanos e mais uma vez ficamos atrás de Cuba.
Mais uma vez!
Isso não está certo. Este paiseco tem apenas 11 milhões de habitantes e o nosso tem 192 milhões. Só a Grande São Paulo já tem mais gente que aquela ilhota.
Quanto à renda per capita, também ganhamos fácil. A deles foi de reles 4,1 mil dólares em 2006. A nossa: 10,2 mil dólares.
Pô, se possuímos 17 vezes mais gente do que eles e nossa renda per capita é quase 2,5 vezes maior, temos que ganhar 40 vezes mais medalhas que aqueles comunas.
Mas neste Pan eles ganharam 58 ouros e nós, apenas 48.
Alguma coisa está errada. Como eles podem ganhar do Brasil, o gigante da América do Sul, a sétima maior economia do mundo?
Já sei! É tudo para fazer propaganda comunista.

A prova é que, em 1959, ano da revolução, Cuba ficou apenas em oitavo lugar no Pan de Chicago. Doze anos depois, no Pan de Cáli, já estava em segundo lugar. Daí em diante, nunca caiu para terceiro. Nos jogos de Havana, em 1991, conseguiu até ficar em primeiro lugar, ganhando dos EUA por 140 a 130 medalhas de ouro.
Sim, é para fazer propaganda do comunismo que os cubanos se esforçam tanto no esporte. E também na saúde (eles têm um médico para cada 169 habitantes, enquanto o Brasil tem um para cada 600) e na educação (a taxa de alfabetização deles é de 99,8%). Além disso, o Índice de Desenvolvimento Humano de Cuba é 0,863, enquanto o nosso é 0,813.
Tudo para fazer propaganda comunista!
Aliás, eles têm nada menos do que trinta mil propagandistas vermelhos na cultura esportiva. Ou professores de educação física, se você preferir. Isso significa um professor para cada 348 habitantes. E logo haverá mais ainda, porque eles têm oito escolas de Educação Física de nível médio, uma faculdade de cultura física em cada província, um instituto de cultura física a nível nacional e uma Escola Internacional de Educação Física e Desportiva.
Há tantos e tão bons técnicos em Cuba que o país chega a exportar alguns. Nas Olimpíadas de Sydney, por um exemplo, havia 36 treinadores cubanos em equipes estrangeiras.
E existem tantos professores porque a Educação Física é matéria obrigatória dentro do sistema nacional de educação.
Até aí, tudo bem. No Brasil a Educação Física também é obrigatória.
A questão é que, se um cubano mostrar certo gosto pelo esporte, pode, gratuitamente, ir para uma das 87 Academias Desportivas Estaduais, para uma das 17 Escolas de Iniciação Desportiva Escolar (EIDE), para uma das 14 Escolas Superiores de Aperfeiçoamento Atlético (ESPA), e, finalmente, para um dos três Centros de Alto Rendimento.
Ou seja, se você tiver aptidão para o esporte, vai poder se desenvolver com total apoio do estado.
Pô, assim não vale!
Do jeito que eles fazem, com escolas para todos, professores especializados e centros de excelência gratuitos, é moleza.
Quero ver é eles ganharem tantas medalhas sendo como nós, um país onde a Educação Física nas escolas é, muitas vezes, apenas o horário do futebol para os meninos e da queimada para as meninas. Quero ver é eles ganharem medalhas com apoio estatal pífio, sem massificar o esporte, sem um aperfeiçoamento crescente e planejado.
Quero ver é fazer que nem a gente, no improviso. Aí, duvido que eles ganhem de nós. Duvido!
Malditos comunistas…
José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado

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Urariano Mota: A última mentira do Cabo Anselmo

Urariano Mota, no Direto da Redação, via Viomundo

José Anselmo dos Santos, ou Daniel, ou Jadiel, ou Jônatas…  ou mais simplesmente Cabo Anselmo, se apresentou no Roda Viva na última segunda-feira. Como já se esperava, ele esteve muito à vontade, porque os entrevistadores não pesquisaram a história dos seus crimes, e se fizeram esse indispensável dever, não quiseram levá-lo às cordas, para confrontar as suas esquivas com os depoimentos de testemunhas de 1973, ano das execuções de 6 militantes socialistas no Recife.
O momento mais acintoso foi quando ele se referiu à sua mulher, Soeldad Barrett, e dela retirou a gravidez, para se isentar de um hediondo crime, que cai como um acréscimo à traição de entregá-la para a morte.  Observem-no aqui neste momento, http://www.youtube.com/watch?v=iNf2M8c4gXs a partir do minuto 22.05 até 22.42.

