Notícias de Cuba

Estou aqui pela primeira vez escrevendo notícias de Cuba. Este é nosso quinto dia do por aqui. Para os que ainda não sabiam, vim a Cuba participar de um Curso em Atenção Primária à Saúde, como parte do meu rodízio estratpegico da Residência em Medicina de Família e Comunidada. Volto na segunda semana de dezembro.

Por enquanto ainda não posso enviar fotos, visto que internet aqui não é tão simples. Culpa do governo cubano? Não! É mais uma consequência deste bloqueio genocida bancado pelos Estados Unidos.

Estamos preparando vídeos e textos sobre o que vemos e sentimos em Cuba, mas dá para adiantar que é um povo que tem dificuldades sim, num país que tem suas limitações. Mas é de fato um povo livre e que vive numa democracia. Com muitos dos seus direitos, como educação e saúde, garantidos pelo estado. E olhe que conversamos com profressoras, médicas e enfermeiras, asm também com muitos da população. Temos feito questão de conversar com pessoas na rua, nas paradas de ônibus, nas vendinhas, nos táxis, nos consultórios. Não negam as dificuldades, mas até agora não encontramos um sequer que fosse contrário ao processo revolucionário!

Pois bem… Ao longe da caminhada, vou mandado textos e notícias! Será dificil enviar fotos, por enquanto.

Quaisquer dúvidas, me escrevam por email ou por comentário. Ahh e estou cheio de pedidos já! hehe

Beijos!

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Maniqueísmo nosso de cada dia e Belo Monte

Esta semana um vídeo tem provocado mais alvoroço que os vídeos de Jeremias José do Nascimento ou do Pedro que ficou com o chip da menina.
Trata-se de um filme estrelado por atrizes e atores da Rede Globo com ataques à construção da Usina de Belo Monte no Pará.
A minha primeira reação foi pensar: “Peraí! O que aconteceu? Que momento da análise de conjuntura eu perdi?”
Pois indo aos fatos… Desde sempre tive, e ainda mantenho, a postura contrária à construção de Belo Monte. Sou radical nesse posicionamento.
E a rede está cheia de argumentos. Acho que a questão do desenvolvimento precisa ser pensada, mas a obra é muito cara e trará consequencias incalculáveis ao meio ambiente e ao povo indígena da região. Para além disso, há de se refletir sobre quais são os interesses atendidos com a construção dessa usina. Transportar minério? Do povo é que não me parece ser.
Outra coisa: este é um governo de conciliação de classes. Não é o primeiro e nem será o último dos seus projetos que representam os interesses da burguesia nacional e internacional. Logo, não é novidade.

A Globo, por sua vez, sempre esteve e continuará a serviço da burguesia. Então o mínimo que temos que fazer é refletir sobre quais seriam os interesses escondidos aí por trás. 
Creio sinceramente ser um erro cair nesse governismo cego de muitos que não podem ouvir uma crítica ao governo que começam a vociferar que “é coisa da direita”. Ao passo que não dá para cair na superficialidade de ignorar os interesses aí envolvidos só porque é uma crítica ao governo Dilma e passar a achar que os globais são revolucionários, são de esquerda, etc, e que ninguém pode falar mais nada sobre eles. Aliás, daquele grupo todo, é reconhecido o compromisso social de apenas duas delas: A Letícia Sabatela e a Dira Paes. E só.
Todo e qualquer brasileiro, mesmo os globais, possuem pleno direito de manifestar suas posições políticas. Ótimo. Mas acho fundamental sim entender o processo como um todo. O próprio movimento que assina o manifesto. Movimento Gota D’Água. Quem são? Quem banca? O que querem? Não há a menor clareza sobre essas questões. Mas desconfio que não estejam a serviço do povo brasileiro.

O Mundo está ao Avesso. De Pernas pro Ar.

“Há cento e trinta anos, depois de visitar o País das Maravilhas, Alice entrou num espelho para descobrir o mundo ao avesso. Se Alice renascesse em nossos dias, não precisaria atravessar nenhum espelho: bastaria que chegasse à janela. No fim do milênio, o mundo ao avesso está à vista de todos; o mundo tal qual é, com a esquerda na direita, o umbigo nas costas e a cabeça nos pés.”

Dessa maneira Eduardo Galeano abre o seu livro “De Pernas pro Ar – A Escola do Mundo ao Avesso”. Daqui a centenas de ano será documento fundamental para compreender o quão é absurdo o mundo em que vivemos hoje.

