A necessidade de uma bandeira política de massas

Povo nas ruas
Segue abaixo o editorial do Brasil de Fato desta semana. Ótima leitura.
Abraços
—-
A imprensa conservadora aproveita para explorar erros primários como a queima do fusquinha de um trabalhador durante uma manifestação ou a trágica morte do cinegrafista da Band para desconstruir no imaginário popular esta importante herança das manifestações de junho, ou seja, a legitimidade das lutas sociais. Pequenos grupos sem programa e bandeira política, com suas ações supostamente radicais, têm atraído a simpatia de jovens que participaram das manifestações de junho.
14/02/2014
Editorial da Edição 572 do Jornal Brasil
A trágica morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, atingido por um rojão na cabeça enquanto registrava uma manifestação no Rio de Janeiro, suscita uma justa onda de solidariedade em todo o Brasil. Ao mesmo tempo, a tragédia nos possibilita qualificar o debate sobre as tarefas políticas e as formas de luta adequadas para as forças populares nesse momento histórico.
As manifestações de junho, além de possibilitar a elevação da disposição para a luta na sociedade, também abriram espaço para a legitimação da luta popular. Esse patrimônio está em risco. Isto porque ações desastradas e sem o mínimo de preparo têm marcado as manifestações pós-junho de 2013. A banalização da ação direta e o recurso à violência muito mais como um fetiche “radicaloide” do que como necessidade real da luta política está abrindo espaço para estreitar as margens para o livre exercício do direito de manifestação.
A imprensa conservadora aproveita para explorar erros primários como a queima do fusquinha de um trabalhador durante uma manifestação ou a trágica morte do cinegrafista da Band para desconstruir no imaginário popular esta importante herança das manifestações de junho, ou seja, a legitimidade das lutas sociais. Pequenos grupos sem programa e bandeira política, com suas ações supostamente radicais, têm atraído a simpatia de jovens que participaram das manifestações de junho.
Todo povo tem o direito de usar o recurso da violência para a defesa de sua soberania nacional. Nas sociedades democráticas de massas o recurso à violência por parte das forças populares deve ocorrer em última instância e como uma reação às agressões dos inimigos do povo. Cair em provocações das forças de repressão e cultivar a banalização da violência nas manifestações afasta a classe trabalhadora dos atos de rua. A direita se aproveita das ações violentas e desastradas de pequenos grupos para pedir mais repressão.
Aliás, a ação dos Black Bloc’s no Brasil é um fenômeno típico de uma sociedade que está em transição para a retomada das lutas de massas. Há uma crise na esquerda brasileira. E o sintoma disso é que grande parte da juventude ainda não tem referência organizativa.
No momento em que ocorrer a convergência da jovem classe trabalhadora e da juventude com o programa histórico das forças populares, tendo como síntese uma bandeira política de massas, certamente o fenômeno Black Bloc perderá espaço na sociedade.
O desafio fundamental reside na necessidade de um programa e de uma bandeira política de massas que seja polo aglutinador na sociedade. As forças populares precisam urgentemente atravessar esse rubicão. Caso contrário, perderemos o tempo político e uma onda conservadora poderá varrer nosso país. O momento é propício para avançarmos no desafio da bandeira política.
O MST passa pelo seu VI Congresso Nacional e se revigora para seguir em luta. A bandeira política da constituinte para reformar o sistema político tem um enorme potencial diante da crise por que passa sociedade brasileira.

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E, de repente, a Venezuela desaparece da grande mídia!

Boa sacada do Max Altman. Vi no sítio da Revista Fórum (Link) e reproduzo aqui. São boas as notícias e a revolução segue na Venezuela!
Presidente Nicolás Maduro

Notaram que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa?

Por Max Altman
Crucial vitória de Nicolás Maduro, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e da Revolução Socialista Bolivariana; contundente derrota de Henrique Capriles, da MUD e dos setores golpistas de oposição; agora a atacar e resolver os problemas da economia e avançar nas conquistas sociais.
“Dedicaram-se, durante todo o ano de 2013 e, principalmente, após a morte de Chávez, a sabotar a economia, a sabotar o sistema elétrico, à desestabilização, ao caos, à guerra psicológica. Trataram de converter eleições municipais em plebiscito. E o que ocorreu: o triunfo da Revolução Socialista Bolivariana derrotou os planos golpistas da direita.”  Nicolás Maduro
Notaram, meus caros amigos e amigas, que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa quando antes do 8 de dezembro enchiam suas páginas vaticinando a ‘débâcle’ do governo Maduro pelos inúmeros enviados especiais e correspondentes?
Disseram que era um plebiscito e foram com tudo. Os oligarcas são sempre insolentes. Ainda mais se são apoiados pelos Estados Unidos. Contavam que o empurrão definitivo para derrocar Maduro viria com o 8 de dezembro. Estavam cuidando dessa tarefa fazia meses. Remarcação de preços de todos os produtos muito acima da inflação, provocando desespero na população, desabastecimento induzido, sabotagem elétrica, açambarcamento, insegurança. (E mais erros do próprio governo, que as manchetes gritantes dos jornais, rádios e televisão punham em evidência). O mesmo cenário que se havia preparado para Salvador Allende antes do golpe de 1973. Desde os Estados Unidos, Roger Noriega escreveu e descreveu a tese do colapso total, que seria arrematado oportunamente, quando a situação ficasse insustentável, pelo exército norte-americano. Que a Venezuela tem demasiado petróleo. Parte importante da oposição estava de pleno acordo com esse roteiro. Por fim, o chavismo aniquilado. Fim do pesadelo. Malditos vermelhos.