Transcrevo:
“Cabo Anselmo – A Soledad usava DIU, desde que fez um aborto aqui em São Paulo, antes da ida para o Recife.
Entrevistador –  O senhor contesta a gravidez da Soledad?
Cabo Anselmo – Como?
Entrevistador – O senhor contesta que ela estivesse grávida, como a versão histórica …
Cabo Anselmo – Se eu acreditar, como dizem os médicos, que o DIU era o mais seguro dos preservativos, eu contesto, sim.
Entrevistador – Então o feto encontrado lá não era dela?
Cabo Anselmo – Eu imagino que seria da Pauline. A Pauline estava grávida, inclusive teve problema de gravidez, e Soledad a levou até o médico.”
Não vem ao caso agora observar que ele ganha tempo para responder, quando finge não ouvir bem e pergunta “Como?”.  Importa mais agora confrontá-lo com três depoimentos históricos. No primeiro deles, e mais impressionante, a advogada Mércia Albuquerque assim declarou na Secretaria de Justiça de Pernambuco, em 1996:
“Soledad estava com os olhos muito abertos com expressão muito grande de terror, a boca estava entreaberta e o que mais me impressionou foi o sangue coagulado em grande quantidade que estava, eu tenho a impressão que ela foi morta e ficou algum tempo deitada e a trouxeram, e o sangue quando coagulou ficou preso nas pernas porque era uma quantidade grande e o feto estava lá nos pés dela, não posso saber como foi parar ali ou se foi ali mesmo no necrotério que ele caiu, que ele nasceu, naquele horror”.
No segundo deles, a dona da butique em Boa Viagem, onde foram presas Soledad e Pauline , lembra que em 1973 Soledad lhe dissera que iria viajar para rever a única filha, antes de dar à luz, porque estava grávida. Isso foi falado à testemunha dias antes da  execução dos socialistas em janeiro, numa conversa íntima entre mulheres. Soledad estaria louca ou a dona da butique estaria inventando histórias?  E agora, por fim, prestem bem atenção mo que lembra um professor de história do Recife: Soledad e Anselmo foram vistos na Rua das Calçadas, no Recife, a comprar roupinhas de bebê. Que lindo e canalha, não?  Será que estariam então todos enganados a fantasiar a gravidez de Soledad, somente para incriminar o pobre Anselmo?
Ontem no Roda Viva o Cabo Anselmo cometeu a sua mais escabrosa mentira. Transferiu a gravidez da mulher para outra morta. E todos os repórteres, entrevistadores, apresentador calaram diante da eloqüência do velho traidor. O DIU, dizem os médicos, tem apenas 0,1% de falha. Já um agente duplo nunca nega fogo: é 100 % mentiroso.

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Campanha Contra Agrotóxicos é Lançada no Vale do São Francisco

            Cerca de 130 pessoas de mais de 20 organizações, envolvedo movimentos sociais do campo e da cidade, sindicatos, entidades estudantis, ambientalistas, etc; se reuniram no último dia 29/07 no auditório da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF, para fazer o lançamento do Comitê Regional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
            O Vale do São Francisco é uma das regiões a nível nacional mais afetadas pelo uso de agrotóxicos, pois a atuação de empresas do agronegócio que cultivam grandes lavouras de frutas irrigadas na forma de monocultivos são extremamentes dependentes do uso de agrotóxicos.
            Na abertura da atividade Elizete Carvalho Fagundes da Via Campesina, destacou que “O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, pois só ano de 2009 foram jogados cerca de 1 bilhão de litros de agrotóxicos  nas lavouras, isso equivale a cerca de 5,2 litros de agrotóxico por pessoa por ano”


            Durante a mesa de debate Cleber Folgado da coordenação nacional da campanha destacou o histórico dos agrotóxicos e a sua periculosidade “Os agrotóxicos são restos das armas químicas produzidos durante a segunda guerra mundial para matar pessoas e as florestas, e que com  fim da guerra são adaptados para agricultura, de forma que não podemos ter dúvidas que agrotóxicos são venenos feitos para matar e que hoje são usados de forma absurda sobre a agricultura afetando diretamente a saúde daqueles que pela aplicação ou pelo consumo de alimentos contaminados entram em contato com os agrotóxicos”