O tempo todos nos chegam notícias que explicitam isso. Tudo num volume tão grande que muitas vezes as notícias mais recentes vão deixando cair no esquecimento mesmo a mais grave das situações.

Uma delas eu faço questão de resgatar. Trata-se de uma excelente reportagem feitas por Charles Souto para o Jornal Brasil de Fato, publicada em 25 de julho de 2001. Segue abaixo.

Ahhh. Quais outras notícias de 2011 escancararam que o mundo está de fato ao avesso?


Comenta aí!


“Médicos das Usinas dão pinga para cortar o efeito do agrotóxico no corpo”
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“De repente a menina cansava sem ninguém sabe como. Tinha que pegar e levar pro hospital às pressas”, relembra Madalena. A cena se repetia todos os dias. Sua sobrinha, à época com quatro anos, tinha crises respiratórias a cada fim de tarde e era socorrida no hospital de São Lourenço da Mata, zona da mata norte de Pernambuco. “Foi então que a médica descobriu que os ataques só aconteciam quando meu irmão chegava em casa do trabalho. Ela pediu pra ele se afastar do serviço por algum tempo. Passou um mês e a menina não teve mais nada, quando ele voltou a trabalhar os ataques voltaram”. O irmão de Madalena aplicava agrotóxicos nos canaviais da usina Petribu.


Os ataques de asma que a sobrinha de Madalena sofria eram causados pelos vestígios de agrotóxico que permaneciam no corpo de seu irmão, “muito embora”, ressalta Madalena, “quando largava do trabalho, ele tomava banho na usina e trocava de roupa antes de ir pra casa”.


O relato de Madalena é reforçado por outras esposas e mães da região, cujos nomes verdadeiros foram preservados para evitar retaliações da usina. “O fedor é muito forte”, lembra Regina, cujo esposo de 30 anos aplica veneno nos canaviais da Petribu pela segunda safra consecutiva. “Quando ele chega do serviço, só entra pela porta de trás. A roupa que ele usa pra ir e voltar do trabalho tem que deixar na porta da casa. Boto na água sanitária e nada do cheiro sair. Tem dia que o fedor é tão forte que não consigo nem ficar perto dele”, completa.


Regina revela que seu esposo já foi parar no hospital municipal depois de passar mal e desmaiar durante a aplicação dos agrotóxicos. “Ele tomou soro e foi liberado. O médico não disse nada sobre o veneno e não passou nenhuma medicação. Até hoje tem dia que ele acorda no meio da noite com o corpo cheio de câimbra.”


Cachaça como remédio


A denúncia mais grave é feita por Rosângela. Há três anos seu marido aplica veneno nos canaviais da Petribu. Segundo ela, desde o ano passado, os médicos da usina determinaram que todos os trabalhadores que manuseassem os agrotóxicos “tomassem uma dose de cachaça por dia, depois de terminado o serviço. Eles disseram que era pra cortar o efeito do veneno no corpo.”


Madalena confirma a acusação: “Na safra passada, eles chamaram meu filho de 19 anos pra trabalhar com veneno. O salário era um pouco maior, mas tinha um porém. Antes eles davam um saquinho de leite pra cada funcionário. Mas agora eles não estavam mais fornecendo leite e sim uma dose de pinga. Quando ele saísse do serviço, ia pra usina, tomava banho, trocava de roupa e recebia uma dose de pinga que era pra poder fazer uma limpeza dentro dele para o veneno não ofender ele”. Seu filho se recusou a beber e acabou desempregado.


“Não tem efeito nenhum do ponto de vista de evitar, de prevenir ou de tratar a questão da intoxicação pelo veneno utilizado na agricultura” esclarece a médica Lia Giraldo sobre os efeitos do leite e do álcool na lida com os agrotóxicos. Professora da UPE (Universidade do Estado de Pernambuco) e pesquisadora titular da Fiocruz/PE, Lia ressalta que “o leite é um alimento e, obviamente, não tem nenhuma consequência desfavorável tomá-lo, mas também não serve para nada do ponto de vista da intoxicação. Com relação ao álcool [cachaça] sim, é muito perigoso. Porque o álcool tem efeito tóxico para o fígado e para o sistema nervoso, assim como a maioria dos agrotóxicos. Então você tem a superposição de dois produtos que são tóxicos, causando uma potencialização do efeito negativo do veneno sobre a saúde humana. Quem receitar esse tipo de coisa para evitar intoxicação, especialmente se for médico, está cometendo um crime e deve ser encaminhada uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina”, enfatizou.