Disseram que as eleições eram um plebiscito. E estavam disso plenamente convencidos. E o repetiram El País,  ABC,  El Mundo, Clarín, The New Yor Times, Newsweek, a CNN, Fox News, RAI, Excelsior, Miami Heral, Folha de S. Paulo, O Globo, TV Globo, o Estado de S. Paulo… Todavia eram apenas eleições municipais, com suas características próprias, conhecidas em todo o mundo político. Apresentavam-se candidatos a prefeito, vereador que iriam dar conta da prestação de serviços, asfaltamento de ruas, tráfego, varrição de lixo …, coisas de município. Mas que importância tinha tudo isso? Para que perder a ocasião? Eram as primeiras eleições municipais sem Chávez. Disseram que eram mais que urnas municipais, que o chavismo sem Chávez estava ferido de morte, que o ilegítimo e incompetente Maduro ganhara a presidencial por diferença mínima e por meio de fraude, e que agora sim, agora teria que abandonar o Palácio Miraflores, por bem ou expulso pela força. Ah, se resistisse por que não envolto num saco de lona.
Porém eis o que o povo falou:

Fonte: www.aporrea.org (Clique na imagem para ampliá-la)

Comparecimento nacional de 58.92%. (Recorde nacional em eleições similares. Na Venezuela o voto não é obrigatório.)
1. As 335 prefeituras ficaram assim distribuídas:
242 (72,24%) para o PSUV e aliados;
75 (22,32%) para a MUD e aliados;
18 (5,44%) para independentes.
2. Das 40 cidades mais populosas, o PSUV ganhou em 30.
3. Das 25 capitais, o PSUV conquistou 15 e a MUD 10. Se a oposição venceu em Barinas, capital do estado Barinas, governado pelo irmão de Chávez, Adan Chávez – o que foi intensamente alardeado – a Revolução conquistou Los Teques, Guaicaipuro, estado Miranda, gobernado por Capriles – o que foi escondido.
4. PSUV e aliados obtiveram um total nacional de 5.277.491 votos; a MUD e aliados, 4.423.897. Diferença: 853.594 votos. (Cumpre lembrar que a diferença a favor de Maduro nas eleições presidenciais foi de cerca de 230 mil votos ou 1,6%.).
5. Se levarmos em conta apenas os votos da Revolução e da Oposição teremos, respectivamente, 54,40% e 46,60. (Vale destacar, por exemplo, que entre as agremiações políticas que concorreram independentemente está o Partido Comunista, firme aliado da Revolução, e que obteve 9 prefeituras, sendo 2 sem aliança, e cerca de 1,6% dos votos ou cerca de  175 mil votos. Se acrescentarmos somente esses votos à Revolução, a diferença ultrapassa os 10 pontos percentuais.)
6. No Estado Miranda, governado pelo líder da oposição, Henrique Capriles, o Psuv e aliados obtiveram 560.826 votos (52,1%) contra 514.796 votos (47,9%)  da Mud e aliados.
Votação nas capitais:
Município Libertador Distrito Capital (1.625.151 eleitores)
Jorge Rodríguez – Psuv  –  54,55
Ismael Garcia – Mud  –  43,34%
Município Bolívar, Estado Anzoategui  (85.764)
Guillermo Martínez –  Psuv  –  84,63%
Olga Azuaje – Mud  –  14,39%
Município San Fernando; Estado Apure (109.817)
Ofelia Padrón –  Psuv  –  65,27%
Yadala Abouhamud – Mud  –  32,19%
Município Girardot, Estado Aragua (341.979)
Pedro Bastidas –  Psuv  –  51,55%
Tonny Real – Mud  –  45,89%
Município Barinas, Estado Barinas  (224.115)
Machin Machin – Mud  –  50,44%
Edgardo Ramirez – Psuv  –  48,58%
Município Heres, Estado Bolívar  (224.297)
Sergio Hernández – Psuv  –  47,25%
Victor Fuenmayor – Mud  –  40,92%
Município Valencia, Estado Carabobo  (578.193)
Michele Cochiola – Mud  –  54,24%
Miguel Flores – Psuv  –  44,28%
Município Ezequiel Zamora,  Estado Cojedes  (71.330)
Pablo Rodríguez – Psuv  –  54,68%
Ramon Moncada – Mud  –  36,62%
Município Tucupita, Estado  Delta Amacuro (63.649)
Alexis Gonzalez – Psuv  –  54,38%
Maria Mercano – Mud  –  33,30%
Município Iribarren, Estado Lara  (682.682)
Alfredo Ramos – Mud  –  52,41%
Luis Bohorquez – Psuv  –  46,04%
Município Libertador, Estado Mérida  (168.040)
Carlos García –  Mud  –  63,82%
Maria Castillo – Psuv  –  33,49%
Município Guaicaipuro, Estado Miranda  (191.070)
Francisco Garcés –  Psuv  –  52,21%
Romulo Harrera – Mud  –  45,89%
Município Arismendi, Estado Nueva Esparta  (21.262)
Richard Fermín – Mud  –  48,20%
Luiz Dias – Psuv  –  44,38%
Município Guanare, Estado Portuguesa  (124.094)
Rafael Calles – Psuv  –  70,76
Francisco Mora – Mud  –  23,97%
Município Sucre, Estado Sucre (241.194)
David Velásquez – Psuv  –  54,71%
Robert Alcalá – Mud  –  42,35%
Município San Cristóbal, Estado Tachira  (208.183)
Daniel Ceballos – Mud  –  67,67%
Jose Zambrano – Psuv  –  29,42%
MunicípioTrujillo, Estado Trujillo  (43.027)
Luz Castillo – Psuv  –  53,16%
Luis Briceño – Mud  –  40,18%
Município San Felipe, Estado Yaracuy  (69.258)
Alex Sánchez – Psuv  –  49,68%
Jose Reyes – Mud  –  46,79%
Município Vargas, Estado Vargas  (265.837)
Carlos Alcalá Cordones – Psuv  –  53,92%
Fabiola Colmenares – Mud  –  37,99%
Município Maracaibo, Estado Zulia  (944.129)
Eveling de Rosales – Mud  –  51,74%
Perez Pirela – Psuv  –  46,64%
Município Metropolitano,  Alcaldia Mteropolitana  (2.474.833)
Antonio Ledezma – Mud  –  51,28%
Ernesto Villegas – Psuv  –  47,22%
Município Atures, Estado Amazonas  (72.005)
Adriano Gonzalex – Mud  –  49,57%
Delmis Bastidas – Psuv  –  46,78%
Município Maturin, Estado Monagas  (338.694)
Warner Jimenez – Mud  –  38,63
Jose Maicovares – Psuv  –  37,26%
Município Miranda, Estado Falcón  (138.895)
Pablo Acosta – Psuv  –  47,97%
Victor Jurado – Mud  –  46,87%
Município Roscio, Estado Guarico  (86.493)
Gustavo Mendes – Psuv  –  49,88%
Douglas Gonzalez – Mud  –  48,22%
Dados do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela

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Capriles sofre derrota em “plebiscito” na Venezuela

Latuff sobre a função social de Capriles na Venezuela
Venezuela: la derrota del “plebiscito” de Capriles
Por Juan Manuel Karg
Licenciado en Ciencia Política UBA
Investigador del Centro Cultural de la Cooperación
Los resultados de la elección del pasado domingo en Venezuela significaron un nuevo triunfo para el Partido Socialista Unido de Venezuela y sus aliados. Estos conquistaron, según el primer parte informativo del Consejo Nacional Electoral, 5.111.336 de votos, es decir el 49,24% de los sufragios emitidos, frente a los 4.435. 097 de votos (42,72%) de la Mesa de Unidad Democrática (MUD).
Si bien la oposición efectivamente ganó en importantes distritos (Alcaldía Mayor de Caracas, Maracaibo, Barinas, entre otras), el primer análisis que debe hacerse es que los resultados del domingo han sido una dura derrota para el ex candidato presidencial Henrique Capriles, quien a lo largo de estos últimos meses intentó “centralizar” una elección de por sí descentralizada -ya que se votaban alcaldías y concejales-. La diferencia de “votos globales” de acuerdo al primer parte del CNE -676.239 votos a favor del PSUV y sus aliados- ha dañado el intento de Capriles, quien se había propuesto ganar en la sumatoria de votos a nivel país, para demostrar de esta forma que el chavismo había perdido la mayoría del apoyo popular (algo que, finalmente, no sucedió).
El PSUV ganó importantes alcaldías, como Municipio Libertador (Caracas), con el 54% de los votos; Bolívar (Anzóategui), 52%; San Fernando (Apure), 65%; Girardot (Aragua), 51%; Heres (Bolívar), 47%; Ezequiel Zamora (Cojedes), 54%; Tucupita (Delta Amacuro), 54%; Guaicaipuro (Miranda), 52%; Guanare (Portuguesa), 70%; Sucre (Sucre), 54%; Trujillo (Trujillo), 53%; San Felipe (Yaracuy), 49%; y Vargas (Vargas), 54%. En todos estos casos, como se ve por los porcentajes alcanzados, los triunfos han sido inobjetables.
¿Cómo se explican estas cifras en un país que viene sufriendo diversos intentos de desestabilización, tanto a nivel económico como político? El PSUV y sus aliados llegaron a esta contienda con un elemento favorable, que indudablemente incidió en el global de votos: la “ofensiva económica” que el gobierno de Maduro decidió implementar con el combate a la especulación y el posterior fomento de medidas para la baja de precios en diversas tiendas. Estas medidas, a contrapelo de lo que informaron algunos medios de comunicación hegemónicos de nuestro continente, fueron vistas con buenos ojos por las mayorías populares venezolanas.
Por otro lado la derrota en Barinas, capital del Estado natal de Hugo Chávez, ha sido probablemente la peor noticia de la elección para el chavismo. Allí, disputas internas dentro del PSUV fomentaron la aparición de dos candidaturas: ambas fueron derrotadas por el candidato de la MUD, José Luis Machín, quien se impuso con el 50%. Durante su discurso en la noche del domingo, el propio Nicolás Maduro hizo referencia a este caso, al afirmar que era necesaria la “unidad” en las filas de la Revolución Bolivariana, para evitar que casos como éste se repliquen.
Vista como una totalidad, como planteaba la propia MUD antes de la misma, la elección del pasado domingo es la segunda victoria del PSUV luego de la muerte de su fundador, Hugo Chávez, y la cuarta derrota consecutiva del armado electoral que encabeza Henrique Capriles en sólo 14 meses. La MUD no ha podido vencer en su propio terreno: el de intentar “plebiscitar” la elección. Capriles deberá afrontar ahora una situación de inestabilidad como conductor de este armado, al emerger nuevamente en la “arena política” personajes que sí han vencido el pasado domingo (Ledezma, por ejemplo). Se abrirá, así, una etapa de convulsiones dentro de la propia MUD, entre perdedores y ganadores de esta elección

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Honduras y un fraude que exige urgente respuesta

por Carlos Aznárez


Era mundialmente conocido que durante los últimos meses, todas las encuestas, inclusive las de la oposición mostraban que el triunfo de la candidata del Partido Libre era irreversible. Xiomara Castro, acompañada por verdaderas movilizaciones multitudinarias había recorrido el país y a su paso no sólo recibía el júbilo clamoroso de sus seguidores, sino todo tipo de improperios por parte de la derecha oficialista. Estos últimos gestos respondían, sin duda, a la contundencia del apoyo popular para el Partido Libre, que prácticamente aseguraban su triunfo.

Sin embargo, las previsiones de fraude no dejaban de ser una amenaza. Lo recordaban ayer mismo varios de los observadores internacionales que con el correr de las horas y al ver que el Tribunal Supremo Electoral (TSE) ocultaba miles de actas y consagraban “manu militari” el triunfo al candidato oligárquico Juan Orlando Hernández,  se desesperaban para investigar en qué “Tríangulo de las Bermudas” habían desaparecido esas decenas de miles de votos para Xiomara que cada uno de los fiscales de Libre habían visto en el conteo urna por urna. Incluso, otro de los candidatos, Salvador Nasrala, del Partido Anti-Corrupción, ya ha anunciado su desconocimiento de los resultados emitidos por el TSE, debido a lo descarado del fraude existente.