            O professor da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Paulo Augusto da Costa Pinto, doutor em solos e nutrição de plantas e pós-doutorado na Universidad de Santiago de Compostela – Espanha; destacou a necessidade do conjunto da sociedade em romper com a dependencia a uso de agrotóxicos “A sociedade está se envenenando e o pior de tudo que isso tem sido feito pela alimentação; necessitamos urgentemente romper com a dependência da produção com o uso de agrotóxicos, pois nos impuseram este modelo de morte, e hoje temos a necessidade juntar as forças do campo e da cidade para construir novo modelo de produção, por que agrotóxico matam”

            A estudante de psicologia e presidente do DCE-UNIVASF, Sarah Fonseca, destacou a necessidade de colocar este debate para dentro da universidade “Precisamos qualificar e levar o debate sobre a problemática causada pelos agrotóxico para dentro da universidade, pois é um espaço de formação de opinião, e onde deve-se aproveitar do conhecimento cientifico para explicitar todo o mal causado pelos agrotóxicos à sociedade”


            O lançamento também contou com o apoio da OAB na pessoa do Sr. Jaime Badeca que destacou o apoio da entidade nesta causa “podem contar com a OAB, pois já se torna inadmissível e inaceitável a utilização de agrotóxicos, e terão todo o nosso apoio para com essa causa”

            Durante o debate várias foram os testemunhos de pessoas que já foram intoxicadas ou que conheceram pessoas que a partir da contaminação com agrotóxicos chegaram a morte.
             Terminada a parte de debate e reflexão sobre a problemática, todas as pessoas presentes saíram as ruas do centro de Juazeiro – BA, onde fizeram uma longa marcha e um ato de encerramento com falas de protesto e denúncia; durante a caminhada foram distribuidos panfletos de conscietização a sociedade que em vários momentos aplaudiu a iniciativa.
            O lançamento da campanha foi feito justamente no período em que esta ocorrendo a Feira Nacional de Agricultura Irrigada – FENAGRI, que é apoiada pelas empresas do agronegócio, como uma forma de protesto e alerta a sociedade, pois são essas empresas que descarregam quantidades exorbitantes de agrotóxicos nas lavouras e assim contaminam a terra, a água, o ar, as plantas e prejudicam de forma direta ou indireta as pessoas.
            Segundo Aristóteles Cardona Júnior , médico e militante da Consulta Popular “são estas empresas as responsáveis pela contaminação das pessoas e do meio ambiente, no entanto é todo o conjunto da sociedade que paga os prejuízos, pois em especial a saúde das pessoas é prejudicada seja pelo consumo de alimentos contaminados, ou pelo contato direto com os venenos no processo de sua aplicação. Os agrotóxicos não são mais um problema dos camponeses e agricultores familiares, mas já se tornaram um problema de saúde pública”

            Agora com o Comitê do Vale do São Francisco constituído, a ideia é potencializar o debate com a sociedade e juntar o máximo de pessoas e organizações para que se somem na construção da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, e assim dar passos rumo a proibição do uso de agortóxicos.
O e-mail para contato com a Secretaria Operativa do Comitê local é: contraosagrotoxicosdovale@gmail.com

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Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

19 de julho de 2011

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.

Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. A reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.

Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST, Marina dos Santos, que não saíram em O Globo.

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos – tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato – também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção? 

Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes – como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul – mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?

Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve coma devolução do dinheiro roubado…

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF – por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF – que acabam naturalizando a impunidade junto a população.

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Combater os Agrotóxicos é Combater o Agronegócio

“Agrotóxico é um nome bonito criado pela indústria. O certo é veneno!” 

Esta frase foi proferida por um agricultor em conversa recente no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina. E está coberto de razão. Estamos falando de veneno. Mas tudo faz parte de uma grande jogada de manutenção do controle sobre a agricultura brasileira e mundial.

O Brasil hoje é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. São derramados em solo e água cerca de 1 bilhão de litros deste veneno, em média, a cada ano. Esse número nos leva ao seguinte cálculo: são cerca de 5 litros para cada brasileira e brasileiro por ano.

O nicho do mercado movimenta cerca de US$ 48 bilhões de dólares em todo mundo, sendo 16% desse valor só no Brasil. São 6 as empresas transnacionais que comandam este processo: Syngenta, Bayer, Basf, Monsanto, Dow e Dupont. Juntos são responsáveis por mais de 2/3 de todo o mercado. O cálculo não inclui os lucros auferidos com outros produtos do pacote, como as sementes transgênicas, produzidos em sua maioria por estas mesmas empresas.


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