A pesquisadora lembra que o uso do álcool pode descaracterizar a intoxicação química por agrotóxicos, já que ambos produzem sintomas parecidos, tornando muito difícil a realização de um diagnóstico diferencial. “Na hora de fazer o diagnóstico vão dizer que o problema do trabalhador é porque ele bebe e não porque ele está exposto ao agrotóxico”, conclui Lia.


No ar, na terra e nas águas


Não são só os trabalhadores que sofrem com o uso indiscriminado dos agrotóxicos nos canaviais pernambucanos. Os 522 alunos da Escola Municipal Luiz Carlos de Moraes Pinho, localizada no distrito de Chã de Sapé em Itaquitinga, assistem suas aulas a poucos metros dos canaviais da Usina Santa Tereza. De acordo com Ivone, diretora da escola, “quando eles queimam as canas, a escola tem que liberar os alunos e suspender as aulas”. A professora de informática Ivete lembra que “há três anos, a Fusam [Fundação de Saúde Amaury de Medeiros] veio aqui fazer exame de vista nas crianças. Muitas crianças foram diagnosticadas com tracoma [uma forma de conjuntivite crônica que pode levar a cegueira] e os médicos associaram ao veneno que se espalhava com as queimadas da cana. Na época, a prefeitura foi acionada, mas até hoje nada foi feito”.


A agente de saúde lvanusa da Silva lembra que as famílias tinham o costume de cultivar algumas lavouras brancas para alimentação, como o mamão, “mas com o veneno despejado pelos aviões da usina, o mamão fi cava todo amarelado, não conseguia sobreviver. Não podemos plantar nada porque afeta”. Ivanusa informa que os aviões passam todos os finais de semana, logo cedo, despejando veneno nas canas e nas casas, indiscriminadamente. “Passa tão perto que parece que vai rasgar o teto em cima das casas”, completa a agente de saúde.


Em um desses voos rasantes, Dona Nelinha, 60 anos, acabou recebendo um banho de veneno. “Estava caminhando ali na estrada, de manhã cedinho, umas 5h. Só ouvi o barulho e quando vi o produto foi despejado do avião e salpicou veneno nos meus braços e no meu rosto. Eu acredito que isso não aconteceu só comigo, porque na estrada passa muita gente pra lavar roupa, o pessoal que chega do trabalho, todo mundo passa por essa estrada. É um produto que não faz bem pra nossa saúde, não é? Isso não faz bem pra comunidade”, afirma a moradora aposentada.


Para completar o quadro, a Associação de Moradores de Chã de Sapé denuncia que o poço responsável por armazenar a água que abastece os cerca de 800 domicílios do distrito está contaminado pelos agrotóxicos utilizados nos canaviais.


Agrotóxicos, abortos e câncer


Os casos denunciados pelos moradores de São Lourenço da Mata e Itaquitinga se repetem por diversos municípios tomados pelas plantações de cana na região. Mas, de acordo com os estudos levados adiante pela professora Lia Giraldo e a Fiocruz, há outras culturas em que os agrotóxicos também estão causando sérios danos à população e ao meio ambiente.


De acordo com Lia Giraldo, pesquisas realizadas com as mulheres envolvidas diretamente na produção de tomate no município de Camucim de São Félix, agreste pernambucano, constataram que 70% delas haviam abortado e 11% tiveram fi lhos com deficiências físicas ou distúrbios neurocomportamentais. Levantamento feito no ano de 2009 pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) evidenciou a contaminação ambiental de cacimbas e açudes pelo agrotóxico metamidofós, cuja classe toxicológica é a de nível I: extremamente tóxico. Além disso, estudos da Fiocruz identificaram na região do Vale do São Francisco 108 agrotóxicos diferentes utilizados na fruticultura com forte potencial de indução de câncer. 87% destes agrotóxicos foram classifi cados como carcinogênicos e 7% pré-carcinogênicos.