El gran problema ha residido, y ahora lo reconocen algunos dirigentes de Libre, es haber tenido la ingenuidad de reconocer de antemano a este TSE, cuyos integrantes son los mismos que avalaron el golpe militar de 2009. Se pecó indudablemente de cierta ingenuidad, al creer que quienes durante estos años generaron un golpe de Estado, masacraron al campesinado del Aguán, ampararon el asesinato de periodistas y encarcelaron a miles de hondureños, podían organizar un acto electoral para ser finalmente derrotados. La burguesía no se suicida, y sólo puede ser jaqueada a través de la movilización popular.  Alli reside una de estas contradicciones que casi siempre generan estas democracias no representativas y mucho menos participativas: imponer instituciones amañadas y corruptas, integradas por jueces o funcionarios venales que cumplen a la perfección la consigna de salvar al capitalismo y avalar la represión que sea necesaria para imponer sus designios. 

Fue precisamente ese TSE el que está dando a conocer resultados en los que la gran mayoría del pueblo no cree. Y eso ocurre así, porque el sistema hondureño, ese mismo que en su momento fue “perdonado” injustamente por la gran mayoría de los países latinoamericanos para que vuelva a los foros continentales, dándole la espalda a la heroica Resistencia Popular, no va a ceder ni un ápice frente a quienes desean que se produzcan cambios profundos.

Xiomara Castro ha ganado las elecciones, sin duda, (con una ventaja de alrededor de 5 puntos sobre el oficialismo) pero ocurre que la derecha oligárquica y golpista maneja todos los resortes del poder (ejecutivo, legislativo, judicial, mediático) y puede darse el gusto de generar esta perversa contradicción: la victoria obtenida en las urnas se ha perdido en el escrutinio. No es muy distinto a lo que le ocurrió en dos oportunidades a los seguidores de Andrés López Obrador en México, y ese ejemplo marca también algunas enseñanzas. Lo que se pierde en el fraude comicial es necesario ganarlo en la calle, y sin pérdida de tiempo. Ya lo expresó el referente del Frente Nacional de la Resistencia Popular y del partido Libre, Juan Barahona: “No nos vamos a quedar con los brazos cruzados y si nos roban el triunfo, volveremos a lo que hemos hecho siempre, resistir, resistir y resistir en las calles hondureñas”.

Xiomara Castro ha ganado y el actual momento no parece que se pueda resolver sólo con denuncias ni con conferencias de prensa, bajo el riesgo de defraudar a quienes tanto han luchado desde aquellas jornadas inolvidables de 2009. Se hace necesario antes que nada preservar la unidad alrededor de  Libre, y por otro lado, que su dirigencia  reconduzca rápidamente el proceso y dé señales claras a nivel nacional e internacional de que está dispuesta a no dejar pasar este nuevo robo a la voluntad mayoritaria de su pueblo. Si se cierran las puertas de la legalidad pseudo democrática, si se trata de imponer una victoria continuista con el desparpajo de manejar un Tribunal fraudulento, al pueblo hondureño no le va a quedar otro camino que la confrontación directa con sus enemigos de clase. Doloroso pero cierto por todas las consecuencias que ello acarrea. Pero hay circunstancias de los pueblos en las que seguir poniendo “la otra mejilla” significa prolongar la agonía.

Lo ocurrido este domingo en Honduras es algo bien sabido pero que constantemente se repite para desgracia de los pueblos: las llamadas democracias “formales” representan una maquinaria para sostener las sacrosantas instituciones del capitalismo. Para llevarlo a cabo apelan a fraudes escandalosos, como en este caso, o utilizan la prepotencia policial-militar si fuera necesario, como ocurriera en la misma Honduras en otras oportunidades. 

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Eleições decisivas para a resistência popular Hondurenha

Compartilho abaixo texto do companheiro Ronaldo T Pagotto sobre a importante eleição presidencial em Honduras neste fim de semana.


Passados 4 anos do golpe militar que derrubou Mel Zelaya, após uma longa marcha de resistência, a luta popular participará ativamente das eleições gerais no próximo dia 24 de novembro. Alguns desafios e perspectivas da luta em Honduras.
O dia quase amanhecendo, domingo, pouco antes das 5 da manhã, foi possível ouvir uma rajada de tiros atingir algo de metal. Em seguida vozes, passos apressados, uma porta arrombada e o casal preso, no quarto do lado a filha. Zelaya, de pijama, assiste sua filha ser conduzida em trajes íntimos. Humilhado.
O plano original sofre um ajuste na última hora, resultado de um impasse nas FFAA. De um lado os militares com a ordem de execução, do outro, soldados que não concordaram com a missão de matar um presidente legitimamente eleito. O impasse foi resolvido com a alternativa de converter aquela execução em um sequestro, conduzido a Base Militar de Palmerola, posteriormente seguido do envio do presidente – ainda de pijamas – para a Costa Rica. Sua família fica em Honduras, e são as primeiras vozes de resistência.
Na mesma manhã a Ministra das Relações Exteriores, Patrícia Rodas, juntamente com o Embaixador Cubano, foram presos e maltratados. O embaixador da Venezuela também foi agredido. A internet foi suspensa, o canal de TV estatal sai do ar e garantiram o clima de golpe.
A base militar de Palmerola, cedida aos USA desde o final da década de 1970, preparou e deu apoio logístico ao voo do presidente. O embaixador dos USA, Hugo Llorens, conhecido da América Latina (fora sequestrado de Cuba ainda menino na Operação Peter Pan, e lá se formou como um Anti-Cuba ferrenho e ligado a CIA) estivera mediando diálogos – supostamente para negociar com os polos da tensão – e paralelamente articulava a derrubada de Zelaya. A ele não interessava a aproximação de Honduras com Cuba e Venezuela, nem via com bons olhos o crescimento da mobilização popular naquele que sempre fora uma área especial de influência gringa.