Lia Giraldo lembra que o consumo de agrotóxicos só aumenta em Pernambuco e em todo o país. Em 2009, haviam 2.195 produtos agrotóxicos registrados no país e as vendas chegaram a 789.794 toneladas, o equivalente a 6,8 bilhões de dólares. Em 2010, essa cifra alcançou os US$ 7,1 bilhões. Para a professora, o uso indiscriminado de agrotóxicos representa um “grave problema para a saúde pública, ainda que seus riscos e efeitos sejam ocultados e invisibilizados pela propaganda, pela ausência efetiva de controle dos órgãos públicos e pela falta de informação dos consumidores”.






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Malditos Comunistas!


Em Cuba, se você tiver aptidão para o esporte, vai poder se desenvolver com total apoio do estado. Pô, assim não vale! Do jeito que eles fazem, com escolas para todos, professores especializados e centros de excelência gratuitos, é moleza. Quero ver é fazer que nem a gente, no improviso. Aí, duvido que eles ganhem de nós. Duvido!

José Roberto Torero

Acabaram os jogos Pan-Americanos e mais uma vez ficamos atrás de Cuba.
Mais uma vez!
Isso não está certo. Este paiseco tem apenas 11 milhões de habitantes e o nosso tem 192 milhões. Só a Grande São Paulo já tem mais gente que aquela ilhota.
Quanto à renda per capita, também ganhamos fácil. A deles foi de reles 4,1 mil dólares em 2006. A nossa: 10,2 mil dólares.
Pô, se possuímos 17 vezes mais gente do que eles e nossa renda per capita é quase 2,5 vezes maior, temos que ganhar 40 vezes mais medalhas que aqueles comunas.
Mas neste Pan eles ganharam 58 ouros e nós, apenas 48.
Alguma coisa está errada. Como eles podem ganhar do Brasil, o gigante da América do Sul, a sétima maior economia do mundo?
Já sei! É tudo para fazer propaganda comunista.

A prova é que, em 1959, ano da revolução, Cuba ficou apenas em oitavo lugar no Pan de Chicago. Doze anos depois, no Pan de Cáli, já estava em segundo lugar. Daí em diante, nunca caiu para terceiro. Nos jogos de Havana, em 1991, conseguiu até ficar em primeiro lugar, ganhando dos EUA por 140 a 130 medalhas de ouro.
Sim, é para fazer propaganda do comunismo que os cubanos se esforçam tanto no esporte. E também na saúde (eles têm um médico para cada 169 habitantes, enquanto o Brasil tem um para cada 600) e na educação (a taxa de alfabetização deles é de 99,8%). Além disso, o Índice de Desenvolvimento Humano de Cuba é 0,863, enquanto o nosso é 0,813.
Tudo para fazer propaganda comunista!
Aliás, eles têm nada menos do que trinta mil propagandistas vermelhos na cultura esportiva. Ou professores de educação física, se você preferir. Isso significa um professor para cada 348 habitantes. E logo haverá mais ainda, porque eles têm oito escolas de Educação Física de nível médio, uma faculdade de cultura física em cada província, um instituto de cultura física a nível nacional e uma Escola Internacional de Educação Física e Desportiva.
Há tantos e tão bons técnicos em Cuba que o país chega a exportar alguns. Nas Olimpíadas de Sydney, por um exemplo, havia 36 treinadores cubanos em equipes estrangeiras.
E existem tantos professores porque a Educação Física é matéria obrigatória dentro do sistema nacional de educação.
Até aí, tudo bem. No Brasil a Educação Física também é obrigatória.
A questão é que, se um cubano mostrar certo gosto pelo esporte, pode, gratuitamente, ir para uma das 87 Academias Desportivas Estaduais, para uma das 17 Escolas de Iniciação Desportiva Escolar (EIDE), para uma das 14 Escolas Superiores de Aperfeiçoamento Atlético (ESPA), e, finalmente, para um dos três Centros de Alto Rendimento.
Ou seja, se você tiver aptidão para o esporte, vai poder se desenvolver com total apoio do estado.
Pô, assim não vale!
Do jeito que eles fazem, com escolas para todos, professores especializados e centros de excelência gratuitos, é moleza.
Quero ver é eles ganharem tantas medalhas sendo como nós, um país onde a Educação Física nas escolas é, muitas vezes, apenas o horário do futebol para os meninos e da queimada para as meninas. Quero ver é eles ganharem medalhas com apoio estatal pífio, sem massificar o esporte, sem um aperfeiçoamento crescente e planejado.
Quero ver é fazer que nem a gente, no improviso. Aí, duvido que eles ganhem de nós. Duvido!
Malditos comunistas…
José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado

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