Os “crimes” de Zelaya, ou, os antecedentes do golpe
O teatro golpista usou um fato atípico na vida do povo hondurenho. Naquele domingo de junho o povo hondurenho seria ouvido, seria consultado com uma pergunta:
“Concorda com a instalação de uma quarta urna nas eleições gerais para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte?”.

A consulta não seria vinculativa, nem com caráter obrigatório. Seria realizada sob o comando do INE – Instituto Nacional de Estatística, um órgão hondurenho semelhante ao IBGE, e se fosse indicado um “sim” em maioria simples, as eleições de novembro poderiam ter na cédula uma questão a mais, além das 3: Presidente, Parlamento, Prefeitos.
Alguns meses antes, Honduras sediou encontro da ALBA – Aliança Bolivariana para as Américas, Aliança que Honduras passou a compor a partir de meados de 2008. O ingresso de Honduras na ALBA sinalizou para uma maior inclinação do mandatário para o campo popular e anti-imperialista da América Latina, capitaneados por Cuba e Venezuela. Firmar esse acordo facilitou a chegada de médicos cubanos (aprox. 300 médicos em 2009), logo encarregados dos rincões hondurenhos, e acessar petróleo em boas condições de pagamento.
Um terceiro eixo motivador do golpe foi o maior diálogo com setores populares (movimentos, sindicatos, partidos de esquerda), que estavam vivendo um curto período sem um governo repressor, uma marca de Honduras. Além disso, criara, tempos antes, uma Rede Estatal de TV, tido como um movimento semelhante ao Venezuelano.
Outro aspecto foi o crescimento das mobilizações de massa nas última década, capitaneada por camponeses pobres – sem terra, trabalhadores precarizados, arrendatários, meeiros, etc; por um movimento sindical urbano, com destaque para os professores e trabalhadores das indústrias de bebidas; estudantes; contra o machismo e a homofobia; algo que se intensificou com a crise econômica de 2008, elevando o custo de vida, aumentando o desemprego e a fome – que é uma realidade dura e grave de lá.
O anti-chavismo foi a roupagem utilizada pela contra revolução para cobrir o velho anti-comunismo latino. Todos os traços e gestos que tinha qualquer semelhança – e mesmo quando não tinha – era usado diuturnamente para atacar o governo, acusá-lo de chavismo e criar um clima de tensão e crise.

Um povo em resistência
O dia 28 de junho foi marcado por uma forte mobilização para acompanhar a votação da consulta popular. Dois dias antes, na sexta, o Exército manda um informe para o Presidente se recusando a fazer o deslocamento das urnas e cédulas para o país todo. Imediatamente Zelaya responde, saindo em caminhada do Palácio Presidencial em direção a sede das Forças Armadas, arrastando consigo mais de 2 mil pessoas. Foi recebido com uma arma apontada para sua cabeça, não hesitou, e deu a ordem para as urnas serem entregues ao Executivo, que providenciaria a condução para os locais de votação. E assim aconteceu.
O dia do golpe já continha uma tensão e um “cheiro” de golpismo no ar. No mesmo dia, em jantar na Embaixada dos EUA, Hugo Llorens afirma a Mel que não há razões para se preocupar, não há golpe em curso.
Ao amanhecer as Forças Armadas sequestram o mandatário, cortam a rede de comunicação (telefone e internet), suspendem o canal de TV Estatal, e mantém os outros canais de TV oscilando, dentro e fora do ar, com programas de entretenimento. Já está em curso umavolumosa ação de prisões e repressão nas ruas. A resposta popular foi instantânea, marcada por atos em todas as regiões de Honduras, animada pelas declarações, logo no começo da tarde, do presidente deposto diretamente de San José. Reunidos ao final do domingo, conformaram uma Coordenação Nacional de Resistência Popular, posteriormente denominada Frente Nacional de Resistência Popular – FNRP. Foram mais de 150 dias ininterruptos (isso mesmo) de ações de massa tomando as ruas das principais cidades hondurenhas. Após isso os atos não foram interrompidos, mesmo sob forte repressão, e até os dias atuais podemos ver mobilizações gigantescas naquele pequeno país centro americano.
O golpe lança as forças populares a defensiva. O processo de mobilização intenso da capacidade de luta do povo hondurenho foi incrível. Mesmo com repressão dura e covarde, com prisões, torturas, execuções e desaparecimentos, ceifando a vida de centenas de pessoas, com dezenas de desaparecidos e milhares de presos e torturados. 1
O golpe não esmoreceu a disposição de luta, mas viu crescer a capacidade de mobilização dia a dia. A FNRP logo inicia um trabalho de organização em bairros e regiões, por setores e envolve quase a totalidade dos setores organizados do campo democrático, popular e anti-imperialista.
Embora esse processo de luta tenha sido crescente, a ação unitária das massas não foi capaz de reverter o processo nas ruas. Isso não significa uma derrota, ou uma demonstração de fraqueza, mas encontrou uma conjuntura internacional desfavorável, além de uma direita que avançou na capacidade de dividir o campo popular e não poupou esforços de cooptação. Isso se somou ao processo em si do golpe, que tirou um presidente eleito, que promovia melhores condições de vida, convertendo a resposta institucional algo bastante latende no imaginário, bastando notar que a bandeira mais consensual na resistência foi “vuelve Mel”, perdurando até o retorno efetivo do presidente deposto.
Esse quadro resultou em um impasse na situação hondurenha: a resistência não teve força para reverter o golpe pela ação de massas, e a direita não conseguiu assegurar a continuidade do golpe. Um impasse que segue até os dias atuais, com o agravamento da crise econômica, social e política, convertendo Honduras no país mais violento do mundo.


As urnas: uma alternativa de poder?
O poder, como sabemos e aprendemos com os clássicos e com a história da luta revolucionária, é a questão central de um processo processo revolucionário. E o poder não se resume ao que a legislação permite disputar a cada período na democracia representativa, mas é verdade que ainda que não seja a disputa do poder em si (tomar o estado), a democracia é um meio para a disputa de parte do poder. E nos momentos de equilíbrio na correlação de forças, a democracia se converte no centro da disputa política e por isso não pode ser desmerecida ou desprezada.
Passados esses pouco mais de 4 anos, Zelaya retornou ao país, porém, impedido de disputar as eleições, Honduras saiu da Alba oficialmente em 2010, bem como realizou eleições “livres” em novembro de 2009, buscando dar um caráter legal a um processo marcado pela ilegalidade.
Xiomara foi uma das principais vozes dos primeiros momentos da resistência. Se colocou a frente de diversos atos de massas, correndo riscos e se convertendo em uma figura pública não mais como a ex-primeira dama, mas como uma liderança em potencial. Associado a isso, sua projeção por Zelaya garantiu um quase consenso em lançar seu nome para disputar a presidência.
A FNRP, após intensos debates, funda um partido, o LIBRE, sigla para Liberdade e Refundação, e segue como uma frente política, que se buscou constituir como Frente Ampla, mas não avançou para além dos setores dos movimentos sociais e ex-integrantes do Partido Liberal – PL, da UD – União Democrática, outros de vários partidos menores de esquerda, bem como movimento sindical. O Libre nasce jáorganizado em correntes.
As eleições de 2009 foram boicotadas pela resistência popular, e a direita se aproveitou para dar a ela um caráter de aparência democrática fraudulenta, e assegurou minimamente converter a a ilegalidade em legalidade, de um golpe a democracia. Pepe Lobo fora eleito, com maioria no parlamento, com quase a totalidade da Suprema Corte, e realizou um governo duro de enfrentamento a resistência, com medidas anti-populares, atacando os setores organizados diretamente e buscando quebrar a imagem de governo golpista. Combinou repressão com esforços pontuais de dissuasão e cooptação.


Desafios para a esquerda hondurenhas
As eleições figuram no imaginário popular com uma alternativa. Parte disso advém dos traumas resultantes dos processos de luta armada da década de 1970 e 1980 , quando Honduras foi cercada de processos insurrecionais (Guatemala, El Salvador e Nicarágua) e foi usada como entreposto da contra revolução. E a contra revolução asfixiou a luta popular o quanto pode, rompendo com o que seria a formação de um bloco de lutas na região, que facilitaria o intercâmbio político-militar entre os 4 países. E essa repressão marcou o povo pelo que não viveu. Enquanto a insurreição era uma realidade na Nicarágua, uma situação provável em El Salvador, e um processo intenso na Guatemala, o povo hondurenho amargava uma dura e exemplar repressão.
Outro aspecto importantíssimo é que as eleições de Mel Zelaya significou uma real mudança na vida do povo, e essa mudança – ainda que possa ser avaliada como tímida – foi por demais radical para os planos da oligarquia Hondurenha. O golpe foi marcado por ser uma interrupção, que agora pode ser retomada. Seria essa uma das razões por não ter havido um processo mais direto de tomada do poder?
Fato inconteste é que a retomada da presidência da república é uma bandeira popular.
Com isso, a participação da esquerda em resistência nas eleições, sinaliza para alguns temas que vale avaliarmos:
1) A participação em si legitima um processo que tem uma disputa acirrada (8 candidatos, sendo que a candidata do Libre dispõe de apenas 7 a 8% dos gastos oficiais nas eleições). A derrota tornaria o domínio da oligarquia legitimado.
2) A disputa eleitoral é um caminho inevitável, uma vez que a força do processo de resistência não foi capaz de reverter pela ação das massas organizadas. Em uma perspectiva estratégica, é necessário ressaltar o que legou Fidel como uma lição de Cuba: um povo jamais se lança em uma luta mais radical, mais ousada e dura, enquanto ainda crê em vias mais simples e brandas. Portanto, no percurso da libertação hondurenha, passar pelas eleições é estratégico: vitorioso, será um passo importante, se derrotado, poderá ser convertido em uma lição para as massas, sinalizando que um caminho está fechado.
3) Uma vitória pode abrir um novo caminho, por dentro da democracia, passando a exigir da resistência a combinação da luta social com um governo do campo popular, não ficando refém desse novo governo, tampouco esperar que um novo governo, eleito nas regras de uma democracia em crise, possa mudar a realidade e sanar dívidas seculares em alguns meses. Isso exigirá muito das forças populares: pressão, mobilização e olho vivo na oligarquia golpista aliada dos EUA.
4) Uma vitória parcial, alcançando a presidência, mas não alcançando a maioria do parlamento. A situação tende a manter o cenário de crise e instabilidade política.
Um tema de preocupação geral é o risco de fraude e golpe “de urnas”. A oligarquia controla o Tribunal Eleitoral, e com ele todo o processo das eleições. São ligados aos golpistas de maneira umbilical, e não hesitaram em um momento no uso disso para beneficiar essa oligarquia.

E o desfecho será relevante para a correlação de forças em Honduras e na Centro-América. E esse povo que lutou para mudar seu país, foi golpeado, lutou uma dura resistência e agora pode passar a um estágio de ofensiva.
Um destaque importante é que, antes e durante esse processo eleitoral, os movimentos sociais hondurenhos – Copinh, Ofraneh, Madj e outros – seguem em luta contra as grandes transnacionais e projetos de recolonização. A dirigente Berta Cáceres vem sendo perseguida duramente, junto com outros compas do Copinh. Ou seja, eleições e luta popular caminhando juntas.

É certo que a continuidade dessa luta dependerá, sobretudo, da capacidade de conduzir o processo com unidade, respeitando a diversidade e lidando com as contradições no interior do campo popular, assim como não perder de vista os verdadeiros inimigos do povo hondurenho: a oligarquia agrária, o capital financeiro, o crime organizado e, especialmente, o imperialismo. E esse povo não quer voltar a se submeter aos designos de uma classe dominante anti-popular, anti-democrática e anti-nacional.

Ronaldo T Pagotto
Advogado, integra a Consulta Popular em São Paulo. Em 2010 passou dois meses acompanhando a Resistência Hondurenha.

1Honduras e a luta anti-imperialista (http://www.brasildefato.com.br/node/1333)
e outro “Exército monitora camponeses em Honduras” (http://www.mst.org.br/node/10481)

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Mensagem para a Juventude Brasileira – Omar Cabezas

Copiei do recém-lançado blog do Juventude Sem Terra. Vale a pena acompanhá-lo!
O Vídeo é uma breve mensagem do Revolucionário Nicaraguense, e escritor do livro “A Montanha é algo mais que uma imensa estepe verde”, para toda a Juventude Brasileira!

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HAITI: eles precisam de solidariedade, não de soldados!

por Joao Pedro Stédile

Caros amigos e amigas,

Acabo de chegar de uma viagem ao Haiti. Fui participar de um congresso do movimento campones Haitiano e aproveitei para visitar várias regiões do país e os projetos que a brigada da Via campesina/ALBA, estamos desenvolvendo em solidariedade ao povo do Haiti.

Gostaria de começar minha carta, comentando as características principais daquela nação. É um pais do tamanho de Alagoas (27 mil Km2) todo ele montanhoso, como Minas Gerais, e com as montanhas totalmente devastadas, ou seja sem cobertura vegetal, pois os camponeses ao longo de décadas tiveram que recorrer ao carvão como única fonte de energia e de renda. Toda alimentação do Haiti é preparada com carvão. Não há fogão a gás no país, com exceção dos bairros ricos de Port Príncipe. O clima é semi-árido em todo país. Chove apenas três meses por ano, e depois aquela seca nordestina… E o povão são dez milhões de pessoas, nesse pequeno território superpovoado, com 95% de afrodescendentes e 5% de mulatos.

Eles são os herdeiros da primeira grande revolução social da América latina, quando em 1804, se rebelaram contra os colonizadores franceses que os exploravam como escravos, e os condenavam a ter apenas uma media de vida em 35 anos. Expulsaram todos os colonizadores, eliminaram a escravidão e distribuíram as terras. E como sabiam que os colonizadores poderiam voltar ainda mais armados, subiram as montanhas, aonde estão até hoje.

Os colonizadores voltaram, mas não eram mais franceses, agora vieram os capitalistas dos Estados Unidos que ocuparam a ilha de 1905 a 1945. E quando saíram deixaram a ditadura Duvalier pro-americana que terrorizou a população de 1957 a 1986. Seguiram-se governos provisorios.

Em 1990, elegeram o padre Aristides, da teologia da libertação . Não adiantou, os americanos o derrubaram e levaram para Wasghinton, para lhes dar aulas de neoliberalismo. Voltou domesticado para cumprir outro mandato.

Depois elegeram o Presidente Preval, que conseguiu cumprir o mandato, mas sem nenhuma mudança democrática. E agora, elegeram governo títere dos americanos, que gastou 25 milhões de dólares na campanha eleitoral. Todos sabem no Haiti, que o povo não o elegeu.

Deveria haver eleições para o parlamento, que o mandato expirou há mais de seis meses. Mas ninguém fala nisso. Por tanto, não há mais parlamento legalmente constituído, embora funcione. Na prática o poder real é exercido pelas tropas das Nações unidas, chamadas de Minustah!

Por tanto, apesar de libertos da escravidão, o povo haitiano viveu poucos anos de democracia, mesmo que burguesa

O povo vive em pobreza extrema de comida e bens materiais. Que se agravou com o terremoto de janeiro de 2010, que matou milhares de pessoas e destruiu praticamente toda cidade de Port Principe. Mas é um povo que se mantém com dignidade e altivez, unido pela cultura, pelo idioma Crioll que só eles falam no mundo, e pelo Vudu (equivalente ao nosso candomblé), praticado por quase toda população, embora mantenham um sincretismo religioso, no estilo: aos domingos a missa e nas quinta-feiras o terreiro.

Nas regiões rurais, não há escolas. 70% da população vive no meio rural. O analfabetismo atinge a 65% da população. Não há energia elétrica no interior. Apenas em Port Príncipe. Há apenas três rodovias nacionais asfaltadas. E não há agua potavel. Todo mundo precisa comprar a agua potável, a preços internacionais.

No ano passado, pela primeira vez em sua historia, houve uma epidemia da cólera, que matou a centenas de pessoas, A doença medieval foi trazida pelas tropas do Nepal, que jogavam seu esgoto no principal rio do pais. Algum tribunal internacional se anima a processar as Nações Unidas por essas mortes?

Mais de 65% de todos os alimentos são importados ou chegam na forma de doação, que são apropriados por uma burguesia comercial negra, que explora a população.

As famílias que ainda conseguem ter algum recurso para fazer compra dos produtos que vem da vizinha Republicana Dominicana, é porque recebem ajudas de parentes que trabalham nos Estados Unidos.

Num cenário desses, não é difícil imaginar, quando virão as próximas revoltas populares. Mas não se assustem, lá estão 12 mil soldados de muitos países do mundo coordenados pelo Exército brasileiro, com o timbre das Nações Unidas, para conter possíveis revoltas. Desfilam em comboios fortemente armados, apenas para dizer ao povo: Não se esqueçam, estamos aqui para manter a ordem,! A ordem da pobreza e da nova escravidão. Lá não há guerra, nem violência (os índices de homicidos são os mais baixos da America latina) os solados estão lá como policias apenas.

Perguntei a soldados brasileiros porque estavam lá, pois nem sequer dominam o Crioll , para se comunicar com a população. A única resposta que obtive foi de que se saírem, entrarão os americanos, que são muito mais violentos!

O povo do Haiti não precisa de soldados armados. O povo do Haiti precisa de solidariedade para desenvolver as forças produtivas de seu território e produzir os bens que precisam para sair das imensas necessidades que padecem.

O povo do Haiti precisa de apoio para ter energia elétrica, para ter uma rede de gás de cozinha e evitar o desmatamento. Precisa de uma rede de água potável e de escolas em todos os níveis, em todos os povoados. Precisam de sementes e ferramentas. O resto eles sabem muito bem como fazer. Estão lá desde 1804, como povo liberto, sobrevivendo e se multiplicando apesar de tantos espoliadores estrangeiros.

Felizmente, há outras visões no relacionamento com o povo do Haiti. O governo da Bahia enviou cisternas para armazenar água da chuva, que o povo de lá é muito grato. A Petrobras nos ajudou a trazer 77 jovens camponeses para estudarem agro-ecologia no Brasil. A igreja catolica de Minas gerais fez uma coleta especial em todas as paróquias que agora financia projetos de desenvolvimento agrícola por lá, desde hortas, caprinocultura, criação de galinhas e multiplicação de sementes.

E os movimentos sociais da Via campesina Brasil, com os poucos recursos que temos, mantemos uma brigada permanente de jovens voluntários há mais de 6 anos, no Haiti, que estão desenvolvendo projetos de agricultura, de cisternas e de educação.

Anotem, o povo do Haiti tem raiva das tropas da Minustah. Se as Nações unidas, quisessem enviar soldados, poderiam ter seguido exemplo do Equador e da Venezuela: seus soldados não andam armados, e estão construindo casas, estradas e armazens. Ou seguir o exemplo de Cuba que mantém por lá mais de 5 mil médicos voluntários, alias o único serviço publico de saúde que existe no país, realizado por esses médicos humanistas, que dão exemplo da pratica do socialismo.

Acho que nossa obrigação como irmãos do povo Haiti, é seguir protestando e pedindo que as tropas se retirem do Haiti, como não desejaríamos que estivessem no Brasil ou qualquer país do mundo. E seguir apoiando, com projetos de desenvolvimento econômico e social.

Canción del Sainete Póstumo

Uma sugestão do professor e amigo cubano, Dr. Luís Bello, que me mantém informado acerca das novidades da querida e amada Havana, em Cuba.

Canción del Sainete Póstumo
De Rubén Martínez Villena

Rubén Martínez Villena
Yo moriré prosaicamente de cualquier cosa.
El estomago, el hígado, la garganta, el pulmón.
Y como buen cadáver descenderé a mi fosa envuelto en un sudario santo de
compasión.
Aunque la muerte es algo que diariamente pasa. Un muerto inspira siempre cierta
curiosidad.
Así, llena de extraños abejeará la casa y estudiará mi rostro toda la vencidad.
Luego, será el velorio. Desconocida gente, ante mis familiares inertes de llorar,
con el recelo propio del que sabe que miente recitará las frases del pésame
vulgar.
¿Tal vez una beata?, neblinosa de sueño, mascullará el rosario mirándose a los
pies. Y acaso los más viejos me fruncirán el seño al calcular su turno más próximo
después.
Brotará la hilarante virtud del disparate o la ingeniosa anécdota llena de
perversión. Y las apetecidas tazas de chocolate serán sabrosas pausas en la
conversación.
Los amigos de ahora, para entonces dispersos, reunidos junto al resto de lo que
fue mi yo, constatarán la escena que prevén estos versos y dirán en voz baja, todo
lo presintió.
Y ya en la madrugada, sobre la concurrencia, gravitará el concepto solemne del
jamás, vendrá luego el consuelo de seguir la existencia y vendrá la mañana, pero
tú, no vendrás.
Allá, donde vegete felizmente tu olvido, felicidad bien lejos de la que pudo ser,
bajo tres letras fúnebres, mi nombre y apellidos dentro de un marco negro te harán
palidecer.
Y te dirán ¿Qué tienes? Y tú dirás que nada. Mas te irás a tu alcoba para disimular
me llorarás a solas con la cara en la almohada y esa noche tu esposo no te podrá
besar.

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La demonización de Chávez

Comandante Hugo Chávez


Por Eduardo Galeano

Hugo Chávez es un demonio. ¿Por qué? Porque alfabetizó a 2 millones de venezolanos que no sabían leer ni escribir, aunque vivían en un país que tiene la riqueza natural más importante del mundo, que es el petróleo.

Yo viví en ese país algunos años y conocí muy bien lo que era. La llaman la “Venezuela Saudita” por el petróleo. Tenían 2 millones de niños que no podían ir a las escuelas porque no tenían documentos. Ahí llegó un gobierno, ese gobierno diabólico, demoníaco, que hace cosas elementales, como decir “Los niños deben ser aceptados en las escuelas con o sin documentos”. Y ahí se cayó el mundo: eso es una prueba de que Chávez es un malvado malvadísimo.

Ya que tiene esa riqueza, y gracias a que por la guerra de Iraq el petróleo se cotiza muy alto, él quiere aprovechar eso con fines solidarios. Quiere ayudar a los países suramericanos, principalmente Cuba. Cuba manda médicos, él paga con petróleo. Pero esos médicos también fueron fuente de escándalos. Están diciendo que los médicos venezolanos estaban furiosos por la presencia de esos intrusos trabajando en esos barrios pobres.

En la época en que yo vivía allá como corresponsal de Prensa Latina, nunca vi un médico. Ahora sí hay médicos. La presencia de los médicos cubanos es otra evidencia de que Chávez está en la Tierra de visita, porque pertenece al infierno. Entonces, cuando se lee las noticias, se debe traducir todo. El demonismo tiene ese origen, para justificar la máquina diabólica de la muerte.

Fonte: http://www.theclinic.cl/2013/01/06/la-demonizacion-de-chavez/
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